Esses dados você não verá na grande mídia.

O primeiro semestre de 2018 acaba de terminar.

  • As bandeiras tarifárias no patamar mais caro foram “ligadas”, agravando ainda mais a cada vez mais injustificável explosão de preços de energia num país hidroelétrico.
  • Como sempre, as autoridades culpam São Pedro pela “seca” e,  em geral, a mídia, adora a acusação, pois S. Pedro não tem advogados.
  • Os dados a seguir são oficiais do ONS. Mostram qual seria a produção de energia se as afluências dos anos do histórico fossem turbinadas no atual sistema. Ou seja, verifica se a atual hidrologia é mesmo a pior do histórico. Vejam abaixo.

  • Fica evidente que a região nordeste, com o Rio São Francisco, nos últimos anos tem realmente a pior seca já registrada.
  • A região sudeste teve 3 ocorrências entre os 15 anos mais secos, mas estão longe de serem inéditas. Portanto, pelos dados do ONS, é um exagero classificar a situação como a pior estiagem registrada.
  • A região Norte e Sul também não mostram esse ineditismo.
  • Do outro ado, em função da crise econômica e do alto preço, o consumo de energia está quase estagnado desde 2015. Ou seja, o consumo está ajudando a enfrentar o problema. Abaixo, a média móvel de 12 meses.

  • Imaginem se o consumo mantivesse a tendência anterior! Certamente estaríamos beirando os 70.000 MW médios, 5.000 acima do nível atual?
  • Mesmo com toda essa ajuda da economia fragilizada, a energia armazenada nos nossos reservatórios equivale a 2 meses de consumo em contraste com os 4 meses do período anterior a 2012.

 

O que se pode concluir? Mesmo que a seca fosse realmente a pior, a preservação de matas ciliares dos rios com usinas não tem nada a ver com o abastecimento de energia num país onde 70% de suas usinas são hidroelétricas? O desmatamento da Amazônia também não tem nada a ver? O tipo de expansão da oferta, muito baseada em térmicas e hidroelétricas problemáticas (Belo Monte e usinas do Rio Madeira) dos últimos anos não tem nada a ver?

Esses números, que são tudo menos “fake”, mostram cada vez mais que o problema energético é muito maior do que o pretendido por um modelo que trata as usinas individualmente e despreza essas grandes externalidades. Infelizmente, além de destruir a Eletrobras, é isso o que implantamos no Brasil. 

Para deixar evidente a confusão setorial, discutem o leilão de térmicas sob o regime de energia de reserva, leia-se mais custos, para enfrentar uma situação sem a mínima lógica:

Notícia da Folha de SP – Leilão de usinas a gás no Nordeste é discutido em reunião, sem conclusão

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/08/leilao-de-usinas-a-gas-no-nordeste-e-discutido-em-reuniao-sem-conclusao.shtml

Os dados acima, certamente você não verá na grande mídia.

Roberto Pereira D’Araujo

 

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