Política muda e geração de térmicas será permanente

 



Comentário: Finalmente algum bom senso. Tomara que não seja apenas um “balão de ensaio” para testar a voluntariosa redução tarifária à custa das geradoras federais. Não é exatamente o que o ILUMINA vem defendendo, mas tem o mérito de colocar na berlinda a formação de preços praticada no setor. Afinal, 70% da capacidade instalada (hidráulicas) não podem ficar suprindo mais de 90% da energia indefinidamente. Isso esvazia reservatório. Por trás desse problema, os defeitos do modelo mercantil brasileiro.



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Valor 10/01/13 – Por André Borges e Rafael Bitencourt | De Brasília

 

Ainda ontem o governo federal indicou que pretende desligar gradativamente as usinas térmicas assim que os reservatórios das hidrelétricas voltarem ao nível normal. Apesar disso, os planos para as térmicas alimentadas a gás natural e carvão seguem em outra direção. No médio prazo, o Ministério de Minas e Energia pretende que essas usinas, hoje só acionadas em caráter emergencial, passem a fazer parte constante da matriz energética do país. Isso significa que elas entrarão para a base do sistema elétrico nacional e funcionarão durante todo o ano, sendo paralisadas somente para manutenção.

 

Ao incluir as térmicas na base da geração, o governo quer garantir a segurança energética, embora isso signifique, no médio prazo, aumento no custo da energia e maior impacto ambiental. A decisão pode resultar em uma reviravolta entre os projetos de térmicas movidas a carvão mineral, um tipo de geração que desde 2009 não tem nenhum empreendimento incluído em leilões de energia, por conta de compromissos ambientais assumidos pelo Brasil.

 

A meta do ministério é diversificar a matriz energética brasileira, atualmente com mais de 70% de geração hidrelétrica. No longo prazo, mesmo com os novos empreendimentos planejados ou em construção, essa participação cairá para perto de 50%. Cerca de 30% ficarão por conta de fontes renováveis, como eólica e biomassa, e os 20% restantes virão das usinas térmicas, movidas principalmente a gás e carvão, já que os novos projetos nucleares não têm data para sair da gaveta.

 

O plano para as térmicas foi confirmado ao Valor pelo secretário de planejamento e desenvolvimento energético do ministério, Altino Ventura Filho. “Até hoje as térmicas foram contratadas como usinas de complementação, mas elas passarão a ser contratadas como usinas de base”, disse Ventura.

 

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