Reservatórios com pouca água, os riscos de racionamento e apagões – Artigo de Fábio Resende

Temos visto na imprensa matérias sobre os baixos níveis dos reservatórios, o que faz o ONS colocar todo o parque térmico gerando, com todas as suas consequências ambientais e econômicas.

Não se mencionam outros reflexos sobre o nosso sistema elétrico, pois sua complexidade o torna incompreensível para quem não é do ramo e até mesmo para muitos que hoje estão no Governo ou críticos que costumam opinar quando há apagões.

Sobre o risco de racionamento, pouco cabe acrescentar a tudo que já tem sido falado, fartamente analisado pelo Ilumina, que, por sinal, começou a alertar para o assunto já há algum tempo, vide o artigo de 08/03/14, “Um possível racionamento não deveria surpreender – pequeno estudo do ILUMINA” .

Quanto ao risco de apagões em cidades ou regiões, vale tentar explicar.

O sistema elétrico brasileiro é quase todo interligado por linhas de transmissão, possibilitando que as usinas geradoras de Sul a Norte forneçam energia para quase todo o País. Essa energia é a chamada carga do sistema, mais concentrada nos grandes centros, mas espalhada por todos os cantos onde há consumo de eletricidade.

Tudo funciona como se fosse um gigantesco “cabo de guerra”, uma brincadeira muito popular noutros tempos, mostrada nessa ilustração. Os geradores puxam para um lado e a carga puxa para o outro. O sistema de transmissão funciona como a corda.

Se alguém bater no meio da corda, como a seta na figura, os dois lados poderão balançar, dependendo da força da pancada. São as chamadas oscilações na rede, que por vezes, fazem a luz dar uma variada.

Se forem muitos em cada lado, até pancada muito forte pode ser absorvida pelos dois grupos sem problema. Com poucos, o lado forte pode puxar o outro e alguns até caírem.

Enquanto no cabo de guerra o objetivo é um lado derrubar o outro, no sistema elétrico o objetivo é que ninguém caia.

No último apagão resultante de problemas na interligação Norte-Sul, funcionou um sistema de “alívio de carga”, com o corte de 6% espalhado por algumas regiões, para evitar que o desequilíbrio causado pela falha inicial, não se propagasse e causasse outros desligamentos de carga de forma não controlada, atingindo hospitais, grandes indústrias etc. Em uma hora tudo foi restabelecido. Caso fosse um desligamento mais grave, o tempo de retorno de toda a energia poderia ser muito maior, bem como suas consequências sociais e econômicas.

Voltando ao nosso cabo de guerra, funcionou como se alguém do grupo mais forte tivesse largado a corda para que o outro lado não caísse.

Isso é prática comum em sistemas interligados e bastante estudado pelo pessoal da operação do sistema, pois falhas na grande rede são eventos normais. Quedas de raios nas linhas de transmissão, queimadas sob as linhas, etc podem provocar curto circuito e o desligamento da linha afetada.  Como o sistema é projetado para isso, de modo geral, nada ocorre de anormal para o consumidor, mesmo com o desligamento ocorrendo em linha altamente carregada.

Mas o sistema não é projetado para desligamentos de várias linhas, muito menos subestações, e aí vem os “alívios de carga”.

Os apagões acontecem nas situações não previstas no planejamento, que não considera as situações “anormais” que tanto preocupam a operação.

Uma delas é a situação atual, com quase todas as térmicas em operação. No cabo de guerra do sistema elétrico, do lado da geração os mais fortes são as usinas hidráulicas, depois as térmicas e depois as eólicas. Se o sistema passar por forte oscilação, algumas térmicas e eólicas podem não aguentar o tranco e desligarem. Isso pode gerar muitos desligamentos de carga para equilibrar o sistema.

Outra situação que pode ocorrer nos dias de hoje com reservatórios esvaziados, é o desligamento de alguns geradores de uma usina para evitar um problema nas turbinas chamado de cavitação (veja na wikipedia). Isso representa um enfraquecimento da força das hidráulicas caso haja algum problema na rede.

Os grandes apagões no sistema ocorrem quando as condições de operação do sistema têm grandes diferenças com o que foi planejado, como está ocorrendo agora.

O risco desses apagões não tem como ser avaliado, mas vale lembrar alguns grandes de 1999, 2001 e 2002, quando se passou por situação similar a de hoje, com reservatórios esvaziados.

Do jeito que as coisas estão, pode-se imaginar que se reza muito para que chova bastante para encher os reservatórios. Mas, deve-se rezar também para que as chuvas não venham com muitos raios e com ventos muito fortes que eventualmente venham a derrubar torres das linhas.

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3 respostas

  1. Tô no Barretão, sob energia de Furnas Usina Porto Colômbia.
    Amanhã meu aniversário … se faltar energia … as vela vão garantir a iluminação.
    O Plantão?? …é Brahma!!!
    Tem caixa térmica e gelo pra 24 horas.
    Quem chegar verá!!!
    …Oh! vida leva eeuuu!!!

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