Setor elétrico brasileiro: Erros em sequência – Capítulo V

À primeira vista, independente do destino da energia barata, quem olha o gráfico de preços do mercado livre da figura abaixo, poderia dizer que houve uma sobra de energia que durou 10 anos.

Nada mais equivocado. Na realidade, essa sobra existiu por apenas 3 anos como consequência do racionamento de 2001, quando a demanda se retraiu cerca de 15%. Entretanto, como deixa evidente a figura abaixo, o consumo tangenciou a garantia de todas as usinas por um longo período.

Geração e Garantia Física total.

Como se pode perceber, de 2009 até 2014, a geração de todas as usinas chegou ao limite da garantia física do sistema.

Como há evidências de que esse limite da GF está superestimado, passamos por um período de 5 anos de déficit estrutural de oferta e, consequentemente, de aumento de risco. Por que nada aconteceu?

Energias naturais (afluências traduzidas em energia) do histórico.

Simplesmente porque a série de hidrologia da sequência de anos 2007 até 2011 foram extremamente favoráveis, pois nenhum desses anos apresentou afluências abaixo da média. Os anos 2009 e 2011 apresentaram energias naturais 25% acima da média. Esse detalhe é de extrema importância.

No Brasil, pelo critério vigente, mesmo quando a oferta de energia é insuficiente, a hidrologia tropical exuberante é capaz de distorcer os preços no sentido inverso. Portanto, o sistema de preços indexados ao PLD, além de sinalizarem o inverso do equilíbrio insuficiente, permite que apenas o mercado livre se aproveite dessa anomalia.

Talvez por isso se possa entender porque parte dos agentes do mercado não querem eliminar o PLD (que emula o Custo Marginal de Operação) como “referência” na formação de preços.

Aos poucos é possível perceber os erros sequenciados.

Tem mais!

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