Comentário do ILUMINA no (*)
Estatal questionada pela Bovespa (O Globo 22-11)
A Eletrobras divulgou comunicado ao mercado nesta quinta-feira, em resposta a uma cobrança da gerência de acompanhamento de emissores da Bovespa. A Bovespa lembrou que o formulário de referência, um documento arquivado na Comissão de Valores Mobiliários, precisa ser atualizado em até sete dias após a divulgação de novas projeções. Isso foi destacado porque o diretor de relações com investidores da Eletrobras, Armando Araújo, indicou em teleconferência com analistas na última segunda-feira que a companhia deve ficar com geração de caixa próxima a zero em 2013. Inquirida pela Bovespa se houve mudança nas projeções oficiais, a estatal respondeu apenas que ainda “não é possível estabelecer com segurança qual será o novo nível da Receita Operacional e do Ebitda do próximo ano, entretanto, conforme informado na Teleconferência dos resultados do 3T12, esses valores serão substancialmente reduzidos”.
— Não quiseram se comprometer com um número mais formal perante o regulador. Mas dificilmente vem melhor que zero o Ebitda (Lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização; indicador que mede a geração de caixa vem melhor que zero) — avalia Marcello Ganem, da Oceana Investimentos.
A estatal passou a sofrer fortes perdas no valor de mercado na Bolsa brasileira desde que o governo lançou a Medida Provisória nº 579 com as condições de renovação de concessões de usinas que venceriam até 2017. Os tombos ficaram mais fortes desde a semana passada depois que o conselho de administração da companhia aprovou a adesão ao plano do governo, que terá somente de ser confirmada em assembleia no começo de dezembro. Também contribuiu para a perda das ações a confirmação de que a Eletrobras poderá ficar sem pagar dividendos em 2013, o principal atrativo de papéis do setor elétrico. Foi detalhado na semana passada que o conglomerado terá perdas superiores a R$ 8 bilhões por ano em receitas com a venda e a transmissão de energia por preços menores do que os atuais. Também foi explicado em documento oficial que as empresas terão perda de R$ 18 bilhões, ao aceitar indenização bem menor do que contabilizavam pelos investimentos ainda não amortizados.
Governo não vai deixar Eletrobras ‘perecer’, diz autoridade
O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, disse nesta quinta-feira que o governo não deixará a Eletrobras “perecer” (*), ao se referir à queda repentina das ações da companhia. Segundo ele, ainda não cabe neste momento antecipar nenhuma medida de auxílio que poderá ser feita pelo governo em favor da companhia.
— Não vale a pena antecipar nada. Primeiro, ela vai ter que fazer as contas para adaptar os custos — afirmou Tolmasquim ao responder sobre a possibilidade de ocorrer eventual capitalização da Eletrobras via Tesouro Nacional.
O executivo acredita que a Eletrobras vai “retomar” a valorização dos papéis.
— Em relação à bolsa, tem horas que [a ação] desce e tem horas que sobe. Faz parte do processo — disse Tolmasquim.
Para Tolmasquim, o resultado positivo virá a partir do momento que a estatal implementar ações de “eficientização” e redução de custo de operação.
(*) Claro que não vai deixar “perecer”. Vai manter “respirando com a ajuda de aparelhos” para poder tirar o sangue que resta.