Aneel define nesta terça-feira impasse em hidrelétricas do Madeira

 


 

 

 

 

Comentário: Por pior que fosse o sistema de serviço público majoritariamente estatal que funcionava até 1995, essa absurda situação jamais aconteceria. Quem trabalhou na área de planejamento sabe que os estudos de divisão de quedas nas bacias atentavam para os estudos de afogamento de canal de fuga de usinas em seqüência.  Agora, tudo é possível.

Para animar, a piada pronta. No consórcio Santo Antônio, a empresa Eletrobrás – Furnas. Na “inimiga” Jirau, Eletrobrás – Chesf e Eletrobrás – Eletrosul. A Eletrobrás conseguiu o impensável, competir consigo mesma!



 

Usinas Jirau e Santo Antônio divergem sobre profundidade de reservatórios

 

Danilo Fariello

 

BRASÍLIA – O impasse entre as gigantes usinas hidrelétricas do Rio Madeira pode ter fim nesta terça-feira, com a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre as demandas de Jirau e Santo Antônio, que reivindicam mudanças nos projetos originais para elevar a capacidade de geração de energia. A tendência é que a diretoria da agência opte por uma saída intermediária, com ganhos e perdas para as duas usinas.

 

As duas usinas tentaram uma solução negociada, mas não chegaram a consenso. Quando a briga foi levada à decisão da Aneel, no mês passado, também o colegiado de diretores chegou a um impasse. Desde maio, o diretor da Aneel Julião Coelho tomou o processo para fundamentar um voto que, segundo ele, prevê “equalizar a frustração das expectativas de ambos”.

 

Por estarem no curso do mesmo rio, a alteração da cota (profundidade) de um dos reservatórios pode acarretar impacto na outra hidrelétrica. Por isso, o ganho de uma usina implica perda da outra, mas a Aneel visa ao ganho de produção do sistema como um todo. Se a decisão tardar mais, não será possível alterar os projetos por causa do ritmo da construção das usinas.

 

Em sua fundamentação, que será apresentada hoje à diretoria da Aneel, Coelho defendeu uma solução de equilíbrio, para evitar que, no futuro, grupos que atuam no setor percam a motivação de buscar ganhos de eficiência e aumento de produtividade em seus empreendimentos, por temor de uma decisão desfavorável da agência reguladora.

 

— Na minha visão, devemos atender aos dois igualitariamente, na medida do possível, porque, se frustramos de maneira isonômica, a chance de um desistir de empreender é menor do que se concentrarmos a frustração em um só. Com isso, espero que possamos chegar a um consenso e resolver o impasse, porque da forma que estava não haveria decisão — disse Coelho.

 

Custo de R$ 30 bilhões

 

A disputa do Rio Madeira envolve um potencial de geração de mais de 50 Megawatts (MW), ou cerca de R$ 2 bilhões em investimentos. As duas usinas gerarão 6,9 mil MW e custarão quase R$ 30 bilhões, sem considerar a ampliação da capacidade. Pelo voto de Coelho, a equalização das frustrações resultaria em uma transferência parcial do potencial de geração de Santo Antônio para Jirau em 22,3 MW. Assim, o resultado seria equilibrado, alega, para ambas as usinas, que fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

 

 

 

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