Redução de tarifas de energia eleva consumo em época de seca

 


 

Comentário: Como diria Jack, o estripador, vamos por partes.

 

 

 

1.      Apesar da medida de imposição de redução de tarifas ter diminuído o custo da energia, ainda temos a mais cara energia de base hidroelétrica no planeta.

 

2.      A nossa carga total, desde 2003, vem crescendo numa média de 3,7%, bem abaixo dos tradicionais 5% que tínhamos em passado recente.

 

3.      Para analisar o consumo, a comparação válida não é a divulgada pela EPE. A carga total de janeiro a julho de 2013 subiu apenas 1% quando comparada ao mesmo período de 2012. O Pibinho que se confirma.

 

4.      Com base nesses dados, pode-se perceber que não houve o efeito de incentivo ao consumo em dimensões que afetassem o equilíbrio entre oferta e demanda.

 

5.      A disparada das térmicas tem outras razões. A tentativa de culpar o consumidor é apenas um intróito ao absurdo maior: as bandeiras tarifárias, assunto de um artigo do ilumina no Valor Econômico e que pode ser lido em https://www.ilumina.org.br/zpublisher/materias/Noticias_Comentadas.asp?id=20187.

 

6.      Basta uma comparação das dimensões envolvidas com a variação da carga e dos outros muitos problemas de gestão que assistimos no setor elétrico, para ver que, mais uma vez, O CONSUMIDOR NÃO É O CULPADO!

 

 

 

É preciso dar uma olhada em “Las brujas”: https://www.ilumina.org.br/zpublisher/materias/Destaques.asp?id=20199

 

 

 

 

 

 


 Globo – 11/08

 

Mônica Tavares

 Flavia Pierry

 

Publicado:10/08/13 – 18h36

 

BRASÍLIA — Nos seis primeiros meses de 2013, o consumo total de energia aumentou 2,8%, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), puxado pela demanda residencial. Somente em junho, subiu 5,2%. E, no ano passado, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) cresceu somente 0,9%, o consumo aumentou 3,8%. Com a redução de tarifas concedida pelo governo no início do ano, de cerca de 20%, houve um incentivo ainda maior ao consumo. O aumento aconteceu em um período de seca, quando as usinas hidrelétricas, que têm energia mais barata, precisaram do reforço das termelétricas para atender à demanda, elevando os custos para as distribuidoras.

 

Por outro lado, a implantação de medidas de incentivo à economia de energia é lenta. O sistema de bandeira tarifária, que vincula os custos da energia à tarifa, só começará a valer a partir de 2014. Especialistas criticam sinais do governo que consideram contraditórios. Com a redução das tarifas de 20%, deve haver um aumento na demanda de energia em torno de 4%, segundo estimativa de Reginaldo Medeiros, presidente executivo da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel). E nenhuma campanha foi lançada no primeiro semestre para incentivar a economia de energia nas residências.

 

Desconhecimento sobre custo real de produção leva ao desperdício

 

O presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Leite, acredita que as medidas de incentivo à economia de energia deixaram de ser adotadas por receio de que a população entendesse tais campanhas como um sinal de que havia risco de racionamento.

 

— No Brasil não temos medidas estruturadas para estimular o consumo consciente ou resposta pelo lado demanda — disse Leite.

 

Claudio Salles, presidente do instituto Acende Brasil, também aponta o desconhecimento sobre o real custo da energia como um dos motivos para o uso perdulário.

 

— Esse problema foi agravado com a forte politização do tema no anúncio de Dilma Rousseff do corte de tarifas.

 

A coordenadora da Proteste, Maria Inês Dolci, lembra que ainda são escassas as campanhas de esclarecimento da população sobre o uso eficiente de energia.

 

— O governo falou “vou reduzir a tarifa”, porém não vi nesse tempo todo uma campanha de esclarecimento para economizar energia.

 

O ex-ministro de Minas e Energia Antonio Dias Leite, professor emérito da UFRJ, disse que a redução de tarifas é uma medida de efeito negativo no longo prazo, porque as empresas do setor elétrico ficam sem capacidade de investimento.

 

O secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, rebate as críticas de que não há uma política estruturada para buscar a redução da demanda e o uso eficiente de energia. Ele cita o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), a etiquetagem que atesta que eletrodomésticos são eficientes, e a lei que determina que as concessionárias de energia destinem 0,5% da receita para ações de eficiência e pesquisa energética.

 

— Algumas ações do Procel precisam de recursos. Política de eficiência energética tem, mas a implantação está lenta — reconhece.

 

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