Comentário: No carente e doente capitalismo brasileiro, os “BNDESSES” (*) se multiplicam.
Além do próprio BNDES, temos a Caixa, e o Banco do Brasil. O setor elétrico não poderia ficar para trás e, prontamente, a Eletrobrás também aceita o papel de ambulância.
- E não começou agora! Lá atrás, de 2003 até 2007, a Eletrobrás patrocinou a explosão do mercado livre com a liquidação de energia firme, assegurada, garantida por menos de R$ 10/MWh.
- Está difícil viabilizar algumas usinas? Não há problemas! A EletroBNDES entra de sócia.
- Na privatização “o mercado” não se interessou pelas empresas de alguns estados porque dão prejuízo? Não se apoquente! Joga na Eletrobrás que ela aguenta.
- A tarifa só sobe desde 1995? O Brasil tem preço de país dependente de combustíveis fósseis? A indústria reclamou? Pode dormir sossegado! A EletroBNDES dá energia gratuita para compensar.
E depois, se a Eletrobras não aguentar, ainda tem o “tesouro” e o próspero setor financeiro brasileiro para dar uma ajudinha.
(*) Qualquer semelhança com a palavra “BENESSES” é mera coincidência!
Por Claudia Facchini | De São Paulo
O governo federal socorreu nesta semana a distribuidora de energia de Goiás, a Celg, livrando a empresa de ter sua concessão extinta pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) por caducidade, em razão do agravamento de sua crise financeira. Estima-se que o passivo da Celg já se aproxime de R$ 10 bilhões, rombo que ficaria com o Estado caso o atual contrato de concessão fosse extinto.
Em comunicado, a Eletrobras informou ao mercado que aceitou finalmente comprar 51% do capital da distribuidora goiana por R$ 59,5 milhões, após reuniões realizadas no início deste mês entre o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão.
Com o compromisso de federalização em mãos, a Celg negocia neste momento um novo empréstimo, de R$ 1,9 bilhão. Segundo o diretor de regulação da distribuidora goiana, Elie Chidiac, as negociações envolvem a Caixa Econômica Federal, bem como com outros bancos, e estão avançadas. Ele prevê concluir a operação em um ou dois meses. Em 2012, a Caixa já havia concedido financiamento de R$ 3,5 bilhões à Celg, mas que não cobriu todo o passivo descoberto.
Segundo Chediac, os novos recursos vão estancar a sangria e zerar o rombo de R$ 1,6 bilhão no patrimônio líquido. Ele diz que com aportes e federalização, a Celg poderá renegociar suas dívidas por taxas de juros até “três vezes mais baixas” do que as que paga atualmente aos bancos. Só no primeiro semestre, a distribuidora acumulou prejuízo de R$ 500 milhões.
A companhia ainda deve R$ 220 milhões em ICMS para o Estado e passou a ficar inadimplente na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), por não ter pago a conta de R$ 27 milhões na liquidação de contratos de curto prazo em junho. Se não quitar essa dívida, a Celg pode ser desligada da câmara. Todavia, diz Chediac, o débito pode ser liquidado com crédito de R$ 74 milhões a receber da União.
Os problemas da distribuidora se arrastam há mais de dez anos, quando o Estado vendeu os negócios de geração. Mas, afirma Chediac, a situação agravou-se com a seca enfrentada neste ano, o que fez com que os preços da energia atingissem altas históricas. A crise abalou todas as distribuidoras, mas levou a Celg à lona.
Como se não bastassem os problemas, diz Chediac, a Celg deixou de faturar R$ 180 milhões com a falência da Evoluti, terceirizada que era responsável pela leitura de 60% dos medidores e que quebrou em maio, apenas três meses antes do fim do seu contrato com a Celg. Outra prestadora de serviços já foi contratada e a Celg espera recuperar a receita que deixou de faturar. O Estado também deve entrar na Justiça contra a Evoluti, diz o executivo.
Procurada, a Caixa não se manifestou até o fechamento da edição.