Eletrobras: Programa de demissão voluntária depende de aval do Ministério do Planejamento

 



Comentário: Analisando a recente saga da Eletrobrás, há momentos em que fica difícil não imaginar um maquiavélico plano contra a empresa. Uma conspiração que “planeja” um definhamento ao longo de uma década. O cronograma é perfeito:

1 – Usa-se o fracasso do governo FHC no setor elétrico como peça indispensável de campanha.

2 – Para disfarçar, a direção da Eletrobrás é entregue a respeitadas pessoas de notório saber.

3 – Ao mesmo tempo, recheiam-se outros cargos com peças partidárias.

4 – Apesar de ter sido alvo de negociação com o governo anterior, é mantida a descontratação das estatais, mesmo sob queda de 15% na demanda e preços mais baixos. Prejuízos!

5 – A utilização partidária da direção da empresa “perde a vergonha” e o notório saber é substituído pelo notório poder.

6 – Cargos de confiança se expandem nas empresas.

7 – Salários são elevados, fazendo “valer a pena” se enquadrar à política vigente.

8 – Parcerias obscuras são impostas para viabilizar projetos “estruturantes”.

9 – O 11 de setembro do setor faz uma demonstração para uma poderosa parte da indústria de que o governo ainda não esgotou seu pacote de maldades.

10 – Queda de receita de 70%, recorde absoluto no planeta e no tempo.

11 – Reduções tarifárias insuficientes, destruidoras de valor e puramente contábeis.

12 – Relação dívida sobre receita ou sobre o patrimônio transforma a empresa numa “pedinte” ao tesouro.

13 – Programas de inserção nas áreas das usinas, classificados como os que “não correspondem à atividade fim”, enterram de vez qualquer traço de empresa pública. Como todas as outras, o negócio é gerar kWh. De preferência valendo uma “cocada sem a mariola”!

13 – Plano de demissão “voluntária”, sabendo que isso significa a “raspa do tacho” do que ainda resta de experiência nas empresas, que, afinal, construíram o setor que temos hoje.

 

Quem disse que não há planejamento no país?

 

Só não precisava a gozação de que a “Eletrobrás seria a Petrobrás do setor elétrico”!

 



 

 

Jornal da Energia – 03/04/2013 

 

Iniciativa, que integra Plano Diretor de Negócios e Gestão, apresentado na semana passada, já passou pelo Conselho de Administração e MME

 

Por Maria Domingues

 

 

O Programa de Incentivo ao Desligamento da Eletrobras depende apenas do aval do Ministério do Planejamento para que possa ser implementado. A iniciativa, prevista no Plano Diretor de Negócios e Gestão, anunciado pela empresa na última semana, deverá entrar em vigor ainda neste ano.

 

Segundo o diretor de Finanças e de Relações com Investidores da Eletrobrás, Armando Casado de Araújo, o programa já foi aprovado pelo Conselho de Administração da companhia e pelo Ministério de Minas e Energia (MME). “O Ministério do Planejamento solicitou os contratos de metas das outras áreas do plano diretor para poder fazer essa deliberação”, disse o executivo, que participou de teleconferência com analistas e investidores nesta terça-feira (02/04).

 

O plano, salientou Casado de Araújo, já foi padronizado para todas as empresas do Grupo Eletrobras. Dependendo da adesão, poderá ser necessária a realocação de pessoas. Essa possibilidade já havia sido ressaltada pelo presidente da companhia, José da Costa Carvalho Neto, na semana passada. A expectativa da estatal é que 5 mil, ou seja, 18,5% dos 27 mil funcionários da estatal adiram ao plano.

 

Sobre os demais pontos do Plano Diretor, que prevê redução de custos de 20% para 2013 e de 30% nos próximos anos, Casado de Araújo ressaltou que a companhia terá que “apertar o cinto” para reduzir os custos de operação e manutenção dos ativos renovados seguindo os dispositivos da Medida Provisória 579. O executivo salientou, porém, que os contratos onerosos que não tem relação à atividade fim da companhia serão repassados aos órgãos responsáveis.

 

Como exemplo, o diretor citou um assentamento localizado próximo da usina de Itaparica (1.500 MW). “Já foi criado um grupo de trabalho, que envolve os ministérios da Integração e do Planejamento, além da Eletrobras e o prazo para a transferência desse assentamento para a Integração é de 180 dias. Só esse contrato onera os cofres da empresa em R$120 milhões ao ano”, disse.

 

Casado de Araújo ressaltou também a padronização das atividades compartilhadas do Grupo Eletrobras e a criação de uma sociedade de propósito específico (SPE) única, que englobará as quatro SPEs relacionadas à Interligação Elétrica do Madeira (IE Madeira). “Conquistaremos um ganho de escala e de gestão com essa junção”, disse.

 

O diretor disse que a relação dívida líquida sobre Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) é “muito grande”. As próximas captações a serem realizadas pela companhia terão a União como garantidora. “O objetivo é ter o menor custo de captação possível”, disse.

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