Quem ganhou dinheiro com tomadas de 3 pinos – Revista Epoca

Análise do ILUMINA: O que a reportagem não conta é que, depois da privatização das distribuidoras na década de 90, a regulação relaxou a exigência das empresas aterrarem os neutros nos postes. Claro que se o neutro não é aterrado na rede perto de sua casa, o aterramento interno passa a ser necessário.

É só mais um favorzinho do Brasil para o setor privado que a imprensa nunca conta.

A reportagem é interessante pois desvenda como são decididas as questões que afetam o consumidor no Brasil.

Portanto, cuidado com seus eletrodomésticos, pois a má qualidade da distribuição se vê na bagunça dos postes.

Se fosse apenas as nossas tomadas que sofreram essa estúpida adaptação, seria fácil.

Leiam também o artigo de 2013:

http://www.ilumina.org.br/a-republica-do-benjamim-roberto-pereira-daraujo/

Em função do assunto ter provocado muitas discussões nas redes sociais, acrescentamos o seguinte:

É preciso não misturar os problemas. O Ilumina entende que o processo descrito pela revista Época quanto aos fabricantes das tomadas e adaptadores possa contar um acerto que não ocorreu.

Uma outra coisa é a adoção repentina de um padrão que exigiria residências com circuito de aterramento em todas as tomadas. Os que apoiam essa opção, por mais técnica que seja, devem entender que há algo mais a ser explicado, pois o circuito elétrico se estende além das residências.

Evidentemente o aterramento protege equipamentos, mas impor uma tomada onde um orifício está ligado a nada na grande maioria das instalações, isso sim é uma jabuticaba. Se quiséssemos adotar esse padrão sem provocar as desconfianças da reportagem, bastaria adotar a tomada “universal”. Não porque ela seja realmente universal, mas porque ela era o padrão mais usado no Brasil.

A análise sobre o pino ligeiramente mais grosso para os 20 A também não tem lógica elétrica. A transmissão da corrente se faz pela área de contato do pino com a tomada. Evidentemente essa área na tomada 20 A não é o dobro da de 10 A. A lógica também se desfaz quando se imagina que ninguém troca sua fiação interna quando é obrigado a trocar sua tomada por uma de 20 A.

O aspecto mais importante é que tal decisão foi tomada ao mesmo tempo em que se percebe um aumento de risco nos postes das distribuidoras, Além da visível bagunça, quem fiscaliza o aterramento da rede?


https://epoca.globo.com/tecnologia/noticia/2018/06/sete-anos-depois-quem-ganhou-dinheiro-com-tomadas-de-tres-pinos.html

 

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      4 comentários para “Quem ganhou dinheiro com tomadas de 3 pinos – Revista Epoca

    1. Olavo Cabral Ramos Filho
      25 de junho de 2018 at 13:33

      Existe outra face nessa estoria de 2 polos mais 1 polo que precisa ser lembrada.

      Mesmo nesse pequeno varejinho, o CEPEL, resposavel pelo plug e pela tomada, ousou fazer desenvolvimento tecnológico no país.

      Nossa autonomia em desenvovimento científico, tecnológico e em engenharia só acontecerá com força se nos dedicarmos,
      para começar, a tais varejinhos……

    2. 26 de junho de 2018 at 22:58

      A matéria foi publicada em revista de grande circulação que já fez reportagens investigativas premiadas, o que induziu os leitores a acreditarem piamente na versão. Só que os profissionais que acompanharam este tema desde a emissão da norma (1998) apontaram nos comentários no LinkedIn e no Facebook, diversas inconsistências, denunciando inverdades. Tanto não houve favorecimento a qualquer fabricante, que até a 2a. edição da norma (2002), não havia anúncios na mídia. A revista Eletricidade Moderna fez uma campanha institucional, estimulando os fabricantes a divulgarem seu novo produto, e em junho de 2005 surgiram então os resultados da campanha. Portanto, até a implantação do padrão (proibição de venda de outros modelos de plugue e tomada) em 2011, vários fabricantes colocaram seus produtos no mercado, derrubando as teses da Época de “só um fabricante tinha as máquinas”, “fábrica inutilizada” e “corrupção de deputados para aprovarem um padrão que só um fabricante tinha”, etc.
      A MENTIRA TEM PERNAS CURTAS!!!! Ainda bem!

      • Roberto D'Araujo
        27 de junho de 2018 at 9:13

        É preciso não misturar os problemas. O Ilumina entende que o processo descrito pela revista Época quanto aos fabricantes das tomadas e adaptadores esteja contando um acerto que não ocorreu.
        Uma outra coisa é a adoção repentina de um padrão que exigiria residências com circuito de aterramento em todas as tomadas. Os que apoiam essa opção, por mais técnica que seja, devem entender que há algo mais a ser explicado, pois o circuito elétrico se estende além das residências.
        Evidentemente o aterramento protege equipamentos, mas impor uma tomada onde um orifício está ligado a nada na grande maioria das instalações, isso sim é uma jabuticaba. Se quiséssemos adotar esse padrão sem provocar as desconfianças da reportagem, bastaria adotar a tomada “universal”. Não porque ela seja realmente universal, mas porque ela era o padrão mais usado no Brasil.
        A análise sobre o pino ligeiramente mais grosso para os 20 A também não tem lógica elétrica. A transmissão da corrente se faz pela área de contato do pino com a tomada. Evidentemente essa área na tomada 20 A não é o dobro da de 10 A. A lógica também se desfaz quando se imagina que ninguém troca sua fiação interna quando é obrigado a trocar sua tomada por uma de 20 A.
        O aspecto mais importante é que tal decisão foi tomada ao mesmo tempo em que se percebe um aumento de risco nos postes das distribuidoras, Além da visível bagunça, quem fiscaliza o aterramento da rede?

    3. José Antonio Feijó de Melo
      27 de junho de 2018 at 19:25

      Pessoalmente sempre fui contra a adoção desse padrão de tomadas esdruxulo dos três pinos implantado no Brasil sob o equivocado argumento de segurança, seja esta obtida através do ponto de aterramento, seja pela retração dos orifícios que minimizaria a possibilidade de choque elétrico dentro das residências, particularmente em crianças . Em outras palavras, achei uma grande bobagem, como foi por exemplo a exigência do kit de primeiros socorros para todos os veículos, lembra disso?
      Esta minha posição decorre principalmente do fato de que na quase totalidade das residências do Brasil não existe o terceiro fio (terra) na rede interna, mas apenas dois: o fase e o neutro, este não necessariamente ligado à terra na rede das distribuidoras, bem como da constatação de que o modelo proposto era estranho, diferente de tudo o que é utilizado na grande maioria dos países.
      Mas. a bem da verdade, nunca tive qualquer informação de que neste caso haveria interesse de se privilegiar um ou outro fabricante. Neste particular, toda a engenharia brasileira sabe muito bem da importância da ABNT e da competência e lisura que sempre caracterizaram a adoção de normas e padrões pela referida associação que, inclusive, antes de serem adotados passam por um processo de discussão e análise exaustiva envolvendo grande número de técnicos..
      Assim, não dou crédito às acusações feitas pela revista.

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