
Comentário: Primeiro capítulo:
Alguém conhece alguma mágica financeira onde aplicando R$ 300 hoje, com grande probabilidade, após 3 ou 4 meses, retorne R$ 700 ou até R$ 1000? Não existe? Coisa de especulador?
Nada disso! A mágica existe, aliás, sempre existiu, e está dentro do nosso complexo modelo do setor elétrico. Pior! Dependendo de onde você está nesse intrincado labirinto, é possível “aplicar” R$ 16 e retirar R$ 700!
Pior ainda! Só agora, 10 anos depois de manter o modelo mercantil que já provocou um racionamento, as autoridades percebem o problema e anunciam como se fosse um grande feito.
Vejam o que afirma o presidente da EPE sobre o que funciona há 10 anos: “o sistema desestimula consumidores livres e geradores, porque eles sabem que, se não gerarem, podem comprar energia barata no mercado à vista”
Isso é dito como se os pobres MWhs estivessem na prateleira esperando alguém para “adotá-los”. Como MWh não sobra em prateleira, se alguém pode decidir não gerar para “comprar energia barata no mercado à vista”, alguém está gerando esse MWh. Mas como o sistema brasileiro é um grande reservatório, esse MWh baratinho, algum tempo depois, pode virar um MWh de R$ 1000. A possibilidade dele ser realmente barato só ocorre se o volume da água que o gera não possa ser guardado, coisa que não tem acontecido no sistema brasileiro.
Só mesmo nesse triste Brasil é que é possível fazer tal declaração sem ter que explicar mais nada. O sistema vigente era injusto? “Chiii, agora que eu percebi”
….e fica tudo por isso mesmo? Quando é que a caixa preta do mercado livre vai ser aberta??
Mas a confusão não acaba aqui. Leiam o segundo capítulo depois da notícia do Canal Energia.
Internalização do custo das térmicas também estimulará expansão, segundo o presidente da EPE
Sueli Montenegro, da Agência CanalEnergia, de Brasília, Regulação e Política
25/07/2013
Preços mais realistas no mercado spot de energia criarão, simultaneamente, estímulos para que grandes consumidores negociem contratos de longo prazo e geradores invistam na instalação de novas usinas para o mercado livre e na operação das plantas existentes, avalia o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim. A análise do executivo sobre os impactos da metodologia CVaR, que permite a inclusão do custo termelétrico no Preço de Liquidação das Diferenças, reflete a percepção do governo e a expectativa do próprio mercado. A escolha da metodologia foi anunciada na quarta-feira, 24 de julho, no Ministério de Minas e Energia.
Tolmasquim observou que o sistema atual de formação de preço dá um sinal ruim e desestimula consumidores livres a contratarem energia no longo prazo, e geradores a manterem suas máquinas sempre operando, porque eles sabem que se não gerarem podem comprar energia barata no mercado à vista. Soma-se a isso a necessidade de cobertura do custo das usinas termelétricas mais caras, pago via Encargo de Serviços do Sistema. “A gente passa a ter uma situação muito mais saudável, com preços mais relativos. E, além disso, você praticamente elimina a questão do encargo, que era um ônus para todo o setor”, analisou.
O presidente da EPE lembra que o consumidor cativo vai se beneficiar com a mudança, porque a geração do encargo praticamente desaparece com o fim do acionamento de termelétricas para garantir a segurança energética do sistema. “É claro que se houver alguma coisa que não estiver prevista a gente pode ver, mas a ideia é não ter despacho fora da ordem de mérito. As térmicas vão ser aquelas que o modelo vai indicar”, esclareceu.
Com a CVaR embutida nos modelos computacionais Newave e Decomp a partir de agosto, para aplicação a partir de setembro, o custo das térmicas será pago por quem estiver exposto no mercado de curto prazo e sujeito às oscilações do PLD, ou tenha uma usina que não gera energia. No novo modelo, as usinas termelétricas mais baratas serão acionadas mais frequentemente, quando o Custo Marginal de Operação estiver mais alto. “Você ganha, porque vai despachar antecipadamente as térmicas mais baratas e, com isso, vai diminuir muito a necessidade do despacho de térmicas a óleo mais caras”, finalizou Tolmasquim.
Novo cálculo para energia evita uso de térmicas mais caras
Brasil Econômico – Por Leonardo Goy/ Reuters
24/07/13 19:15
Comentário: Segundo capítulo
É aqui que, por mais atentos que estejam os protestos, a complexidade escamoteia o problema e o consumidor não entende.
Vão mudar o despacho das térmicas? Simples não? Em qualquer outro sistema sim, mas não no singular sistema brasileiro. Isso porque o que comanda o acionamento das térmicas é o Custo Marginal de Operação, uma variável matemática. A escolha dos nossos governantes foi a de imitar os sistemas térmicos e, para isso, inventaram fórmulas complicadas para dizer quanto cada usina pode gerar (Garantia Física). Só que isso depende da variável matemática CMO. Mudou? Então as “garantias” estão todas erradas. Aguardemos a percepção ligeiramente atrasada dos nossos dirigentes elétricos.
O novo modelo de cálculo foi lançado pelo governo em março, em resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
O novo modelo de cálculo dos custos da energia de curto prazo e da operação do sistema elétrico proposto pelo governo vai praticamente eliminar o acionamento emergencial de usinas termelétricas mais caras, disse nesta quarta-feira o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann.
“O modelo vai antecipar o uso das térmicas mais baratas e evitar o uso das mais caras”, disse o secretário. Ou seja, as térmicas mais baratas deverão funcionar de modo mais estável, evitando o acionamento emergencial de usinas mais caras, como ocorreu no fim do ano passado e no começo de 2013.
O novo modelo de cálculo foi lançado pelo governo em março, em resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
A principal novidade é aumentar a previsibilidade -no modelo matemático de cálculo dos preços do setor- do uso de termelétricas. Isso, segundo Zimmermann, deve fazer com que seja próximo a zero o despacho de térmicas fora da ordem de mérito.
O acionamento fora da ordem de mérito ocorre quando o governo, para garantir a segurança do abastecimento, manda ligar termelétricas mais caras emergencialmente, para manter o nível de água nos reservatórios das hidrelétricas.
“Vamos conseguir mais segurança com o custo próximo do atual”, disse Zimmermann, em entrevista coletiva.
Segundo Zimmermann, o novo modelo matemático foi encaminhado nesta quarta-feira para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), uma semana antes do previsto na resolução do CNPE.
“A Aneel vai começar seu processo de audiência pública e tramitação, para que comecemos a usar o modelo a partir do próximo programa mensal de operação, em setembro”, disse Zimmermann.