Para ler a reportagem do New York Times . É um primor de parcialidade! Pelo visto não é só a nossa imprensa que está corrompida.
Itamar fica indignado com ataques do New York Times
Rio, 14 – Num desabafo sobre as dificuldades da vida pública, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), respondeu, nesta quarta-feira, às críticas que recebeu em artigo publicado no New York Times, no qual, entre outros adjetivos, é chamado de "irresponsável" e "burlesco" , sendo lembrado também pelas iniciativas envolvendo os sócios estrangeiros da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e pelas manobras militares na região de Furnas Centrais Elétricas. Itamar reclamou não só do que considerou ataques pessoais como também da desconfiança retratada no artigo em relação à Justiça mineira. "Um homem público deve ser combatido de pé, não deve ser combatido na sua privacidade", afirmou, irritado, Itamar Franco. O artigo do New York Times foi publicado na edição de Sábado passado, assinado pelo correspondente em São Paulo, Larry Rohter. O jornal norte-americano destaca fato de o governador ser alvo de chargistas e cartunistas por ostentar um topete e diz que habitualmente ele é motivo de piadas por ter um temperamento irascível. Afirma ainda que o governador tem tendência a relacionamentos românticos com mulheres que têm metade da sua idade.
O governador, que disse ter lido o artigo de Rother apenas nessa terça-feira, ressaltou que a publicação está "cheia de falsidades" ao descrever sua personalidade e vida privada. Antes de comentar as crítica do New York Times, Itamar Franco lembrou o que disse a um amigo, há pouco tempo, quando este lhe contou que seu filho queria entrar para a política. "Espere para ele uma vida de muito sofrimento", recordou o governador, alegando que a vida pública impõe a "quebra da privacidade" e o silêncio quando se "ouve muitas coisas que se quer responder conforme seu próprio juízo e consciência". No New York Times, o governador mineiro é responsabilizado pela crise do Real, em janeiro passado, devido à decretação da moratória do estado, e é também acusado de sabotar o programa de privatizações do governo federal do setor elétrico. O artigo relata as iniciativas de Itamar contra os sócios norte-americanos da Cemig (Southern Electric e AES Corporation) e a decisão de realizar manobras militares na área de Furnas. Ele disse estar indignado contra a menção que o artigo no jornal estrangeiro faz à Justiça mineira.
A publicação afirma que o governador foi apoiado por um tribunal simpático a ele no caso da Cemig. Itamar Franco se indignou com a acusação: "Fiquei pasmo não aos ataques pessoais ao governador, que já está acostumado a receber críticas de quem quer que seja. Mas fiquei pasmo que este indivíduo (Rohter) tivesse a coragem de atacar a magistratura mineira". O governador lembrou o respeito que, segundo ele, os norte-americanos têm com a Justiça. "Lá estive durante dois anos e pude sentir de perto o que se passou com o próprio presidente da República. As leis lá são respeitadas pelo cidadão mais comum e pelas autoridades", destacou o governador, numa referência ao período em que foi embaixador do Brasil junto à Organizações das Nações Unidas (ONU). Itamar Franco rebateu o jornal nova iorquino durante a instalação do Conselho Estadual da Juventude, no Palácio da Liberdade, quando lembrou o golpe militar de l964 e estimulou os jovens presentes a defender os seus ideais. "Nós recorremos ao Judiciário, não recorremos às armas, mesmo porque não as temos. Não recorremos ao desejo do governador de, às vezes, fechar a porta a essa gente (os sócios estrangeiros da estatal energética) e impedir que eles entrassem na Cemig. Fomos recorrer à magistratura", assinalou Itamar Franco.
Fonte: Diário do Grande ABC