Não é só no Brasil. Na Inglaterra a conta da implantação da “eficiente” mercantilização não saiu por menos de US$ 1 bi! O apagão da costa leste americanase iniciounas sobrecargas no sistema de transmissão, que não foi preparado para suportar suprimentos de fora do estado de Nova York. Agora a solução será reforçar a rede, que não sairá barato e cuja conta será assumida pelo consumidor.
Finalmente algum jornalista resolve fazer esse levantamento no Brasil.Há muito o ILUMINA vinha alertando para esse pequeno e caro detalhe. São os custos do desmonte do monopólio natural mais evidente da face da terra. E não geram um só kWh. Portanto, não venham com essa de “eficiência”!
E pensar que a Eletrobrás fazia tudo isso muito mais barato…
Alberto Komatsu e Claudio de Souza
Apenas três das organizações que integram o setor elétrico – Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e o Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE) – vão consumir R$ 404,1 milhões este ano. É mais do que a verba disponível para o Ministério do Desenvolvimento Econômico e Social neste ano (R$ 381,4 milhões) e também supera o orçamento da pasta das Comunicações (R$ 380 milhões).
A estrutura do setor cresceu no começo deste mês, com a criação de duas novas empresas, previstas pelo novo modelo do setor elétrico. A Empresa de Planejamento Energético (EPE) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). A primeira vai planejar as necessidades de expansão do setor e a segunda vai substituir o Mercado Atacadista de Energia (MAE) que funciona como uma bolsa de contratos de compra e venda de energia no curto prazo. Além de assumir as atribuições do MAE, a Câmara administrará também os contratos de fornecimento de energia de longo prazo entre distribuidoras e geradoras.
O tamanho da atual infra-estrutura do setor elétrico aumenta os custos burocráticos que, direta ou indiretamente, acabam indo parar na tarifa paga pelo consumidor. A avaliação é de Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE).
– Isso produz um crescimento dos custos burocráticos. Quem paga essa conta é o consumidor e o contribuinte – afirma Adriano Pires.
O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Maurício Tolmasquim, afirma que essa estrutura é necessária. Segundo ele, o que o novo modelo do setor elétrico fez foi definir melhor as funções de cada órgão ou empresa do setor.
– As funções da EPE e do ONS existiam no passado dentro da Eletrobrás. O que temos agora é uma separação para que suas funções fiquem mais claras – explica Maurício Tolmasquim.
Ivaldo Andrade Frota, presidente da Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial (CBEE), também rebateu a afirmação de Adriano Pires.
– Tem que perguntar para esse pessoal que experiência de trabalho eles têm no setor elétrico. Gostaria que estivessem no meu lugar – alfineta Frota.
A receita da CBEE, por exemplo, foi de R$ 2,2 bilhões, no ano passado. A empresa administra a contratação das usinas termelétricas emergenciais, alugadas após o racionamento para garantir o fornecimento de energia em caso de escassez de água nos reservatórios das hidrelétricas. Os contratos de aluguel deverão acabar em 2006, quando a CBEE também será extinta. A verba da CBEE veio da cobrança do seguro-apagão..