MAE – Miopia Ataca Energia
O gráfico abaixo mostra a evoluçao recente do preço da energia elétrica no mercado atacadista brasileiro. Observem o valor da energia em janeiro deste ano. Apenas 2 mes
es antes da crise deflagar. Ou seja: Em janeiro, o sistema de avaliação da situação futura de abastecimento de energia , ainda não tinha se apercebido da crise. O valor para janeiro, de R$ 56/MWh, é muito baixo, quase o preço de geração das geradoras estatais.Preço de país com energia sobrando! Na teoria dos neo-liberais, esse preço deveria ser o indicador que induziria os investimentos. Com uma metodologia míope como essa, adeus investimentos.
Agora olhem a situação dos reservatórios do sudeste mostrada no gráfico 2 desde 97. Janeiro de 2001 está marcado com uma seta vermelha. Sem nenhum modelo, apenas olhando a evolução das reservas, que valor você daria para o preço em janeiro?
Você não acha que seria muito temerário colocar um preço muito baixo ? Se o preço deve indicar a escassez futura, dando um sinal para os investidores, ele não deveria ser bem maior?
Essa situação revela a miopia do modelo e a temeridade de se implantar um sistema que gera dívidas entre as empresas e que nem testado foi. A lógica não resiste nem ao mais simplório exame visual dos gráficos feito por um leigo.
Esse é apenas um dos vários problemas de se implantar um sistema de mercado em um parque hidráulico interligado com afluencias tropicais como o brasileiro. Como o ILUMINA vem alertando há mais de 2 anos, não se trata apenas das suspeitas privatizações, e sim, do colonialismo tecnológico que tomou conta da elite brasileira, adotando modelos feitos para outras realidades e totalmente incovenientes para o caso brasileiro.
Estado de São Paulo 1/5
Risco de racionamento puxa preço do megawattEnergia elétrica sobe 82,37% em maio no atacado e bate recorde histórico
ROBERTO CORDEIRO
BRASÍLIA – O baixo nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas e a possibilidade do racionamento nas Regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do País foram os principais fatores para o aumento em 82,37% do preço do Megawatt/hora (MW/h) de eletricidade no Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE). Este reajuste refere-se à projeção da tarifa de maio em comparação à eletricidade do mês passado e compreende apenas 15% de energia negociada fora dos contratos de longo prazo entre as geradoras e as distribuidoras. Os dados foram publicados ontem no site www.mae.com.br e representam a expectativa do mercado de energia para os próximos 30 dias. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou que este preço para maio é recorde histórico no comércio de energia no atacado.
Na próxima quinta-feira, dia 3, em Brasília, o diretor-geral da Aneel, José Mário Abdo, vai apresentar os resultados das cotas de consumo de energia elétrica. Com base nestes estudos será decidida a parcela que cada consumidor vai ter que reduzir nos setores industrial, comercial e serviços, residencial e rural.
Tarifas – A energia comercializada no âmbito do MAE representa o suprimento fora daquilo que foi contratado pelas distribuidoras a longo prazo. Ou seja, é a eletricidade que a concessionária adquire quando não tem mais o produto contratado para repassar ao consumidor. Isso ocorre, por exemplo, quando as projeções de venda da energia indicam uma necessidade maior de consumo. Esta eletricidade é mais cara porque se dá num comércio de livre negociação de preço e quantidade do produto a ser adquirida.
O boletim do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) disponível no site www.ons.org.br da semana passada indicou que as barragens das hidrelétricas estavam com 32,7% da capacidade tomada pela água. Isso é 16,3 pontos porcentuais abaixo da meta fixada (49%) para os reservatórios no final deste mês, quando acabou o período das chuvas.
Este cenário fortalece as chances de uma racionamento global de 20% de energia no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. A Aneel vai decidir o porcentual, na próxima quinta-feira, durante reunião com as concessionárias.
De acordo com algumas projeções o corte deve variar entre 15% e 20%. Mas como a proporção de recuperação do reservatório equivale ao corte do consumo, pode-se considerar praticamente descartada a redução do consumo no nível de 15%.
Os estudos indicam também para a necessidade de implantar o plano de racionamento o mais rápido possível pois a cada mês de atraso aumenta-se a chance de uma redução no consumo ainda maior. Caberá ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidir pela proposta de diminuição do consumo.
Os integrantes do CNPE reúnem-se no dia 8 de maio, em Brasília, e o plano de racionamento começa no dia 1º de junho.