Qual a causa dos apagões? Srs consumidores de energia: Fiquem atentos ao piques de luz! Eles são provocados pelos transformadores "autoprotegidos" que a LIGHT espalhou pela cidade. Esses transformadores, quando …

Qual a causa dos apagões?



Srs consumidores de energia: Fiquem atentos ao piques de luz! Eles são provocados pelos transformadores "autoprotegidos" que a LIGHT espalhou pela cidade. Esses transformadores, quando instalados em redes com potenciais problemas, causam o apaga -acende que é fatal para aparelhos eletrodomésticos. O pior é que essas ocorrências não são nem registradas como falhas!


A ANEEL é incapaz de fiscalizar eficientemente, pois não dispõe de registradores gráficos para realizar um exame independente dos dados da empresa fiscalizada. Portanto, não deixe de reclamar por telefone e obter o número de registro da ocorrência dos pisca-pisca. Sem a reclamação registrada é como se nada tivesse acontecido.



Os apagões, na maioria das vezes, ocorrem por uma falha dos sistemas de transmissão . Certos períodos do dia concentram um aumento da demanda de energia. É o chamado período de ponta. Nessa hora, a transferência de energia das usinas para as cargas é máxima. Como o nosso sistema de transmissão está sofrendo atraso nos investimentos, podem ocorrer falhas que provoquem desligamentos em cascata. Quando o sistema é bem planejado, essas ocorrências são "isoladas" para que todo o sistema não caia. O famoso apagão de 11 de março revelou uma falta de coordenação do ONS, deixando que uma ocorrência em Baurú se espalhasse nacionalmente.


O apagão pode ocorrer também por um problema na geração e nesse momento é necessário substituir rápidamente o atendimento da demanda por uma outra usina que tenha folga para gerar aquela falta. Portanto se a demanda está muito próxima da capacidade máxima do sistema muito provávelmente não se consegue um substituto para aquela energia e a solução é cortar algumas cargas. Quando se esvazia os reservatórios a capacidade de gerar energia cai bastante, pois ela é proporcional à diferença de altura entre o nível do reservatório e o rio logo abaixo da usina. Cai também o rendimento da turbina e portanto situações de seca ou de operação deplecionadoras dos reservatórios podem provocar uma queda significativa da capacidade de atendimento ao pico de demanda.


A ocorrência de interrupções no fornecimento de energia elétrica tem sido bastante frequente depois da privatização das empresas distribuidoras, principalmente no caso da Light e da CERJ no Rio de Janeiro. A imprensa divulgou entrevistas de executivos dessas empresas que entre as promessas de investimento insinuam a falta de fontes energéticas no estado como causa do desabastecimento, manifestando inclusive o interesse dessas distribuidoras em adquirir usinas do sistema FURNAS como se fosse possível reservar essas usinas para a área Rio, o que não é viável elétricamente. A idéia de "importação de energia" como um fator negativo da situação do Rio é um conceito sem base na engenharia. Essas soluções só estão sendo ventiladas pelo total desmonte do sistema de planejamento do setor. Estivesse o sistema bem planejado, essa situação não ocorreria.


O apagão também pode ocorrer por um problema na distribuição :


Aqui cabe uma série de esclarecimentos:


1. Realmente a rede de distribuição dessas empresas encontravam-se sobrecarregadas devido a todo histórico de ausência de investimentos decorrente da contenção tarifária do período pré-privatização.


2. Apesar desse funcionamento precário, as interrupções eram menos frequentes pela atuação das equipes de manutenção das empresas que experientes no cotidiano da rede, conheciam intimamente cada cabo ou transformador problemático.


3. A primeira atitude gerencial das empresas após a privatização, foi o enxugamento linear de seu quadro de pessoal, o que desfalcou inteiramente as equipes que atuavam no dia a dia da rede. A experiência acumulada foi desmontada ainda mais a partir dos planos de incentivo à aposentadoria que retirou das ruas os mais calejados técnicos em manutenção de redes.


4. Uma outra razão que não se veicula na imprensa é a mudança de tecnologia adotada na distribuição: Atualmente o principal investimento dessas empresas têm sido na área de caça aos "gatos" e na área de transformadores autoprotegidos. Isso significa que, ao contrário da filosofia adotada anteriormente, as empresas estão protegendo seu patrimônio em detrimento da qualidade do fornecimento. Esses transformadores desligam-se automáticamente (todas as fases) por qualquer defeito nos cabos da rede. Apenas depois de descoberto a causa do desligamento é possível reestabelecer o fornecimento. Como é demorado buscar nos cabos um defeito que pode estar em uma área bastante extensa, o consumidor fica sem energia. Essa é uma mudança tecnológia que, apesar de saudável sob o ponto de vista gerencial, dado o estado das redes, penaliza os consumidores. Antes o atendimento se fazia a qualquer custo, o consumidor era atendido apesar do risco para o equipamento. Agora, a preservação do investimento é prioritária.


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