Furnas, origem do último apagão, foi multada 15 vezes desde 2010

Autuações foram por falta de obras e manutenção inadequada (Folha de SP – 10/10/12)



Comentário do ILUMINA: FURNAS será a empresa mais atingida pela MP 579, pois, segundo metodologia no mínimo contestável, suas usinas e linhas estão pagas e podem ser remuneradas por um valor dez vezes menor do que a tarifa atual. Pode-se imaginar o que ocorrerá com o desempenho e e problemas técnicos da empresa após tal arbitrariedade. O governo deveria explicar o que fez para interromper o processo programado de deterioração do quadro técnico da empresa iniciado no governo FHC. Terceirização de quadros técnicos e continuidade de programas de incentivo à aposentadoria não foram revertidos na forma e prioridade que se esperava. Só esse ano, está prevista a diminuição de 1700 funcionários que, naturalmente, são os que têm mais experiência.

A história do setor elétrico brasileiro está repleta de exemplos de uso das estatais para objetivos fora de sua competência. Controle inflacionário, parcerias minoritárias, assunção de investimentos rejeitados pelo setor privado, descontratação mesmo com preços mais baixos, participação em superávit primário do estado, além do uso político de seus quadros. É bom ter absoluta certeza do que se está realizando no Brasil, pois apagões e apaguinhos não estão desconectados dessas realidades oclusas.

 



JÚLIA BORBA
DE BRASÍLIA

Em menos de dois anos, as multas aplicadas à empresa elétrica Furnas pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) alcançaram R$ 139 milhões. A firma esteve na origem da pane que deixou 12 Estados e o DF sem energia na semana passada.

De 2010 até agora, a empresa foi autuada 15 vezes. Todos os casos estão relacionados ao atraso na construção de empreendimentos e à manutenção inadequada de equipamentos, área considerada “deficitária” pela Aneel.

A Folha procurou Furnas para comentar os dados da Aneel, mas não conseguiu contato pelos telefones da empresa.

Na última sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff marcou uma reunião de emergência para avaliar o sistema elétrico.

De acordo com o diretor-geral da agência, Nelson Hubner, a presidente deu aval para que se inicie uma onda de revisões sobre o sistema de transmissão de Furnas e de todas as demais empresas do setor.

PENTE-FINO

Hubner afirmou que elas deverão realizar um “pente-fino” para evitar a ocorrência de novas falhas no fornecimento.

“Ela pediu que a gente acompanhasse muito de perto isso, para garantir que não haja a repetição desse tipo de coisa [apagões]”, disse.

O diretor afirmou que haverá um cronograma para que as empresas cumpram a determinação e “evitem a ocorrência de novos erros”.

Ao lado desses novos esforços das companhias, haverá o acompanhamento e a fiscalização da Aneel.

Na última semana, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, pediu desculpas pelas falhas no fornecimento de energia que afetou algumas regiões do país.

Desde a interrupção, em 22 de setembro, que afetou 11 Estados, principalmente da região Nordeste, por cerca de 50 minutos, ocorreram outros dois casos de apagão pelo país, em dias consecutivos, na semana passada.

Um em partes das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além dos Estados do Acre e Rondônia, que ficaram sem energia por cerca de meia hora. Depois em Brasília, que ficou pouco mais de duas horas às escuras.

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