Fornecimento de energia é restabelecido em 8 cidades Gustavo Goulart A Cerj restabeleceu às 16h45m de ontem o fornecimento de energia elétrica aos oito municípios atingidos pelo blecaute da madrugada de segund …

Fornecimento de energia é restabelecido em 8 cidades


Gustavo Goulart


A Cerj restabeleceu às 16h45m de ontem o fornecimento de energia elétrica aos oito municípios atingidos pelo blecaute da madrugada de segunda-feira: Niterói, São Gonçalo, Maricá, Magé, Itaboraí, Rio Bonito, Petrópolis e parte de Duque de Caxias. O blecaute foi causado por um incêndio que provocou o desligamento total da subestação de Furnas Centrais Elétricas em Adrianópolis, Nova Iguaçu. Técnicos de Furnas religaram o segundo conjunto de três transformadores, o que, com o reforço de duas subestações – São José, em Belford Roxo, e Campos -, possibilitou o restabelecimento do fornecimento de energia à Cerj. Mas a subestação de Adrianópolis ainda é problema: está operando com apenas dois de seus três conjuntos de transformadores. O terceiro conjunto, atingido pelo incêndio, está desligado e desfalcado de dois aparelhos.


– O sistema voltou ao normal, mas ainda estamos sem o conjunto reserva. Em caso de emergência, não teremos como substituir um conjunto danificado. Precisamos do terceiro em funcionamento o mais rapidamente possível – disse o engenheiro Carlos Garnier, assistente da diretoria de Produção de Furnas.


O incêndio na subestação de Adrianópolis causou mais prejuízos do que se imaginava: o atraso no restabelecimento do sistema se deu porque o transformador instalado do lado direito do que explodiu naquela madrugada também foi danificado pelas chamas e teve que ser trocado, apesar dos esforços do Corpo de Bombeiros de resfriá-lo com água para evitar danos. Uma bucha trincou, causando vazamento de óleo. Esse aparelho pertencia a um dos dois conjuntos de transformadores que estavam abastecendo a Cerj desde a pane de 4 de fevereiro, quando houve o primeiro blecaute em oito cidades. A Cerj estava tendo que fazer um rodízio: determinada região ficava às escuras num dia e, no outro, era escolhida outra área.


O aparelho danificado, fabricado pela General Eletric canadense, teve que ser trocado por um transformador do terceiro conjunto, que está desligado desde o dia 4. Este equipamento, no entanto, é de outra marca, Mitsubishi. Desde a manhã de segunda-feira, técnicos de Furnas trabalharam para adequar os circuitos desse transformador aos dos outros dois aparelhos do conjunto. O trabalho terminou ontem à tarde e, às 16h45m, o segundo bloco de transformadores entrou em funcionamento, restabelecendo o fornecimento de energia à Cerj.


Segundo o engenheiro Mário Santos, da Coordenação do Grupo de Operações Interligadas da Eletrobrás, que participa das investigações sobre o acidente, o relatório deverá ser concluído até o início da próxima semana. Entre as suspeitas que estão sendo examinadas, Mário Santos ressaltou uma possível falha no sistema de comutação de tensão, que controla a tensão no transformador, no caso do primeiro acidente ocorrido há mais de duas semanas. No caso específico da explosão do transformador, Mário Santos acredita que o problema possa ter sido causado no transporte da peça de Jacarepaguá para Adrianópolis.


– Alguma peça interna pode ter se danificado durante o transporte, afetando o isolamento térmico do transformador. E deve ter sido um problema pequeno, senão teria sido verificado durante o exame feito antes de o equipamento entrar em funcionamento – explicou Mário Santos.


Ontem, técnicos de Furnas e de três fabricantes de transformadores – Coemsa, Asea Brown Boveri (ABB) e Mitsubishi – deram início à vistoria dos dois aparelhos danificados no dia 4. Dentro de 15 dias, as fábricas deverão apresentar propostas para a recuperação dos equipamentos.


Ontem, o engenheiro de Furnas João Carlos Borges Moreira, chefe-adjunto de produção de Nova Iguaçu, acusou a Cerj de não estar investindo na compra de capacitores, equipamento fundamental para evitar a baixa da tensão da energia distribuída por Furnas. Isso, segundo ele, pode provocar quedas bruscas de tensão e danificar aparelhos eletrodomésticos. Luiz Echenique, diretor da Cerj, pondera que já foram encomendados novos transformadores e capacitores, mas alega que essas peças demoram, em média, de sete a dez meses para serem entregues. Ele ressalta que a empresa precisa de algum tempo para atingir padrões de qualidade. Segundo Echenique, até 75 dias atrás, a companhia estava em processo de franco sucateamento, quando foi comprada pelo consórcio formado pelas empresas Chilectra (Chile), EDP (Portugal) e Endesa (Espanha):


– Neste ano, já investimos US$ 40 milhões. E vamos investir mais US$ 100 milhões.


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