MEMÓRIA NECESSÁRIA REVISITADA " Oh, como me arrependo de não ter sido canalha" Desabafo de Duarte da Paz em algum momento do próximo século PARA RECORDAR O PRIMEIRO CAPÍTULO, CLIQ …

MEMÓRIA NECESSÁRIA REVISITADA



" Oh, como me arrependo de não ter sido canalha"

Desabafo de Duarte da Paz em algum momento do próximo século


PARA RECORDAR O PRIMEIRO CAPÍTULO, CLIQUE AQUÍ.


Vezes incontáveis o Advogado Astolfo Meyer Brandão percorreu os escritórios regionais e as grandes obras das Centrais Elétricas de Grutas, encarregado de inquéritos quase policiais. Mas, naquelas épocas mais heróicas, os deslizes inquiridos eram de pequena monta se comparados com outros que já aconteciam em Pindorama desde muito e mesmo em outros órgãos públicos daqueles tempos não presididos, é claro, pelo Eng. John Reginald. As novas gerações de Grutas pensavam que viviam em uma corporação tão diferente que, naquele aspecto ético e em outros também inéditos, estava ali para ficar pela eternidade. Jovens tolos e com escassa visão política realista.




Se Astolfo fosse hoje vivo estaria, na solidão das Minas Gerais, aposentado mas não tão feliz, escrevendo a continuação do seu romance Linha de Transmissão, publicado em 1979. Seria uma narração sem nenhuma estoria de amor passada nas instalações das Centrais Elétricas de Grutas, que Astolfo chamara de Centrais Elétricas de Lapas. Certamente Astolfo produziria um "bestseller" exacerbadamente preocupado com a lisura e a ética, onde estariam associados, como vilões, hordas de gangsters-ideológicos e gangsters-propriamente-ditos. Como disse Duarte da Paz, a primeira categoria acaba sendo promovida à segunda. Por isso ambas se amam cada vez mais e atuam enlaçadas.


Duarte da Paz anda matutando, como diria Astolfo. Como seria possível, pelo menos como consolo, pois em Pindorama é improvável descobrir e detalhar as provas concretas das atuações dos dois tipos de "gangsters", deixando registrado na história como eles procederam com mais ou menos arte e gênio.




Ajudaria nesse esforço de pesquisa histórico-jornalistica descrever algumas artimanhas menos comuns e mais sutis das patotas, sobretudo em Grutas onde demorou a pindoramização dos corações, mãos, mentes e algibeiras . Vejamos:




Genialidade Número 1: O Diretor, eng. Lamparetas, inteligente como o diabo, colocou, em 1974, executivos ilibados e cretinamente dedicados em áreas da empresa até mais importantes, elegendo a caveira de burro (mais de baleia do que de burro …) da construção da Usina dos Reis Magos como empreendimento prioritário para o sucesso e a tranqüilidade da sua antecipada aposentadoria.




Genialidade Número 2: – " Oh ! meus caros, não há nada de anormal ou contrário aos bons princípios éticos em, alguns poucos receberem retribuição adicional pecuniária pessoal, durante muitos anos, por serviços prestados à grande empreiteira no escopo de contratos polpudos da mesma no continente selvagem onde se originou o homo-sapiens e onde, nesse final de século, o super virus ameaça extingui-lo. Afinal, estávamos ajudando e transmitindo valiosos (!!!) conhecimentos para os infelizes, que nem eram tão sapiens assim."




Genialidade Número 3 (bem, não tão genial assim…): O eng. Mantiqueira não admitido na patota do continente selvagem e, por isso, esbravejava ao pé de muitos ouvidos naqueles derradeiros momentos dos anos oitenta em que Grutas foi ameaçada pela perigosa gente do Lula. Manteve a tradição fisiológica de grande parte da sua gente, tão ironizada por Astolfo Brandão, e formou esquema próprio. Afinal, já tinha algumas pequeníssimas experiências nos seus tempos de trabalho nos bucólicos sertões de Pindorama e, sobretudo, achava desnecessário quaisquer ineditismos ou muita imaginação para o pedido direto de recursos para o seu patriótico partido.


Colaborações contando outras genialidades, mesmo ficcionais, são benvindas. Ajudará a formação de um banco de dados que poderá vir a ser útil e diminuir o pessimismo de Duarte da Paz.


O. Goatbranchson

Manchester ­ UK

5th august, 2000


Traduzido por Eric Blair especialmente para o "site" ILUMINA.







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