Comentário: O ILUMINA tem alertado que as políticas pouco convencionais dos governos FHC, Lula e Dilma têm algo em comum: a derrocada da Eletrobrás.
- As distribuidoras que sobraram das privatizações da década de 90 foram empurradas goela abaixo da Eletrobrás. Chamou-se isso federalização, mas, a não ser que o tesouro cubra também os rombos das dívidas dessas empresas, a Eletrobras terá dificuldades de ter algum retorno, mesmo privatizando essas “renegadas” pelo mercado.
- A descontratação de 2003, quando era óbvio que o mercado havia se retraído em 15%, deixou as controladas da Eletrobrás sendo obrigadas a gerar sem contrato e proibidas de buscar alternativas no mercado livre. Só a empresa FURNAS ficou com cerca de 2.000 MW médios descontratado sendo liquidados a R$ 4/MWh. Uma verdadeira doação ao mercado livre.
- Atendendo à campanha da FIESP, que, para levantar a bandeira da amortização das usinas da Eletrobrás, usava os exemplos de Sto. Antônio, Jirau e Belo Monte que obtiveram tarifas mais baixas que as praticadas pela Eletrobrás. As tarifas de FURNAS, CHESF e ELETRONORTE não foram determinadas pelas empresas mas pelo mercado no leilão de 2004. Adotando o parâmetro de custo das usinas (que nem prontas estão) como um paradigma de eficiência, a contabilidade oficial daria conta de que os consumidores já tinham amortizado 80% do capital investido das usinas da Eletrobrás. Portanto, alguma redução seria possível, mas, como o governo não tinha nenhum diagnóstico sobre a elevação, preferiu o caminho mais fácil. Espoliar a Eletrobrás.
- O ILUMINA não tem como confirmar ou negar as informações sobre baixos retornos nos projetos que a Eletrobrás entrou em parceria com o setor privado. Mas, se houver um mínimo de interesse público, uma investigação poderia explicar porque projetos com tanto financiamento do BNDES ainda precisariam de uma estatal para assumir custos oclusos. Ou a taxa de retorno para os privados também é baixa??
Renée Pereira – O Estado de S. Paulo
O dia a dia da estatal Eletrobrás não tem sido fácil desde a renovação das concessões elétricas, em 2012. Para se adequar à nova realidade, com queda de receita e piora nos indicadores financeiros, o grupo já demitiu mais de 4.400 funcionários, reduziu em média 16% os gastos gerais e ainda deve trocar sua sede, no centro do Rio, por um anexo no prédio de Furnas, no bairro de Botafogo, para economizar o aluguel. Tudo isso, porém, não foi suficiente para melhorar os indicadores.
Desde o início do processo de renovação, a estatal perdeu R$ 19,2 bilhões em valor de mercado e praticamente enterrou o sonho de se tornar a Petrobrás do setor elétrico. Em 2012, o governo lançou as condições para antecipar a renovação das concessões de geração e transmissão de energia que venceriam em 2015 e 2017. A proposta previa indenização pelos ativos não amortizados em troca da queda drástica no valor da energia vendida.
O problema é que o valor da indenização ficou abaixo dos cálculos do mercado e dos números das próprias empresas. A Eletrobrás esperava cerca de R$ 30 bilhões, mas foi obrigada a aceitar os R$ 14,4 bilhões propostos pelo governo – seu principal acionista. Além de causar uma bagunça no setor, deixando as distribuidoras sem contrato de fornecimento garantido de energia, o plano federal fez as receitas da estatal despencaram. Resultado: em 2012, a Eletrobrás teve o maior prejuízo da história das empresas de capital aberto, de R$ 6,8 bilhões. De lá pra cá, os indicadores seguiram o ritmo do setor elétrico e só pioraram.
Segundo levantamento da empresa de informação financeira Economatica, com base no último balanço divulgado pela estatal, a rentabilidade da empresa – em 12 meses até setembro do ano passado – estava negativa em 15,59%. A margem Ebitda (lucro antes de juros, taxas, amortização e depreciação; indicador próximo à geração de caixa) também está no vermelho: -38,46% – esse indicador mede a lucratividade da empresa.
Por enquanto, os investimentos não foram afetados por causa da indenização do governo. Até setembro de 2013, ela havia recebido R$ 8,8 bilhões dos R$ 14,4 bilhões. Cerca de 70% dos projetos são financiados pelo BNDES. Só 30% saem do caixa da estatal, que tem sido minoritária nos empreendimentos.
O problema é que uma hora a indenização vai acabar, destaca o analista da J. Safra Corretora, Sérgio Tamashiro. Ele diz que o início de operação de alguns projetos pode aliviar um pouco o caixa da estatal. Mas aí entra outro ponto delicado: o baixo retorno dos projetos. Relatório do JP Morgan mostra que hidrelétricas – com participação da Eletrobrás – estão com rentabilidade reduzida: em Jirau, a taxa é de 3,2%; Santo Antônio, 5,9%; Belo Monte, 7,2%.
Uma resposta
Faz lembrar na época do FHC onde se privatizava tudo por conta da falta de gestão e financiamento do estado e se apelava ao financiamento e a “salvadora” competência gestora do setor privado.
Não ficarei surpreso se a Presidente resolver vendar as empresas da Eletrobras e utilizar do mesmo argumento.
Quem viver verá!