Governo federal vai fazer leilão de térmicas a carvão pela primeira vez desde 2008

 


 

 

 

 

 

Comentário: Segundo o presidente da EPE, as térmicas a carvão “são uma escolha da sociedade”. Ora, isso soa como um “castigo” para uma sociedade que “se porta mal”.  

– Ahhhh….Não querem dar licença ambiental para as hidroelétricas? Então engulam essas usinas a carvão!

Até parece que “a sociedade” é que libera a licença para as usinas, e não uma série de institições que, ainda bem, vêem os projetos sob óticas diferentes. As frases do responsável pelo planejamento do setor também revelam a visão estreita de que hidroelétricas são “competidoras” entre usinas cujas diferenças vão desde o combustível, tecnologia, localização e principalmente externalidades.



 Ramona Ordoñez – O Globo – 05/07

 

 

RIO – Pela primeira vez nos últimos cinco anos, o Governo Federal vai realizar um leilão para oferta de energia elétrica com usinas a carvão. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse nesta quinta-feira que no leilão que será realizado em agosto próximo, para oferta de energia para 2018, contemplará principalmente usinas térmicas a gás natural, biomassa e carvão.

 

Pela primeira vez nos últimos cinco anos, o governo federal vai realizar um leilão para oferta de energia elétrica com usinas a carvão. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse ontem que o leilão para oferta de energia para 2018, a ser realizado em agosto, contemplará principalmente usinas térmicas a gás natural, biomassa e carvão.

 

Tolmasquim explicou que a oferta para projetos de geração de térmicas a carvão é necessária porque vários projetos de usinas hidrelétricas não conseguiram ainda licenças ambientais. Além disso, as térmicas a gás não se mostram viáveis por não apresentarem preços competitivos, já que a maior oferta é de GNL (Gás Natural liquefeito), mais caro.

 

— O mercado precisa ter a garantia do suprimento da energia, então foi necessário incluir usinas a carvão, além das de biomassa e a gás natural — afirmou Tolmasquim, que participou de seminário sobre a matriz energética realizado ontem na Fundação Getulio Vargas (FGV).

 

Mas, em dezembro, a EPE pretende realizar outro leilão para ofertar energia também para 2018 com algumas usinas hidrelétricas, como a de São Samuel, entre outras.

 

Tolmasquim destacou a decisão de desligar 34 usinas térmicas a óleo que, além de outras cinco já desligadas, vai representar uma economia de R$ 1,4 bilhão por mês. No total, serão menos 3.800 megawatts de geração térmica a óleo.

 

— É um paradoxo ambiental, mas isso representa a escolha que faz a sociedade — disse Tolmasquim, referindo-se ao fato de que a não construção de hidrelétricas por falta de licenças ambientais leva o país a construir usinas a carvão, além de usar também térmicas a óleo, mais caras e mais poluidoras.

 

Sem novas usinas nucleares

 

O presidente da EPE descartou a construção de novas centrais nucleares no Brasil no curto prazo. Segundo Tolmasquim, a energia nuclear ainda é muito cara e existem outras alternativas.

 

No último estudo de planejamento energético, até 2030, a EPE previa a necessidade de se construir entre quatro e oito usinas nucleares no Brasil com capacidade de mil megawatts cada. Mas agora, Maurício Tolmasquim deixou claro que a necessidade dessas usinas deverá sair do horizonte de 2030.

 

— A energia nuclear ainda é muito cara. E tem ainda alguns problemas a solucionar, como a questão de rejeitos. A curto prazo tem outras alternativas mais interessantes. (Ramona Ordoñez)

 

 

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