Firjan alerta para risco de falta de energia

 



Comentário do ILUMINA: A questão que deveria preocupar qualquer consumidor é que a tarifa que se paga não cobre apenas o kWh consumido. Cobre também um risco reduzido de racionamento. Se o risco é real e concreto, o setor não está entregando o que promete. Ainda mais com os níveis tarifários recordes vigentes.



 Por Rodrigo Polito | Do Rio

 

A preocupação do setor elétrico com relação ao cenário crítico dos reservatórios hidrelétricos veio à tona com o posicionamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que considera que há um risco real e concreto de desabastecimento de energia e gás natural no país.

 

“Estamos vendo a possibilidade de já estarmos em uma antessala de um período de crise energética. Não temos como liberar mais energia hidrelétrica, porque os níveis dos reservatórios estão caindo e não temos como gerar mais energia térmica”, disse o gerente de competitividade industrial e investimentos do Sistema Firjan, Cristiano Prado. “Na nossa avaliação, o risco [de desabastecimento] é real e concreto.”

 

Conforme adiantado ontem pelo serviço de tempo real do Valor, o ValorPRO, a Firjan enviou um comunicado aos seus mais de 10 mil associados alertando para o agravamento das condições de oferta de energia elétrica e gás natural. “A possibilidade de ocorrência de eventos de desabastecimento temporário de energia para o fim do ano e início de 2013 aumentou substancialmente, alcançando níveis preocupantes”, disse a entidade no documento.

 

A preocupação da Firjan se deve ao fato de os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste, que respondem por 70% da capacidade de armazenamento do país, estarem com nível de estoque de 29%. Para agravar o quadro, todas as termelétricas estão em operação e, caso continuem acionadas ao longo de 2013, podem levar o governo a deslocar oferta de gás da indústria para essas usinas.

 

O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, classificou como “inadequada” e “irresponsável” a posição da Firjan. “As chuvas estão nas cabeceiras [dos rios] permanentemente. Não se transformaram em afluência substancialmente, mas deram um sinal de aumento”, disse Chipp. “É uma irresponsabilidade falar em racionamento quando você tem uma hidrologia favorável, ao saber que no início do período úmido entra 65% de todo o volume acumulado ao longo do ano.”

 

O diretor-geral do ONS apresentou ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) e ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) uma projeção do nível de armazenamento dos reservatórios hidrelétricos nos próximos meses. A projeção “conservadora” considera, de janeiro a abril, um volume de chuvas no Sudeste equivalente à média histórica, um volume 80% da média no Nordeste e de 50% da média no Sul. Considerando ainda a transferência de 5 mil megawatts (MW) do Sudeste para o Sul e a operação contínua das termelétricas, será possível alcançar um nível de armazenamento de 67% no Sudeste e de 83% no Nordeste no fim do período chuvoso, em abril.

 

De acordo com o Informativo Preliminar Diário da Operação (IPDO), divulgado pelo ONS, os reservatórios do Sudeste registraram a quinta alta consecutiva, de 0,1%, mas ainda acumulam queda de 2% em dezembro.

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