Com crise hídrica, térmicas de Pecém, no Ceará, ameaçam parar – Estadão.

Análise do ILUMINA: Leiam a reportagem abaixo para ter uma vaga ideia da profundidade dos problemas que o setor elétrico brasileiro enfrenta com a modelagem vigente desde 1995. Depois, surpreendam-se com algumas contas simples, face às potencialidades desprezadas no Brasil.

O consumo total do Estado do Ceará em 2015, segundo dados da EPE, foi de aproximadamente 11 TWh. Segundo a reportagem, atualmente, as térmicas estão gerando 60% do consumo atual. Evidentemente, essa dependência não dura todo o ano. Digamos que, em média, 30% da energia do Ceará dependa delas.

Agora, vamos imaginar que essa região do planeta tenha o mesmo nível de insolação do Estado de Michigan, nos Estados Unidos, hemisfério norte. Lá, placas fotovoltaicas podem captar 3,8 Wh/m2/dia.

Imaginando que apenas 60% dos dias do ano tenham insolação plena, um metro quadrado pode gerar 3,8 x 365 x 0,6 = 788,4 Wh no ano.

O consumo de 11 TWh significa 11.000.000.000 Wh. Portanto, dividindo esse número pelo anterior, teríamos aproximadamente 14.000.000 metros quadrados.

O estado do Ceará tem 148.826 km². Portanto, com apenas 0,001 % do território cearense, nós poderíamos gerar TODA a energia consumida no ano de 2015!

Não vamos exigir tanto. Vamos imaginar que apenas 30% da energia total possa ser gerada por placas solares. Ou seja, 3,3 TWh. Vamos imaginar também que essa energia seja gerada nos telhados de casas e prédios.

Supondo telhados que possam instalar 20 m2 de placas solares, 400.000 domicílios poderiam gerar essa energia. O estado tem 1.800.000 domicílios só na área urbana. Não estamos contando prédios comerciais e nem terrenos onde se possa instalar as placas!!

Claro que esses kWh “solares” seriam gerados no período de insolação. Mas, sistemas com reservatório podem guardar essa energia que seria usada no período noturno ou nos dias chuvosos. Com essa economia, o Pará poderia se livrar de grande parte da energia térmica que necessita hoje.

Mas, ainda estamos esquecendo uma coisa! A produtividade solar no estado do Ceará é o dobro da do estado de Michigan! Portanto, com 200.000 telhados, poderíamos gerar 30% da energia do estado.

Evidentemente, se estamos falando em energia “economizada” junto à carga para ser guardada em reservatórios, estamos falando de transmissão. Esse é um grande problema, pois, depois das reformas “mercantis”, parece que o Brasil esqueceu que cabos de transmissão funcionam como vasos comunicantes entre reservatórios. Ultimamente estamos deixando essa função num segundo plano muito preocupante!

Esse exemplo dá uma ideia do atraso tecnológico, de modelagem e de rumos no país. Para que um pouco dessas contas aconteçam, com esse modelo não dá!


 

Depois de serem acionadas a plena carga para que as hidrelétricas pudessem poupar seus reservatórios, algumas usinas térmicas estão em vias de serem desligadas, justamente por causa do grande volume de água que consomem para gerar energia. Na semana passada, as duas maiores térmicas movidas a carvão do País, Pecém I e II, que operam no Porto de Pecém, no Ceará, informaram à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que não terão mais condições de continuar em funcionamento, caso o preço da energia que vendem não seja reajustado para acompanhar a explosão do custo da água no Estado.

A origem do problema está na pior crise hídrica dos últimos 66 anos enfrentada pelo Ceará. Como essas térmicas necessitam de muita água para resfriar suas máquinas – um volume equivalente a 6% do consumo diário de Fortaleza – , o governo cearense, preocupado com o abastecimento da população, decidiu atacar no preço e criou uma cobrança específica para essas usinas, o Encargo Hídrico Emergencial.

Na semana passada, os carteiros entregaram nos escritórios das empresas Eneva e EDP, donas das duas usinas, as primeiras contas de água com a taxa extra embutida. A fatura referente ao mês de setembro chega a R$ 1,308 milhão decorrente do consumo de água, mas acrescenta outros R$ 9,125 milhões relativos ao novo encargo. Os empresários reagiram de imediato, bateram na porta da Aneel e ameaçaram desligar as máquinas.

“Em poucas semanas de geração com esse custo extraordinário, os agentes (empresas) não terão recursos para pagamento de combustível e/ou operação e manutenção e da própria água”, declararam as empresas, em carta enviada à agência. “Em face desses prejuízos insustentáveis, os agentes não terão outra alternativa senão paralisar a operação do complexo termoelétrico, caso haja o despacho do complexo sem o devido repasse desses custos adicionais.”

Na prática, o que os geradores pedem é uma revisão de suas tarifas já neste mês de outubro e enquanto durar a cobrança do encargo, previsto para ser recolhido mensalmente até agosto de 2017.

Equilíbrio. De acordo com o ex-diretor da Aneel Edvaldo Alves de Santana, o pedido das empresas tem respaldo na lei das concessões, que prevê o repasse de qualquer tributo ou encargo à tarifa, caso seja comprovado que os custos afetam o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos. “A lei estabelece que qualquer novo encargo deve ser obrigatoriamente repassado às tarifas. Isso já foi feito em casos semelhantes”, disse.

Se a agência acatar a solicitação, avalia Santana, o gasto será assumido pelos agentes que estiverem expostos ao mercado à vista de energia, no qual empresas fazem a compra de energia diretamente com os geradores. Como as distribuidoras estão com excesso de energia contratada, em tese, esse rombo não atingiria os consumidores residenciais.

Apesar de Pecém I e II gerarem um volume de energia equivalente a 60% do consumo de todo o Ceará, o governo estadual parece não estar preocupado com o eventual desligamento das usinas, porque conta com o benefício de estar conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN), que distribui energia entre quase todos os Estados do País.

O governo do Ceará não quis comentar o assunto. O Ministério de Minas e Energia informou que o caso é atribuição da Aneel. A agência não se manifestou até o fechamento da reportagem.

As empresas Eneva e EDP informaram, por meio de comunicado, que estão “em tratativas com os órgãos competentes”, e que estão em busca de “uma solução que será benéfica para todos os envolvidos, sem prejudicar a segurança energética do Estado do Ceará e/ou a saúde financeira dos empreendimentos”.

Isso afeta o consumidor?

  1. As Usinas de Pecém I e II geram um volume de energia equivalente a 60% do consumo do Ceará
  2. O Estado conta, no entanto, com o benefício de estar conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN), que distribui energia entre quase todos os Estados do País.
  3. Se a Aneel acatar o pedido de reajuste de preços feito pelas usinas, isso seria assumido por empresas que estão expostas ao mercado à vista de energia, onde se compra de energia diretamente dos geradores.
  4. Como as distribuidoras estão com excesso de energia contratada, em tese, esse rombo não atingiria os consumidores residenciais.

 

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