O Ilumina salienta nessa notícia, as declarações do Sr. Paulo Ludmer, notório inimigo das estatais, (quem se lembra de suas brigas com Marcelo Siqueira, ex- presidente de FURNAS, nos jornais?) que se encontra mu …


O Ilumina salienta nessa notícia, as declarações do Sr. Paulo Ludmer, notório inimigo das estatais, (quem se lembra de suas brigas com Marcelo Siqueira, ex- presidente de FURNAS, nos jornais?) que se encontra muito preocupado com a venda das geradoras antes da regulamentação. Quem diria…

Globo 19/11/98

São Paulo marca leilão de geradoras para abril

Wagner Gomes


Da agência O GLOBO


SÃO PAULO. As usinas Paranapanema e Tietê, pertencentes à Cesp (Companhia Energética de São Paulo), deverão ser privatizadas em abril. A informação foi dada ontem pelo secretário de Energia do Estado de São Paulo, Mauro Arce. Ele disse que só precisará ser atualizado o preço mínimo das companhias, que ainda está sendo estudado. A venda das duas geradoras representa o primeiro passo para a operação que está sendo considerada pelo mercado financeiro o maior evento econômico do ano que vem: a privatização das usinas hidrelétricas. Apenas as geradoras da Cesp estão avaliadas em R$15 bilhões – mais do que o preço mínimo estipulado para as empresas do sistema Telebrás, que foi de R$ 13 bilhões.


Mas as dívidas de R$ 7,5 bilhões da Cesp e seus débitos fiscais farão com que o valor a ser efetivamente arrecadado na privatização seja menor do que os R$ 15 bilhões avaliados. Arce lembrou que o governador de São Paulo, Mário Covas, nunca escondeu a necessidade de vender a Cesp para pagar dívidas. O que é certo, segundo ele, é que se no final da privatização o valor que o Estado receber pela venda for pequeno, pelo menos será evitado que os cofres públicos tenham de arcar com mais prejuízo daqui para frente.


Caso a venda da Comgás, na qual a Cesp tem participação, aconteça antes da privatização das usinas da Companhia Energética de São Paulo, será possível ainda abater a dívida e melhorar o preço de venda. O secretário estima que a empresa poderá receber R$ 1 bilhão com a Comgás.


Paulo Ludmer, diretor executivo da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace), no entanto, disse que a privatização das geradoras de energia é necessária, mas é preciso criar o mais rápido possível uma nova lei de regulamentação do setor. Do contrário, as empresas podem entrar num processo de cartelização.


– As empresas nem mesmo tem compromisso de expansão da oferta de energia no país – comentou. O secretário de energia lembrou que na Inglaterra foi feita primeiro a regulamentação e somente depois a privatização.


As ações das empresas de energia elétrica, em queda nos últimos meses, dão sinais de recuperação. Até o pregão de ontem, Cesp PN acumulava no mês alta de 72,39%, depois de ter despencado 44,33% em agosto. O lote de mil vale R$ 30,60. Mesmo assim, o resultado no ano continua indicando queda de 46,57%.


Light ON também ensaia a volta por cima, com valorização no mês de 44,79%, contra ganho de 21,28% do Ibovespa (que mede o desempenho dos papéis mais líquidos na bolsa de São Paulo). Ainda assim, a alta em novembro ainda não foi suficiente para anular o prejuízo no ano, que no caso da Light chega a 48,77%. O preço dos papéis das elétricas havia despencado diante do agravamento do risco de desvalorização cambial. É que as empresas do setor têm elevado endividamento em moeda estrangeira. Só a Light, que assumiu financiamento para comprar a Eletropaulo Metropolitana, informou ter gasto quase R$ 80 milhões em despesas financeiras no terceiro trimestre deste ano.


COLABORARAM: Aguinaldo Novo e Valdete de Oliveira

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