Péssimo negócio e, além de tudo, ilegal! Como já tinhamos anunciado, o caso da energia emergencial. além de ilegal, é um péssimo negócio. Trata-se de uma decisão que apenas …

Péssimo negócio e, além de tudo, ilegal!


Como já tinhamos anunciado, o caso da energia emergencial. além de ilegal, é um péssimo negócio. Trata-se de uma decisão que apenas acrescenta custos ao já ineficiente sistema de mercado implantado pelo governo. Se chover muito, passaremos pela vergonhosa situação de pagar pelo aluguel das máquinas sem precisar da energia . Nesse caso, será a primeira vez que um governo contrata energia a uma tarifa infinita. Se esses 2.156 MW funcionassem 100% do tempo (hipótese inviável) geraria, no máximo, 18.000 GWh. Esse valor é metade do que foi economizado pela população, de graça, e pelo qual ela ainda terá que pagar R$ 7,6 bi às distribuidoras!!! Só mesmo no Brasil!!!!



Estudo feito por professor Ildo Sauer, da USP, diz que, se governo construísse usinas, país gastaria R$ 2,5 bi



Energia emergencial pode custar até R$ 16 bilhões (Folha de S. Paulo 19/03)

FÁTIMA FERNANDES

DA REPORTAGEM LOCAL

ALEXA SALOMÃO

DA REDAÇÃO




O consumidor vai pagar caro para colocar em ação o Programa de Energia Emergencial. A contratação de 58 usinas móveis, sustentadas pelo seguro-apagão, pode custar aos cofres públicos até R$ 16 bilhões.


Essa quantia será desembolsada caso todas elas entrem em operação para utilizar toda a potência instalada, de 2.156,5 MW, num período de 3,5 anos. Se o governo construísse essas usinas, gastaria cerca de R$ 2,5 bilhões, fora combustível e custos de manutenção. É o que constata estudo feito pelo Programa Interunidades de Pós-Graduação em Energia da USP.


Pelo levantamento, dos R$ 16 bilhões, cerca de R$ 8 bilhões serão gastos com o aluguel dos equipamentos; R$ 6,8 bilhões com combustíveis e R$ 1,2 bilhões com manutenção das máquinas. "É um escândalo pagar tudo isso para contratar essas usinas", diz Ildo Sauer, professor de Pós-Graduação em Energia da USP.


Segundo ele, o estudo também verificou que os contratos feitos entre a CBEE (Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial) e os empresários são confidenciais. Nos contratos, diz, existe uma cláusula padrão que solicita o sigilo. Sauer teve acesso ao contrato da Termocabo.


Essa usina está localizada em Cabo de Santo Agostinho, a 30 quilômetros de Recife (PE). Seu aluguel foi fixado em R$ 139,6 mil por MW ao mês. "Se ela ficar parada durante três anos e meio receberá R$ 281 milhões", diz o professor Dorival Gonçalves Júnior, que participou da elaboração do levantamento. Para construir e equipar uma térmica igual a essa, diz, o governo gastaria, no máximo, R$ 80 milhões.


A Termocabo ainda não tem sede. Funciona provisoriamente nos escritórios de seus sócios, os empresários Dionon Cantarelly, da Cerâmica Montercalo, em Cabo de Santo Agostinho, e Sérgio Zuanella, da construtora OZ&M, em Recife. As obras estão em andamento e a usina deve operar a partir de julho. O investimento, informa Zuanella, está avaliado em US$ 35 milhões.

Segundo ele, a idéia de entrar no setor de energia veio como uma "intuição" há um ano, pouco antes do racionamento. Ele o sócio pensaram no gás, mas viram uma oportunidade boa com o combustível quando surgiu o programa emergencial.


Quem entra com o capital é o Scudder, um fundo de investimentos norte-americano. Falta agora definir a participação societária e a divisão dos lucros. "Estamos acertando isso agora", diz.


Governo


O presidente interino da CBEE, Mário Dias Miranda, diz que o governo tinha duas opções na época do racionamento: contratar produtor independente -o que foi feito-, ou virar dono de usina emergencial. "Preferimos a primeira opção, pois só precisaríamos dessa energia por um prazo limitado. É claro que é uma energia cara. Só que o governo não teria tempo para construí-las no curto prazo."

Miranda afirma que os contratos não são confidenciais. "Estão a disposição para quiser ver", declara. Segundo ele, o preço da energia contratada foi até vantajoso. No mercado internacional, o MW/h custa R$ 350. O governo pagou uma média de R$ 289.


Falta de térmicas e El Niño podem agravar situação (Folha de S. Paulo 19/03)

LÁSZLÓ VARGA

DA REPORTAGEM LOCAL

O racionamento de energia elétrica pode voltar a ser um problema para o Brasil já em 2003. O atraso na construção de termelétricas e a ocorrência do fenômeno El Niño, previsto para ter início em junho deste ano, são fatores que estão preocupando especialistas do setor.


"Precisamos garantir a construção de novas linhas de transmissão de energia da região Sul para o Sudeste até o início de 2003, a fim de evitar problemas", disse ontem Mário Santos, diretor-presidente do Operador Nacional do Sistema (ONS).


O El Niño é o aumento de temperatura nas águas do oceano Pacífico, na altura do Peru, e tem efeito mundial. No Brasil, costuma causar muitas chuvas no Sul, longas secas no Nordeste e secas intercaladas no Sudeste. O Instituto Nacional de Meteorologia prevê sua ocorrência até meados de 2003.


Representantes do ONS disseram à Folha ser importantes as construções de duas linhas de transmissão de 2.000 megawatts entre o Sul e o Sudeste para evitar a falta de energia no Sudeste. Uma ainda não foi licitada. O governo teria também de garantir a construção de 26 termelétricas previstas. Até agora, uma foi inaugurada.

Abertura parcial do mercado energético na França não convence empresas (Globo 19/03)

PARIS. A indústria européia de energia manifestou ontem sua desconfiança de que o titã francês do setor elétrico, Eletricité de France (EDF), venha a usar seu monopólio no mercado residencial para tirar vantagem quando os mercados forem totalmente desregulados. Pressionada pelos demais membros da União Européia (UE), a França assumiu compromisso, na reunião de cúpula em Barcelona, na semana passada, de abrir seu mercado energético a partir de 2004. No entanto, temendo aumento de preços e a reação dos sindicatos às vésperas das eleições presidenciais de abril, conseguiu adiar a concorrência do setor na distribuição de energia às residências (que representa um terço da demanda).


Setor elétrico une Chirac e Jospin contra a UE


Segundo a EDF, o acordo a que a França chegou com a UE representa um passo "significativo" rumo a uma liberalização que vai beneficiar os consumidores. No entanto, a medida ficou aquém do sonho das firmas de energia elétrica privadas do resto da Europa, que esperavam a abertura total do mercado francês.


– Existe o risco de subsídio cruzado. As empresas podem usar os ganhos dos mercados fechados para atacar os mercados liberados – disse Brian Samuel, da TXU Europe.


O acordo aconteceu depois que o presidente francês, Jacques Chirac, e o primeiro-ministro socialista, Lionel Jospin, deixaram de lado as rivalidades eleitorais para bloquear a intenção da União Européia de estabelecer uma data para a abertura total do mercado energético em seu país.


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