O que está por trás da MP 688, a mais nova cambalhota do setor.

O que está por trás da aprovação da MP 688

http://noticias.r7.com/economia/senado-aprova-conversao-da-mp-688-em-lei-e-viabiliza-leilao-de-usinas-amanha-25112015

Comentário:

Foi aprovada no Senado a medida provisória 688 que, mais uma vez, “quebra o galho”, de barbeiragens anteriores feitas no setor elétrico.

A má notícia para os consumidores é a de sempre: vocês vão pagar a conta. As “bondades” e “maldades” podem ser lidas na reportagem.

Ao ILUMINA cabe mostrar em bom e direto português as decisões oclusas dessa medida que logo irá se tornar lei.

  1. Fica decidido que o consumidor é o responsável pela falta de chuva suficiente para gerar um valor de energia por usina hidroelétrica que não é decisão da usina e que ele não tem a mínima ideia de como é determinado.
  2. Fica decidido que, apesar do sistema integrado brasileiro ser capaz de reservar o equivalente a 5 meses de consumo em todo o país, uma quantidade de energia maior do que a energia elétrica consumida em muitos países, ele não é capaz de gerir essa reserva de tal modo que esse déficit de geração não ocorra.
  3. Fica decidido que o parque térmico contratado pelos gestores, sabidamente de alto custo, contabilizado como oferta, mas utilizado tardiamente, esvazia reservatórios, mas é assim mesmo que se gere um sistema.
  4. Fica decido que os três anos hidrológicos iniciados em 2012 são os piores da história, apesar dos dados negarem essa afirmação.
  5. Fica decidido que a geração térmica, que era mantida no entorno de 9% da carga até setembro de 2012 e que subitamente salta para 23%, é uma decisão adequada para a gestão dos reservatórios.
  6. Fica decidido que essa alteração súbita (de 9% para 23%), no mesmo mês do anúncio da redução tarifária decorrente da medida provisória 579, é apenas uma enorme coincidência.
  7. Fica decidido que, apesar das evidências de mudanças climáticas que podem estar afetando a hidrologia dos rios brasileiros, onde o caso do S. Francisco é o mais gritante, nenhuma redução de certificados de usinas será considerada.
  8. Fica decidido que existem usinas amortizadas A e amortizadas B. As amortizadas A eram da Eletrobrás e passam a ser da união. As amortizadas B serão leiloadas ao setor privado.
  9. Fica decidido que, apesar de não haver diferenças entre a amortização das A e B, elas são diferentes.
  10. Fica decidido que as usinas A são exclusivamente para baixar tarifas. As usinas B são para arrecadar dinheiro para o superávit primário.
  11. Fica decidido que as usinas A são operadas com um custo determinado pelo governo. As usinas B podem decidir o valor até um teto.
  12. Fica decidido que, apesar da amortização das usinas B poder ter sido até maior do que a amortização A, 30% da energia dessas usinas será privatizada.
  13. Fica decidido que a amortização B, sendo maior do que 70% do investimento, esse excesso será perdido.
  14. Fica decidido que custos operacionais (por exemplo: adquirir energia no mercado para cobrir déficits) podem ser transformados em ativos (por exemplo: trocar transformadores). É a mesma coisa.
  15. Fica decidido que atrasos de obras não existem.
  16. Fica decidido que decisões dos gestores do setor, mesmo quando resultem em aumento de custos para a sociedade brasileira, estão isentas de responsabilidade.

E, finalmente:

  1. Fica decidido que o consumidor brasileiro é um idiota.

Esperamos ter esclarecido o “espírito” da lei.

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