Lula isenta órgãos ambientais na demora das licenças

Lula prevê problemas com licenciamento de projetos estruturantes
Presidente afirma que restrições no licenciamento ocorrem devido ao maior rigor das leis ambientais


F.Couto,Agência CanalEnergia


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, 5 de maio, que prevê uma série de liminares impedindo a construção de dois dos principais projetos estruturantes no país: a usina de Belo Monte (PA, 11 mil MW, em duas fases) e o complexo hidrelétrico do Rio Madeira (RO, 6.450 MW). Para ele, a construção de Santo Antônio (3.150, 4 MW) e Jirau (3.300 MW), será uma “guerra”. Além disso, acredita, dificilmente será autorizada a construção de mais de 6 mil MW em Belo Monte.


“O Ministério de Minas e Energia vai querer fazer as usinas, enquanto o Meio Ambiente vai exigir o cumprimento da lei“, comentou,ao discursar na inauguração da hidrelétrica Eliezer Batista – Aimorés.


Lula isentou os órgãos ambientais pela demora na liberação das licenças ambientais e chamou a atenção para o rigor maior na legislação ambiental, que implica em maiores restrições pelos órgãos de licenciamento e fiscalização pelo Ministério Público.


Belo Monte está com o licenciamento suspenso por conta de liminar. Já com relação ao complexo hidrelétrico do rio Madeira, o governo ainda está avaliando a forma de oferecê-lo no leilão de energia nova A-5, previsto para este ano. Os dois projetos estão previstos pelo Plano Decenal de Expansão de Energia Elétrica (PDEE 2006/2015).


Segundo o presidente, 45 hidrelétricas com outorgas estavam com pendências no licenciamento, sendo que 30 empreendimentos foram liberados neste período. “Os órgãos estaduais e federal preferem não autorizar para não ter problemas com o Ministério Público. Quando não negam a licença prévia para uma usina com problemas, o MP é acionado e o caso pode levar à indisponibilidade dos bens de quem autorizou”, observou.


Na visão de Lula, se a hidrelétrica binacional de Itaipu tivesse que ser construída hoje, haveria uma série de manifestações contra a obra, o que não aconteceu há 30 anos. “Hoje, não construiríamos Itaipu”, resumiu.


Comentário


Ponto para oPresidente Lula que, ao contrário de alguns técnicos e até do presidente da Eletrobrás, entendeu que as exigências ambientais são legais e legítimas.

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