Chuvas em dezembro ficaram abaixo do esperado

 



Comentário: Num sistema onde o planejamento precisa simular a operação mês a mês e a operação precisa analisar um horizonte de 4 anos para decidir o que fazer a cada mês, parece ser óbvio que essas duas organizações, na realidade, são uma só. Infelizmente, por uma ideologia fundamentalista que tenta mimetizar um sistema térmico, o Brasil resolveu fragmentar as responsabilidades. Mais do que isso, eventualmente EPE e ONS estabelecem polêmicas sobre estratégias fundamentais para o setor mostrando divergências, o que tem preocupantes conseqüências. O resultado pode ser mais um racionamento, e pior, São Pedro será novamente injustamente acusado.

 Para evitar a fácil acusação, o Ilumina mostra a realidade dos dados sobre a energia natural desde 2002. No dado de 2012, como ainda não se têm o valor de dezembro, foi admitido a ocorrência do valor mais baixo do período 2002-2011. Os percentuais indicam a proporcionalidade com a média de longo termo (MLT)

 

(Obs: A curva da MLT sobe pois há a entrada de novas usinas. A taxa de crescimento, que é aproximadamente proporcional a expansão do parque hidráulico, não passou de 1,4% ao ano)

É fácil observar que S. Pedro, pelo menos desde 2009, vem fornecendo hidrologia acima da média. Situação parecida com 2012 já foi vivida em 2002, mas, naquele ano, a carga tinha se reduzido cerca de 15%. Certamente essa redução não deve ser conseguida em 2012, o que só agrava o problema. Reservatórios com a capacidade dos brasileiros não esvaziam apenas pela diminuição das chuvas. Eles se esgotam também quando não se preserva a hidrologia favorável do passado para ser usada num ano ruim através de uma complementação térmica adequada. Essa é a grande questão do planejamento e da operação.

 



 Por Claudia Facchini | De São Paulo

 

 Pedrosa, da Abrace: “O Brasil aciona térmicas que custam R$ 700 por MWh”

 

Um sinal de alerta acendeu, na semana passada, no setor elétrico. As chuvas no mês de dezembro, consideradas cruciais para reposição das vazões dos rios e dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas, foram mais fracas que as esperadas, o que agrava o cenário de abastecimento de energia no país. A ocorrência de chuvas durante o verão, o chamado período úmido, vai determinar se o governo precisará conter o consumo de energia em 2013, como foi feito 2001. Naquele ano, o país adotou o racionamento em abril, após uma estação de chuvas insuficiente.

 

Mesmo que o racionamento não seja necessário, os brasileiros sentirão no bolso a redução na geração de energia pelas hidrelétricas. O despacho de térmicas a gás e a óleo para garantir o abastecimento já custou algo em torno de R$ 2,5 bilhões ao país em 2012, segundo estimativas iniciais da Associação Brasileira de Grandes Consumidores (Abrace). Só em novembro, as despesas com o acionamento de térmicas chegou a R$ 800 milhões.

 

E, de acordo com representantes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), é provável que o Brasil continue dependente da geração térmica no ano que vem devido aos baixos níveis hídricos nas principais bacias.

 

Segundo Paulo Pedrosa, presidente da Abrace, estima-se que a geração térmica custará entre R$ 4 e R$ 5 por MWh na conta luz quando os gastos forem repassados para os consumidores, o que será feito no reajuste tarifário anual das distribuidoras em 2013. Esse aumento “conjuntural”, afirma o executivo, neutralizará parte dos esforços “estruturais” do governo para reduzir o custo da energia. A elevação dos custos tende a anular no ano que vem, por exemplo, a diminuição nos custos de transmissão proporcionada pela Medida Provisória 579, que estabeleceu as regras para a renovação das concessões, prevê a Abrace.

 

“O Brasil está acionando térmicas que custam R$ 700 por MWh”, diz Pedrosa. Quanto mais tempo as térmicas permanecerem ligadas, maiores os custos para os consumidores, que poderão chegar a R$ 12 por MWh. A térmicas são despachadas por ordem de mérito de custos: ONS aciona primeiramente as mais baratas e, depois, sucessivamente, as mais caras.

 

As empresas que compram energia no mercado de curto de prazo já sentiram os efeitos. O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que é utilizado para a liquidação dos contratos de curto prazo na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), disparou na semana passada devido ao agravamento da seca. O valor foi fixado em R$ 343,40 por MWh para as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste e em 315,53 por MWh para as regiões Nordeste e Norte. Os valores representam uma alta de 86% e 71%, respectivamente, em relação ao PLD da semana anterior.

 

De acordo com relatório do ONS emitido na sexta-feira, as térmicas a gás e a óleo continuaram funcionando para garantir o fornecimento na semana entre os dias 22 e 28 de dezembro, com despacho de cerca de 3.700 MW médios. Houve “redução significativa”, segundo o relatório, na previsão de energia natural afluente para esta semana, com a ocorrência de chuvas fracas e moderadas na maior parte das bacias do Sistema Elétrico Nacional (SIN). A previsão é de ausência de precipitação ou de volumes muitos baixos nas bacias da região Nordeste.

 

Segundo Alessando Castro, da comercializadora de energia Bio Energias, é cedo para prever se o Brasil precisará racionar energia em 2013. A situação pode mudar radicalmente, como ocorreu em 2008. Naquele ano, o PLD atingiu em janeiro o teto estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), superando R$ 500 por MWh, mas a situação normalizou-se em fevereiro e março.

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