Petrobras terá bases no Rio e Ceará para importar GNL
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Ele calcula que os investimentos somente em infra-estrutura para receber o gás serão de US$ 180 milhões nos dois terminais. Isso não inclui o aluguel dos navios e nem o preço do GNL importado. O objetivo, segundo Sauer, é dar mais flexibilidade e confiabilidade de suprimento para o mercado brasileiro de gás. Isso significa que as importações serão eventuais e preventivas, de modo a aumentar a oferta interna de gás e atender ao mercado termoelétrico “com folga e redundância”, prevendo a possibilidade de todas as térmicas despacharem ao mesmo tempo.
“Ele também vai servir para otimizar o suprimento das necessidades da própria Petrobras, das refinarias e das distribuidoras“, disse Sauer.
O GNL é resultado de um processo criogênico através do qual o gás natural tem sua temperatura reduzida para 162º Celsius (C) negativos, o que mantido em pressão atmosférica transforma o gás em líquido, tendo seu volume reduzido 600 vezes. Dessa forma, o gás pode ser transportado por navios em grandes quantidades. Quando o GNL chega ao ponto de consumo, precisa ser novamente transformado em gás natural.
No primeiro momento, o armazenamento e regaseificação do GNL no Brasil serão feitos pelos navios, mas Sauer não descartou a possibilidade de construir, mais adiante, terminais terrestres para armazenagem. A companhia também mantém estudos para construção de outro terminal no Rio Grande do Sul. Inicialmente, a maior instalação, com capacidade de receber 14 milhões de metros cúbicos de GNL que será regaseificado, ficará na Baía de Guanabara. A outra ficará no porto de Pecém, próximo a Fortaleza, com capacidade para 6 milhões de metros cúbicos.
A Petrobras estima que os investimentos em infra-estrutura no terminal da Baía de Guanabara serão de até US$ 140 milhões, o que inclui um sistema de ancoragem com bóias de dois navios (um que ficará ancorado permanentemente e de outro que trará o gás importado), e de um duto submarino interligando o terminal até a Refinaria Duque de Caxias (Reduc).
Em Pecém, onde será construído um píer específico para o GNL, estão programados investimentos de US$ 40 milhões. Sauer evitou dar detalhes sobre o andamento das negociações para suprimento do GNL. Segundo ele, a Petrobras está conversando com os maiores produtores do mundo, citando especificamente a
Sauer adiantou apenas a tarifa de regaseificação é estimada em US$ 0,80 por milhão de BTU (medida inglesa que mede o poder calorífero do gás). A esse valor deverá ser acrescido o preço do GNL. No mercado americano – maior consumidor de GNL do mundo – o gás liqüefeito está custando no mínimo US$ 7 mas o valor pode chegar a US$ 11 em situações de emergência como ocorreu depois da passagem do furacão Katrina. A estimativa de Sauer é de que o produto seja importado pela Petrobras por US$ 6,20 a US$ 7 por milhão de BTU, em média.
“Esse custo é menor do que a Petrobras pagaria se tivesse que fornecer diesel para termelétricas, com custo de US$ 13 a US$ 14“, ponderou o diretor, explicando que a Petrobras vai evitar importar GNL no período de maior consumo nos Estados Unidos.
Outra decisão da Petrobras é ampliar o trecho sul do Gasoduto Bolívia Brasil, já que a estatal não espera mais o suprimento de gás da Argentina, que seria supridora natural daquele mercado através do gasoduto da Transportadora Sul Brasileira (TSB).
C.Schüffner, Valor