O DESAFIO (DA BOLÍVIA) É A NOSSA ENERGIA?
A antecipação para 2.009 da produção de gás natural pelo Brasil (24 milhões de m3/dia) nas áreas de produção do litoral do Espírito Santo, bacia de Campos e bacia de Santos, aproveitando a infra-estrutura de gasodutos e plataformas já existente ou em construção, corresponde a pouco menos do que o Brasil atualmente importa da Bolívia diariamente pelo gasoduto Brasil-Bolíva (gasbol), que monta a cerca de 27 milhões de m3/dia. Isto fará com que o Brasil deixe de depender da importação de gás natural da Bolívia para tocar as indústrias, comércio, residências, veículos e usinas termelétricas de geração de energia elétrica.
Outra ação que deve ser acelerada é quanto ao aproveitamento do potencial hidrelétrico brasileiro, principalmente localizado na região amazônica, e que corresponde a 2,5 vezes (duas vezes e meia) a potência instalada em usinas hidrelétricas atualmente (70.000 Megawatts).
A construção de hidrelétricas na Amazônia não pode repetir os erros do passado (décadas de 70-80), quando vastas áreas de floresta foram inundadas para produzir proporcionalmente pouca energia (caso da usina de Balbina, que supre a cidade de Manaus).
Agora existe disponível uma tecnologia de usinas de baixa queda d’água, e que praticamente não formam reservatório com a água represada (ou formam reservatórios muito pequenos). Isto significa um impacto muito reduzido nas áreas de floresta. Praticamente, o que se inunda com este tipo de barragem de baixa queda é a área já alagada normalmente pelo regime hidráulico dos rios na época de cheia dos rios da Amazônia.
Paralelamente, será necessário também ampliar para a região amazônica o sistema interligado de transmissão brasileiro, de modo a permitir o transporte da energia gerada pelas usinas a serem construídas naquela região para ser utilizada nas demais regiões do Brasil.
Além disso, a expansão do sistema interligado de transmissão para a Amazônia irá permitir a substituição da geração de eletricidade hoje feita queimando óleo diesel em sistemas elétricos isolados. Isto permitirá uma redução do consumo de derivados de petróleo, aumentando a capacidade de exportação da Petrobrás, contribuindo para o aumento do superávit da balança comercial.
Por fim, como uma outra conseqüência da extensão do sistema interligado de transmissão até a região amazônica, como todos os consumidores do país chamados ‘consumidores cativos’ (que são obrigados a aceitar o fornecimento de sua energia elétrica pela concessionária distribuidora local) pagam em suas contas de energia elétrica, sob a forma de rateio, o óleo diesel que é gasto como combustível para geração nestes sistemas isolados da Amazônia, a sua substituição (deste óleo diesel) por hidreletricidade, proveniente do sistema interligado de transmissão, irá significar um encargo a menos cobrado nas nossas “contas de luz”, tornando-as menos onerosas para todos os consumidores cativos.
Enfim, será que foi preciso que um índio boliviano nos tirasse do imobilismo, fazendo com que nos mexêssemos para providenciar o que deveríamos estar fazendo já há bastante tempo para conquistar a nossa (verdadeiramente) auto-suficiência energética? Se é este o caso, então a resposta à pergunta do título é, sim!, o desafio (da Bolívia) é a nossa energia…
ILUMINA