O Fantasma da Conta de Luz

O fantasma da conta de luz volta e meia vem nos assombrar. A partir de 1995, marco zero da reforma do setor elétrico brasileiro, esse fantasma começou a aparecer nas nossas casas, nas indústrias, nos comércios.  Quem é do setor e viveu esse período deve estar lembrado que a justificativa para as mudanças no setor elétrico na década de 90 foi a necessidade de implantar um modelo que trouxesse preços competitivos de eletricidade. Mas talvez essa solução adotada tenha sido o que o fantasma queria ouvir para aparecer com toda a força ao longo dos anos.

 E quando ele aparece, os governos fazem mexidas em um ponto e outro no modelo, mas nada acontece.  Por exemplo, o governo da época, em 2012, resolveu atacar o problema à base de uma canetada. Emitiu a MP 579 /12 convertida na Lei 12.783/2013 que visou renovar antecipadamente as concessões de empresas geradoras e transmissoras que venceriam em 2015. Foi uma comemoração, a princípio, pois as contas de luz caíram 20 %.  Quase que colocaram os consultores, os técnicos que formularam as mudanças em desfile em carro de bombeiros, conforme as nossas tradições, quando vencemos competições esportivas importantes. Mas um ano depois o fantasma veio bem mais risonho. As contas de luz subiram.

E ele está por aí. A mídia já busca especialistas para entender o porquê das tarifas brasileiras serem tão altas e com perspectivas de mais aumentos. As explicações são diversas. Mas o ponto crucial fica escondido sob os tapetes de muitos analistas. O setor elétrico brasileiro de predominância hidráulica sob um modelo de mercado não deu certo.

 Fizeram–nos engolir um modelo de orientação inglesa que exigiu uma grande adaptação e os custos do erro caíram e continuam a cair no colo do consumidor.

 O sistema elétrico brasileiro tão singular construído, ao longo dos anos, por experientes engenheiros sempre foi considerado um exemplo de integração entre transmissão e geração por muitos especialistas do mundo elétrico global até 1995. Veio sendo desfigurado por interesses de negócios através de um modelo que, além de tudo, criou novos custos e encargos que antes não existiam.

 Em 2012 a fórmula para atacar o fantasma foi baixar as tarifas na marra mesmo, prejudicando a ELETROBRAS. Agora a fórmula é privatizar a ELETROBRAS como fórmula de matar o fantasma, entre outras falácias.

Ou seja culpar os impostos e encargos ou a ELETROBRAS é dar força ao fantasma. O modelo é o causador desse equívoco.

O fantasma não vai embora tão cedo.

Renato Queiroz

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *