Editoriais- 27/09/2001 Crise energética. Lembra? A sorte brindou o governo com chuvas bastante razoáveis nos últimos 2 meses. Com isso, com a economia proporcionada pelos consumidores e a inevitável retra&cce …

Editoriais- 27/09/2001

Crise energética. Lembra?

A sorte brindou o governo com chuvas bastante razoáveis nos últimos 2 meses. Com isso, com a economia proporcionada pelos consumidores e a inevitável retração economica provocada pelo terrorismo em NY, aumentou a probabilidade de passarmos o período seco sem apagões. Não tivessemos esses acontecimentos e estariamos no escuro!


Nós do ILUMINA, que tinhamos alertado sobre a gravidade da situação, estaríamos exagerando? Já recebemos mensagens raivosas nos acusando de "torcer pelo pior" apenas para provarmos o nosso ponto de vista.


Também somos consumidores de energia elétrica, e, como tal, torcemos para que haja água suficiente não só para produzir a energia, como também para o abastecimento das cidades. Entretanto, seria lamentável se a população se esquecesse e perdoasse a absurda situação provocada pelo governo FHC.


A crise não termina com o fato de não ter tido apagão! A crise deve ser entendida como o caos que se tornou o ambiente entre empresas do setor. A crise deve ser entendida como uma crise de responsabilidade e perda de confiança nos dirigentes do país. A crise deve ser entendida como o total desprezo pelos interesses do consumidor por parte das autoridades que comandam esse governo absurdo. A crise deve ser entendida como a total inversão da lógica, cobrando mais caro por uma energia de pior qualidade!


Fazendo uma analogia: Você entraria em um avião com 30% de probabilidade de cair? Talvez, se você não soubesse desse risco. Entretanto, de repente, o aviso é dado no meio do vôo! O comandante exige que os passageiros joguem fora suas bagagens para aliviar o peso e mesmo assim não garante nada! Como você se sentiria? Certamente aliviado após o pouso, mas também revoltado com a irresponsabilidade de quem lhe colocou naquele vôo, sabendo do risco e não lhe avisou antes. E mais! O preço da passagem presupunha cobrir custos de manutenção e treinamento da tripulação que garantiriam um risco mínimo de acidentes. Se era para correr riscos, o preço da passagem deveria ser menor! E a bagagem perdida? Fica tudo por isso mesmo?


Apesar de um certo exagero na comparação, pois o risco de vida é incomparávelmente menor em um racionamento, a perda de confiança deveria ser a mesma. Afinal, as autoridades energéticas são os comandantes do avião e deveriam pilotá-lo com responsabilidade. Não o fizeram! E o pior! Insistem na mesma rota que quase nos jogou ao solo!


É muito difícil dizwr o que acontecerá. Mesmo com toda essa "colher de chá " que a metereologia está nos proporcionando, não se pode garantir que estamos livres do pior. É bom continuar torcendo pela chuva! Quanto ao resto, é bom abrir o olho, pois a energia elétrica no Brasil será uma das mais caras do mundo!


"Como Eram Simples os Meus Electrons

Disse o sr. Pedro Parente que o sistema elétrico brasileiro é um dos mais complexos que existem. Por todas as manifestações do ministro nos últimos tempos, só poderíamos analisar tal declaração e diagnosticá-la como sintoma de pasmice contraditória, para dizer o mínimo. Ora bem ! De um lado os de boa fé interpretariam a fala do ministro como sintoma de alto conhecimento técnico. De fato um sistema como o brasileiro, de usinas hidrelétricas de grande capacidade e enormes reservatórios, linhas de transmissão muito longas de alta e extra alta tensão interligando-as entre si e aos centros de consumo, exigiram conhecimentos profundos e formação continua de recursos humanos técnicos e gerenciais ao longo de quatro décadas. Os profissionais de engenharia brasileiros ganharam notoriedade internacional planejando, estudando, projetando, especificando, construindo e operando tal sistema. Essa é a parte real e positiva da história que certamente os conhecimentos do ministro apenas tangenciam.


Mas, por outro lado, também podemos afirmar que, da maneira como o sistema cresceu e atendeu as necessidades crescentes de energia elétrica nos últimos 40 anos, ele , olhado pelo lado do consumidor -cidadão- leigo, tornou-se uma das coisas mais simples do país.


O consumidor-cidadão-leigo não precisaria – e não desejaria – conhecer as profundezas da teoria eletromagnética, nem os sofisticados modêlos matemáticos usados pelos especialistas, para buscar os caminhos do controle político e gestionário das empresa elétricas de serviço público pela sociedade. Essa busca não começou. Foi impedida nas quatro décadas pelo autoritarimo-fisiológico dos governos da ditadura militar e, mantendo incólumes sutilmente tais características, os que se seguiram.


Contudo, reiteramos, planejou-se, estudou-se, projetou-se, especificou-se, construiu-se e operou-se um sistema que, com simplicidade, tudo teve a ver com o regime e as diversidades pluviométricas e hídrológicas entre as regiões do Pindorama tropical e as grandes distâncias entre as usinas e os centros de consumo.


Em outras palavras, como era simples gerar, transmitir, distribuir e consumir energia elétrica até que desabou sobre o país, para complicar tudo, a avalanche neoliberal temperada ao paroxismo pela servidão voluntária e predatória dos dirigentes encarregados de aplicá-la."






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