Comentário: Será que alguém ainda acredita que os conflitos entre energia e outros usos da água não irão se expandir? Há alguém ainda nesse país que ache que municípios vizinhos à reservatórios vão permanentemente assistir o sumiço da sua água sem reagir? Essas desavenças já estavam presentes nas usinas do Oregon, USA na década de 70. Esse assunto já é comum em países cujas instituições funcionam. Aqui, infelizmente, estamos na idade da pedra em termos de cooperação entre empresas, agências e mesmo ministérios.
É bom lembrar que, a medida que essas vozes passem a ser ouvidas, o impacto sobre a maneira de operar o sistema será enorme. Imaginem sobre o modelo que fixa valores de energia por usina dependentes do critério de operação?
Até agora, nenhuma palavra sobre o assunto.
Em nota divulgada nesta terça-feira, 12, Operador Nacional do Sistema Elétrico afirma que, sem chuvas significativas, medida do governo de São Paulo prejudicará três reservatórios.
Tiago Queiroz
O ONS afirma que agora aguarda o posicionamento da Aneel e da ANA sobre o assunto
SÃO PAULO – Se não houver chuvas significativas, a redução da vazão da Represa Jaguari, determinada pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB) para economizar água, causará o esvaziamento dos reservatórios de Paraibuna, Santa Branca e Funil e o colapso do abastecimento de cidades em São Paulo e no Rio de Janeiro. As informações constam em nota divulgada nesta terça-feira, 12, pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). No início da tarde, a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) foi notificada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a cumprir despacho do ONS que determina o aumento da vazão.
Na nota, o ONS afirma que em 4 de agosto já havia informado à Agência Nacional de Águas (ANA) e à Cesp que considerava inviável atender à solicitação da companhia para reduzir a vazão da represa. Segundo o operador, no dia seguinte, antes da posição da ANA a Cesp notificou o ONS de que adotaria a vazão reduzida.
“De imediato, o ONS reiterou à Cesp sua posição, com cópia para MME, Aneel e ANA. Ao longo do dia 6/8, a Cesp manteve a geração de Jaguari em 3 MW, com defluência de 10 m3/s. Tendo em vista a gravidade do descumprimento dos procedimentos operativos, o ONS elaborou o Relatório de Não-Conformidade, enviado à Cesp e à Aneel para a adoção do procedimento administrativo cabível”, afirma o texto do ONS.
O ONS afirma que agora aguarda o posicionamento da Aneel e da ANA sobre o assunto.