O Diesel Verde

Empresa pede registro de patente do H-Bio



A Petrobras já pediu o registro de patente, no Brasil e no exterior, da tecnologia desenvolvida no seu Centro de Pesquisas (Cenpes) para produção, em refinarias de grande porte, do H-Bio. O novo combustível é um óleo diesel produzido à partir da mistura de óleo vegetal com o diesel mineral derivado do petróleo, que além de menos poluente é mais barato, ajudará a reduzir importações e pode ser usado em termoelétricas. A estatal também informou que em dois meses começa a testar a geração de energia elétrica na térmica Barbosa Lima Sobrina (ex-Eletrobolt), no Rio, usando álcool anidro como combustível.

No processo cuja patente foi requerida pela Petrobras, o óleo vegetal é misturado às correntes de diesel do petróleo. O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, apelidou o produto de “diesel verde“, já que é menos poluente, e não gera resíduos ou enxofre. Nos testes concluídos há duas semanas, a Petrobras utilizou óleo de soja, misturada em proporção de até 18% para cada litro de diesel. Costa informou que pode ser utilizado óleo vegetal obtido de outros grãos, como mamona, palma e girassol.

O desenvolvimento da tecnologia levou 18 meses, e o H-Bio poderá ser produzido em três refinarias da Petrobras: Regap (MG), Repar (PR) e Refap (RS). Ela foram escolhidas pela proximidade de regiões produtoras de grãos. O plano inicial é produzir a mistura com 10% em Minas e Paraná em 2007.

Na primeira etapa, a Petrobras prevê produzir o H-Bio em duas refinarias com 10% de mistura, o que exigirá 256 milhões de litros de óleo vegetal, equivalentes a 9,4% das exportações de óleo de soja em 2005, de 2,7 bilhões de litros. Depois a produção aumentará para cinco refinarias, com mistura de 5% – 425 milhões litros de óleo de soja, equivalentes a 15,5% das exportações. brasileiras do setor.

Comentário

Apesar da euforia, o HBio irá substituir menos de 1% da importação de óleo diesel. Exatos 250 milhões litros/ano.

ERRATA: a produção de 250 milhões de litros/ano, representa 1% do mercado brasileiro de diesel e não do importado, conforme está acima. Melhor assim!


Diesel verde pode elevar área plantada de soja


Industriais do setor de óleos vegetais e produtores de soja estão eufóricos com os efeitos positivos do programa de produção do novo combustível H-Bio da Petrobras, anunciado pelo governo na semana passada, dentro do programa alternativo ao uso do gás natural.

O setor avalia que o uso de 10% de óleo vegetal como matéria-prima para a produção de diesel (H-Bio) pode interromper a fuga das indústrias de esmagamento de soja para a Argentina e até mesmo reverter a tendência de redução na área plantada da próxima safra 2006/2007, que começa em julho. “É uma medida de extrema importância para o setor industrial porque o novo combustível gera uma forte demanda adicional”, avalia o vice-presidente do Grupo Caramuru Alimentos e diretor da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), César Borges de Sousa.

Para Sousa, a demanda por óleos vegetais, sobretudo de soja, pode mudar os planos das indústrias. “Quem não vai gostar de uma demanda firme como essa?”. Na Argentina, que tem capacidade instalada três vezes maior que a brasileira, as indústrias obtêm o dobro da margem de lucro. A Petrobras anunciou que fará contratos de fornecimento de longo prazo com as indústrias do setor.

No campo, a viabilidade do novo combustível foi muito comemorada. Primeiro, porque evitaria uma redução, e até mesmo poderia aumentar, a área plantada com soja. O produtor Rogério Salles, de Rondonópolis (MT), lembra que a medida ajudará na redução dos custos de produção das lavouras. “É uma demanda que demoraríamos pelos menos dez anos para criar com o aumento do consumo humano, por exemplo”, diz. Ele estima que, somente em Mato Grosso, sejam necessários 2 milhões de sacas de soja em 400 mil hectares para garantir a demanda para a produção do H-Bio.

A medida também elevaria a oferta de farelo de soja para a ração animal, o que refletiria na produção do complexo carnes. “Poderemos agregar valor aqui no Brasil e aumentar a oferta de ração animal à base de soja para toda a cadeia de carnes”, argumenta o superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Ricardo Cotta. Os produtores cogitam arrendar plantas industriais paradas em função da crise do segmento de grãos para produzir o próprio combustível. “Seria uma solução caseira e inteligente que já se faz nos Estados Unidos”, diz Salles.

O Ministério da Agricultura aposta na medida para sinalizar um refresco na crise de liquidez e de renda. “Em 2007, a demanda deve chegar a 1,2 milhão de toneladas de soja. Terá vantagem quem estiver mais próximo das refinarias”, afirma o diretor de Cana-de-Açúcar e Agroenergia do ministério, Ângelo Bressan. M.Zanatta, Valor

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