Precaução em demasia
A decisão do CMSE, reproduzida abaixo, parece com a do projetista que não tendo certeza de seus cálculos estruturais, resolve acrescentar um “coeficiente de ignorância”.
Consta que o diretor-geral da ANEEL expressou sua preocupação com o impacto da operação das térmicas nas contas de luz dos consumidores, mas o Sr. Ministro das Minas minimizou declarando que “o aumento será quase imperceptível”. Diríamos que para ele o aumento será totalmente imperceptível.
Salta aos olhos de todos que têm alguma sensibilidade para o social que, pelo menos as fontes geradoras mais caras e poluentes, deveriam ser desligadas imediatamente. Quanto às outras térmicas,se poderia fazer um planejamento de desligamento progressivo.
Comitê decide manter termelétricas a óleo ligadas por mais 15 dias
Daniel Rittner, Valor As principais autoridades do setor elétrico decidiram ontem manter ligadas as usinas térmicas a óleo diesel, mais caras e poluentes, pelo menos durante os próximos 15 dias. A medida foi tomada “por precaução”, a fim de buscar tranqüilidade na operação do sistema ao longo de 2009, conforme explicou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. |
| A decisão, porém, foi unânime. O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, defendeu que fossem desligadas ao menos as termelétricas do Sudeste movidas a óleo. Na reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), Kelman demonstrou preocupação com o impacto do custo de operação das térmicas nas contas de luz dos consumidores, mas foi voto vencido. Segundo as autoridades, o custo de acionamento das usinas movidas a óleo em todo o país é de R$ 400 milhões ao mês. |
| Lobão tratou de minimizar o impacto tarifário. “Quando tiver que haver o reajuste das tarifas, será quase imperceptível, de tão baixo que ele seria”, afirmou. O diretor-geral da Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, reforçou o discurso. “O valor, diluído na conta de todos os consumidores, termina sendo muito pequeno.” |
| Atualmente, as usinas térmicas têm gerado diariamente pouco mais de 5.000 megawatts (MW) médios. Desde janeiro vêm sendo acionadas quase todas as termelétricas a gás natural, além da maioria das usinas a óleo, no Nordeste e no Sudeste. Térmicas a carvão, na região Sul, também têm sido usadas. A medida, pouco comum em pleno período de chuvas, foi adotada devido à queda no nível dos reservatórios, que levantou o fantasma de um novo racionamento no início do ano. |
| Com chuvas fortes e a entrada em funcionamento do gasoduto Cabiúnas (RJ) – Vitória (ES), além do redirecionamento do gás utilizado pela Petrobras para consumo próprio às térmicas, o problema foi totalmente superado, na avaliação do ministro. “Não estamos preocupados com 2008”, enfatizou Lobão. “A nossa preocupação é mantermos a situação de segurança que temos hoje para 2009, 2010 e assim por diante.” |
| Na próxima reunião do CMSE, daqui a cerca de 15 dias, o governo vai avaliar novamente a possibilidade de desligar as usinas a óleo, principalmente aquelas da região Sudeste – há outras no Nordeste. “Devemos desligar todas as térmicas a gás e a óleo, de uma vez ou gradualmente cada tipo de usina”, completou Lobão. |
| Os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste continuam se recuperando rapidamente e já estão com 77,4% de sua capacidade máxima de armazenamento, com folga de 11 pontos percentuais em relação à “curva de aversão ao risco” – o nível mínimo para a operação do sistema com plena segurança. No Norte e no Nordeste, o nível está em 80,9% e 62,5%, respectivamente. A situação é menos confortável no Sul, onde os reservatórios estão com 43,4% da capacidade total e tem chovido apenas 64% da média histórica em março. “Temos uma situação que ainda não é confortável no Sul e no Nordeste”, admitiu Lobão. “Vamos dar mais um tempo (com as térmicas acionadas), na esperança de que tenhamos maior conforto”, concluiu o ministro, indicando a tendência de desligar as usinas na próxima reunião do CMSE. |