Comentário do ILUMINA: Só mesmo no BRASIL, no mesmo dia da assembléia que decidirá o futuro de FURNAS, aventa-se a hipótese de existirem erros da ordem de 60% na receita da empresa. Por 30 anos! ….e tudo se passa como nada fosse importante.
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Valor 03/12
Por Rodrigo Polito | Do Rio
Um erro de cálculo, de R$ 6,6 bilhões, encontrado no relatório técnico de Furnas sobre a proposta do governo de renovação antecipada das concessões elétricas induz a uma conclusão de que assinar os aditivos contratuais é a melhor alternativa para a empresa. A correção da conta mudaria a conclusão do relatório, indicando tecnicamente que a devolução dos ativos ao fim da concessão seria a melhor opção.
O relatório, apresentado aos acionistas da Eletrobras, controladora de Furnas, traçou dois cenários: um considerando a renovação das concessões e outro, a devolução dos ativos. No primeiro cenário são consideradas despesas anuais de R$ 608 milhões de “encargos de uso da rede elétrica” e de R$ 203 milhões de “compensação financeira pelo uso de recursos hídricos” (CFURH) de todas as hidrelétricas de Furnas até 2030.
No segundo cenário, no qual é prevista a devolução de oito usinas, num total de 7.172 MW, entre 2014 e 2023, foram considerados os mesmos custos de encargo e de CFURH das respectivas hidrelétricas até 2030. Nesse caso, porém, as duas despesas deveriam ser reduzidas conforme terminasse o prazo das concessões.
Segundo um especialista do setor elétrico, que não quis se identificar, ouvido pelo Valor, as duas rubricas deveriam ser reduzidas gradativamente, conforme as usinas fossem devolvidas. Nesse caso, a partir de 2024, o gasto anual do encargo cairia para R$ 258 milhões. Já o gasto anual de CFURH cairia para 45 milhões, a partir de 2024. Os cálculos foram feitos com base nos valores do encargo e da CFURH atribuídos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para as usinas em 2011. A correção das contas resulta numa diferença de R$ 6,6 bilhões.
O relatório, que sustenta a recomendação da administração de Furnas pela renovação das concessões, indica que esta alternativa tem um valor presente líquido (VPL) R$ 110 milhões superior ao segundo cenário. Com a correção, o cenário de devolução das concessões passa a ser R$ 2,41 bilhões mais vantajoso. A assembleia geral dos acionistas de Furnas está marcada para hoje à tarde, após a assembleia geral extraordinária da Eletrobras.
Procurada pela reportagem do Valor, Furnas informou que somente se manifestará sobre o assunto após a terça-feira, quando termina o prazo para as companhias elétricas assinarem os aditivos contratuais para renovar por 30 anos as concessões das hidrelétricas. Um conselheiro da Eletrobras, que não quis se identificar, também questionou os números à administração de Furnas, mas não obteve resposta até o momento.
“O relatório de Furnas é tecnicamente incorreto, pois supõe que, se decidir não prorrogar as concessões atuais, Furnas terá despesas que não são compatíveis com a devolução dessas concessões. A Eletrobras deveria corrigir o relatório”, afirmou o especialista, ressaltando que há outros erros semelhantes nos relatórios de Chesf e Eletronorte.
As usinas de Furnas cujo contrato de concessão vence até 2023 são Corumbá (2014), Furnas (2015), Luiz Carlos Barreto (2015), Funil (2015), Marimbondo (2017), Porto Colômbia (2017), Itumbiara (2020) e Mascarenhas de Moraes (2023).