O ILUMINA apresenta informações que, apesar de básicas, raramente são divulgadas.

Chega a ser estranho que tenhamos que postar esses dados. Em diversas reportagens onde o ILUMINA é consultado, apesar de sempre citarmos, essas informações são omitidas.

Nós também não entendemos a razão.

  1. Geração:

O Setor elétrico brasileiro, desde a década de 90, tem a maioria de seus ativos de geração controlado pelo setor privado. Senão vejamos:

  • A capacidade total de geração brasileira está no entorno de 145 GW. A Eletrobras tem cerca de 43 GW (29% do total).
  • Cerca de 45% dessas usinas são ativos da empresa. Cerca de 32% são decorrentes das concessões renovadas nos termos da Lei 12.783/2013, e, portanto, a Eletrobras é apenas a operadora.
  • Cerca de 3% são decorrentes de empreendimentos realizados em parcerias com terceiros por meio de SPE onde o controle é privado.
  • Cerca de 20% são decorrentes de empreendimentos com propriedade compartilhada, incluindo Itaipu Binacional, cuja metade (7.000 MW) da capacidade instalada pertence à Eletrobras.
  1. Transmissão:

O Setor elétrico brasileiro atualmente tem a maioria de seus ativos de transmissão controlado pelo setor privado. Senão vejamos:

A extensão total de linhas de transmissão do sistema está no entorno de 135.000 km.

  • Desse total, as empresas Eletrobras são responsáveis por 57.290 km de LT nas tensões entre 230 e 750 kV. Desse total, 53.706 km são de propriedade de quatro empresas transmissoras – Eletrobras Chesf, Eletronorte, Eletrosul e Furnas – e
  • 584 km foram conquistados em leilões em parceria com outras empresas por meio de SPE, onde o controle é privado.
  1. Distribuição:

O Setor elétrico brasileiro atualmente tem a maioria de seus ativos de distribuição controlado pelo setor privado. Senão vejamos:

Abaixo a lista de distribuidoras e a origem do seu capital.

Portanto, a primeira conclusão: Ao contrário do senso comum, o setor elétrico brasileiro é de maioria de capital privado.

Tarifas

Chega a ser estranho que também não apareça a evolução das tarifas de energia elétrica desde 1995, data inicial da privatização do setor.

Ainda mais estranho é o fato de que a ANEEL (Agência Reguladora) não divulgue esses dados na sua página. Na realidade, o período 1995 – 2002 foi retirado das informações sobre tarifas. Lembramos que a ANEEL existe desde 1996.

Não somos os únicos a apontar esses valores. Os seguintes documentos também citam o misterioso período.

  • As tarifas de energia elétrica e a viabilidade da microgeração distribuída Rennyo Nakabayashi, Roberto Zilles. Instituto de Energia e Ambiente da USP. Novembro de 2014.
  • ENERGIA ELÉTRICA : TARIFAS – Por Tania Rodrigues Mendes – Agente Técnico Legislativo- 1º de junho de 2000
  • A EVOLUÇÃO DAS TARIFAS DE ENERGIA ELÉTRICA E DO SALÁRIO MÍNIMO Francisco José Rocha de Sousa -Consultor Legislativo da Área XII Recursos Minerais, Hídricos e Energéticos

Residencial:

Industrial

Mercado:

Desde 1995 o sistema brasileiro tem uma organização mercantil. Abaixo o gráfico que mostra a evolução do preço de referência desse mercado (curva preta) e uma comparação com os preços praticados para o setor residencial (curva vermelha).

 

Portanto, sem demonizar nenhum processo, seja de privatização ou de mercantilização, o dado concreto é que, desde que esse sistema foi adotado, as tarifas encareceram. Isso é uma constatação!

É estranho que esses dados concretos não sejam divulgados. Se existem outras razões para o aumento da tarifa, que sejam expostos. Manter essa simples informação oclusa da sociedade é incompreensível. 

 

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