Vai ficando cada vez mais óbvio

Reservatório do NE no pior nível em uma década

 

 


 

 

 

 

 

Comentário: Coincidência ou influência do clima pré anúncio da Medida Provisória 579 de redução tarifária, o gráfico mostra dados que precisam ser explicados. É verdade que as afluências do São Francisco estão baixas, mas este tem sido o padrão observado há 10 anos. Ao contrário do que diz um dos especialistas consultados, o problema extrapola a região Nordeste.

1.      O ano de 2011 foi excepcional em termos de energia natural(linha azul, eixo esquerdo).

2.      Em fevereiro de 2012, mês normalmente chuvoso, S. Pedro mostrou sua zanga

3.      É de se estranhar a redução de geração térmica observada em 2012 (colunas marrons, eixo direito) perante dados de afluências já ruins.

4.      Depois do anúncio da MP 579 (setembro), por coincidência (?), as térmicas são acionadas ao máximo (~ 10.000 GWh/mês)

5.      Um acionamento preventivo no entorno de 8.000 GWh/mês poderia ter “guardado” cerca de 26 TWh nos reservatórios do São Francisco.

6.      Esse acionamento preventivo significaria um adicional de energia equivalente à carga do Nordeste por 3 meses e certamente uma situação mais segura.

Como se vê, a segurança do sistema está precisando de uma revisão com urgência.



 

Valor 16/10/13 – Por Rodrigo Polito | Do Rio

 

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) reduziu novamente a previsão do nível de armazenamento de água nos reservatórios do Nordeste no fim de outubro, para 25,1%. A previsão anterior para o fim do mês era de 26,8%, já muito abaixo dos 33,9% observados em igual período do ano passado. A tendência é que a região feche outubro com o pior nível para o mês nos últimos dez anos.

 

Com isso, especialistas preveem que mais térmicas terão de ser acionadas para garantir energia à região. A situação no país só não é mais difícil porque o nível dos reservatórios no Sudeste e Centro-Oeste, que detêm cerca de 70% da capacidade do país, está acima do registrado há um ano. Hoje, esses reservatórios estão com 47,7% da capacidade, que era de 42,8% em 2012.

 

Nível de reservatórios continua a cair no NE, mas sobe no Sudeste

 

……

 

A tendência é que os reservatórios da região fechem outubro com o pior nível para o mês nos últimos dez anos. Em 2003, eles registraram a cota de 18,97%. O indicador atual está em 27,8%.

 

Com tais números, especialistas acreditam que mais térmicas terão que ser acionadas para gerar mais energia para a região. O cenário é agravado pelo crescimento previsto para o consumo de energia no Nordeste. O ONS aumentou, de 8,1% para 8,3%, a estimativa da demanda na região em outubro, para 9.979 MW médios.

 

“Como nos meses anteriores, a região Nordeste deve continuar a apresentar afluências muito abaixo da média histórica no mês de outubro”, afirmou o ONS na última revisão semanal do Programa Mensal de Operação deste mês.

 

A situação no país só não é mais delicada do que a observada em igual período do ano passado porque o nível dos reservatórios das regiões Sudeste/Centro-Oeste, que concentram cerca de 70% da capacidade de estoque do país, está acima do registrado em outubro de 2012. Hoje, esses reservatórios registram nível de 47,7%, contra os 42,8% que foram apurados na mesma data do ano passado.

 

Segundo especialistas consultados pelo Valor, a luz amarela ainda não foi acesa, mas a situação é preocupante. “O principal problema é se o subsistema do Sudeste continuar se comprometendo a fornecer energia ao Nordeste”, disse João Carlos Mello, diretor da consultoria Thymos Energia, lembrando que a exportação de energia ao Nordeste pode reduzir ainda mais o nível dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, a cerca de um mês para o fim do período seco.

 

Embora o risco de desabastecimento ainda não seja acentuado, especialistas, entretanto, já começam a trabalhar com a perspectiva de aumento de preço de energia, devido ao acionamento das termelétricas.

 

“A primeira conclusão nessa trajetória de queda do nível dos reservatórios é o impacto financeiro imediato a partir do acionamento das térmicas“, destacou o coordenador do Grupo de Estudo do Setor de Energia Elétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro.

 

“Se a situação não melhorar, poderá haver um descolamento de preço de energia de curto prazo entre o Nordeste e o restante do país”, explica Paulo Toledo, sócio diretor da comercializadora Ecom Energia.

 

Na primeira semana de setembro, o Comitê de Monitoramento do Sistema Elétrico – que seria a cúpula energética do governo Dilma Rousseff – determinou o acionamento extra de 1,1 mil megawatts (MW) de termelétricas no Nordeste. “Essa medida visa à redução do intercâmbio para o Nordeste e foi adotada por precaução, a fim de mitigar os efeitos de um eventual desligamento simultâneo de dois circuitos [duas linhas de transmissão], durante o período seco, devido a riscos de queimadas que podem afetar as linhas”, informou o comitê, na ata da reunião.

 

“Não é propriamente um problema de abastecimento nacional. É uma questão localizada na região Nordeste. Está se considerando um problema nas linhas de transmissão para o Nordeste. Se for mesmo um problema de queimadas, ele tem que ser mais fiscalizado. Esse problema não pode se propagar por muito tempo”, afirma o presidente executivo da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres (Abrace).

 

Mello prevê que o Comitê de Monitoramento do Sistema Elétrico decidirá pelo acionamento de mais térmicas na região na próxima reunião, prevista para o início de novembro. Ele é favorável ao uso desse tipo de usina. “Tem que acionar o máximo possível de térmicas no Nordeste”, defende o consultor.

 

“Pode esperar o acionamento de mais térmicas e pode esperar mais custos. A situação é muito ruim. O ONS não pode ficar esperando o período úmido chegar”, disse um especialista do setor, que não quis se identificar.

 

 

 

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