Apesar da notícia ter de 3 meses, vale a pena dar um destaque para o exemplo concreto da perda de estratégia do setor elétrico com a privatização sem juízo! Observem o que diz o Diretor da CEMIG quanto ao destino da energia que sua companhia vende ao sistema interligado. É um primor de falta de compromisso com a gestão integrada do setor. Com certeza é a notícia do ano!
GAZETA MERCANTIL 7/4/98
CEMIG incentiva o consumo de eletricidade
A Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) planeja lançar ainda nesse semestre uma campanha para aumentar o consumo de energia elétrica no estado. O fato é inédito já que boa parte das concessionárias está bastante preocupada em ter energia o suficiente para atender seus usuários, como por exemplo a Light, a Cerj (do Rio de Janeiro) e a ESCELSA do Espírito Santo.
A campanha, segundo o diretor assistente de finanças da Cemig, Luiz Fernando Rolla, visa principalmente os setores que consomem pouca energia em suas atividades principais como padarias e siderurgia. "A padaria pode substituir a lenha que alimenta seu forno por eletricidade, assim como a fabrica de cerâmica e outras mais ", disse.
Além disso, a CEMIG também está em negociação com fabricantes de aparelhos de ar condicionado para discutir uma linha de crédito para financiar o consumidor na compra de aparelhos . A formulação da campanha está em fase final de elaboração e conta com o apoio dos novos sócios estratégicos da empresa, a AES e o Banco Opportunity.
A idéia de aumentar o consumo de energia elétrica dentro de MInas Gerais partiu da diretoria financeira da empresa com base em cálculos. A tarifa média da Cemig, ou seja, para os consumidores mineiros, é de R$60/MWh Já a energia que a concessionária coloca no sistema interligado custa em média R$32/MWh, ou seja, quase a metade do valor conseguido com a venda dentro do estado.
No ano passado a Cemig vendeu 7.100 GWh. Se essa energia tivesse sido vendida dentro do estado a concessionária conseguiria praticamente o dobro dos recursos que teve com a venda ao sistema Sul/Sudeste/CentroOeste.
No total, a energia produzida pela Cemig somou 26.465 GWh, além de outros 19.768 GWh que a empresa é obrigada a comprar de Itaipu. Tirando as perdas, que somam 3.836 GWh,a Cemig vendeu 42.397GWh entre consumidores finais, consumidoresintensivos e sistema interligado.
A expectativa para este ano é que a sobra da Cemig que em 1997 foi de 7100 GWh,aumente este ano. A empresa vai adiciona em 1998, 302 MW ao seu parque gerador sendo 260 MW da usina de Miranda. além dos primeiros 42 MW da hidrelétrica de Igarapava.
Este mês, fica pronta a segunda turbina de Miranda com capacidade de 130MW. A construção dessa hidrelétrica custou à Cemig US$800 milhões.