Racionamento de luz acende sinal amarelo

 



Comentário: Como já alertamos antes, as semelhanças de 2013 com 2001 se ampliam. Ver Gráfico abaixo. O pior é que, se forem necessárias medidas sobre o consumo, tais como as de 2001, provavelmente, não poderemos contar com a redução de demanda verificada há 11 anos.

 

Tal como em 2001, haverá a tentativa de culpar a baixa hidrologia de 2013. O gráfico abaixo mostra que S. Pedro não tem sido cruel desde 2002. A energia natural (afluências) tem ultrapassado a carga do ano. É verdade que nem toda essa energia potencial pode ser turbinada, mas não se pode dizer que a situação tenha sido difícil nos últimos anos. Afinal, temos reservatórios!

 

O que parece ser evidente é que a política energética de despacho de térmicas não está compensando a tendência de perda de reserva mostrada no gráfico anterior. A tabela mostra que, apesar da tendência de redução de reserva, a responsabilidade das hidráulicas no atendimento da carga ultrapassou 90% em praticamente todos os anos.

 

ANO

GH/CARGA

2002

91%

2003

92%

2004

92%

2005

92%

2006

92%

2007

93%

2008

89%

2009

94%

2010

89%

2011

92%

2012

86%

 

Isso só pode ser explicado por um dos motivos abaixo:

 

1.      O custo marginal de operação, que justifica o despacho das térmicas não está “capturando” a perigosa diminuição da reserva. Parâmetro muito baixo.

2.      O parque térmico disponível não tem os custos necessários para um despacho preventivo da diminuição da reserva. Térmicas muito caras.

 

A capacidade instalada térmica é suficiente para suprir cerca de 20% da carga. Não foi utilizada para guardar água em 2011 (apenas 8%). Em 2012 apenas 13%. A pergunta que não quer calar é: A equivocada medida de redução tarifária a qualquer custo não teve influência na política de evitar geração térmica?



 

Pouco depois de descartar problema, Dilma chama reunião de emergência por causa de nível baixo dos reservatórios

Participantes tiveram que cancelar agendas; técnicos criticam governo e veem risco ‘acima do prudencial’

 

 ELIANE CANTANHÊDE – COLUNISTA DA FOLHA

Dez dias depois de dizer que é “ridículo” falar em racionamento de energia, a presidente Dilma Rousseff convocou reunião de emergência sobre os baixos níveis dos reservatórios, para depois de amanhã, em Brasília.

 

A reunião foi acertada entre Dilma, durante suas férias no Nordeste, e o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, que a presidirá. Balanço e propostas serão levadas diretamente à presidente.

 

Dirigentes de órgãos do setor tiveram de cancelar compromissos para comparecer.

 

Na avaliação do governo, os níveis dos reservatórios estão até 62% abaixo dos registrados no ano passado e a situação tem piorado por causa do intenso calor, sobretudo no Sudeste.

 

Com temperaturas que chegam a 40 graus em cidades como o Rio de Janeiro, o consumo de energia com ar condicionado, ventilador e refrigerador tem disparado.

 

Técnicos do setor acusam Dilma de estar centralizando as decisões e dizem que, se o racionamento não é uma certeza, também não pode ser simplesmente descartado. Um deles diz que o risco “está acima do prudencial”.

 

Mesmo antes da reunião, já vinham sendo tomadas medidas extras para garantir a produção de energia, como a reativação da usina de Uruguaiana, parada desde 2009, e o acionamento a plena capacidade das usinas térmicas, muito mais caras do que as hidrelétricas.

 

Há duas ironias, conforme análise dos órgãos do setor.

 

Uma é que a situação só não fugiu ao controle porque o crescimento econômico de 2012 foi pífio, na ordem de 1%. Se tivesse sido de 4,5%, como previra o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o consumo da indústria estaria bem maior e haveria risco imediato de faltar energia.

 

A segunda ironia é que a reunião governamental e o sinal amarelo pela falta de chuvas ocorrem justamente quando enchentes assolam o Rio de Janeiro, deixando milhares de desabrigados.

 

Além da preocupação pontual, com o momento presente, o governo teme que a situação se mantenha ao longo deste ano, pressionando todo o setor no último trimestre e no início de 2014.

 

Quanto à Copa, há certa tranquilidade, porque os estádios, preventivamente, estão sendo equipados com modernos e potentes geradores.

 

Oficialmente, estarão presentes ao encontro de quarta-feira os integrantes do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico), que é presidido pelo ministro das Minas e Energia e é convocado, por exemplo, quando há apagões de grandes proporções, como ocorreu mais de uma vez em 2012.

 

Participarão a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a ANP (agência de petróleo), a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).

 

O CMSE se reporta ao CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), órgão de assessoria direta da Presidência da República. É possível que também o conselho venha a ser convocado proximamente por Dilma para debater a questão.

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