O ILUMINA deseja um Feliz Natal

 

Apesar de tantas decepções e descaminhos, o Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético, uma entidade que monitora quase tudo o que ocorreu no setor há 20 anos (*), deseja aos seus associados e aos que acessam nossas páginas um Feliz Natal e um 2017 que aponte um futuro melhor para o país.

Aproveitamos a oportunidade para agradecer os quase 800.000 acessos do site e para apontar os 7 problemas (assim como as bolas da árvore) que precisamos resolver para que um setor tão básico deixe de ser preocupação constante da sociedade brasileira:

  1. Realizar um diagnóstico amplo e profundo que aponte as razões da incomum elevação tarifária que afetou a vida econômica do País nos últimos 20 anos.
  2. Recuperar a capacidade de investimento da Eletrobras, atingida inutilmente pela intervenção da equivocada lei 2183/2013 que foi incapaz de reduzir custos.
  3. Entender de uma vez por todas que, se a solução dos problemas será pela privatização de empresas, inclusive da própria Eletrobras, ela precisa ser precedida de fortalecimento das agências reguladoras dotando-as de real capacidade de fiscalização. Esse tipo de solução precisa ser entendido como demandante de significativas mudanças no próprio estado.
  4. Reformar profundamente a modelagem do setor que, há mais de duas décadas apresenta uma instabilidade incomum num setor fundamental para a economia.
  5. Reconhecer que as mudanças tecnológicas, (principalmente energia solar) irão impactar profundamente o setor. O Brasil não pode perder a oportunidade de aproveitar os impactos positivos que ocorrerão no nosso singular sistema.
  6. Interromper as tentativas de mimetização da realidade de outros mercados de energia que fragmentam e distorcem a nossa singular configuração física.
  7. Manter o ILUMINA prestando um serviço de informação de questões complexas que estão embutidas nas nossas contas de luz.

(*) O ILUMINA tem um vasto material de pesquisa, sempre baseando suas análises em dados oficiais. Convidamos a nossos leitores a usarem a ferramenta de pesquisa à direita e em cima para procurar qualquer assunto relacionado ao setor energético.

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7 respostas

  1. Caro Roberto e demais companheiros do Ilumina
    Antes de tudo um feliz natal para todos e um ano de muita coragem para enfrentar os desafios. Quero parabenizar o seu trabalho, incansável e fundamental para termos um entendimento geral sobre o setor elétrico brasileiro. A discussão que trago é somente sobre o item 3 quando você reivindica um fortalecimento da Eletrobrás mesmo que a intenção final seja privatizá-la. Gostaria de dizer que as duas coisas são incompatíveis. A visão privatista que imperou durante os anos FHC e mesmo nos governos Lula e Dilma que foram eleitos com a finalidade de combatê-la, não desapareceu de todo, sendo reeditadas de forma mais light em muitas das politicas desses governos. Ela se acentuou no segundo governo Dilma com a admissão de pseudoreformas (com o viés neoliberal) como a da previdência ou a flexibilização das leis trabalhistas refletindo uma falta de firmeza politica e ideológica de Dilma e uma ruptura com sua campanha eleitoral e com os compromissos originais que resultaram em sua eleição. Roberto, considero que um fortalecimento da Eletrobrás como empresa pública somente vai acontecer com uma mudança de visão politica o que jamais vai acontecer com governos do tipo Temer que representam o dominio do mercado e do capital sobre a sociedade. Ele não está ai para isto, mas para fazer um outro dever de casa que é implementar politicas que tenham por finalidade aumentar o dominio do capital e de sua acumulação sobre a sociedade. Veja a PEC do limite dos gastos. Não existe nenhuma restrição sobre o pagamento dos juros dessa divida pública que em grande parte é virtual. A sociedade brasileira “deve” 70 % do PIB e consome 50% do seu orçamento com esta “dívida”. É possível viver assim? Com o agiota na porta as 7 h da manhã todos os dias? Este grupo que assumiu o poder, por um golpe com punhos de renda, travestido de legalidade e de obediência a Constituição está ai para cumprir esta missão. O fortalecimento da Eletrobrás e de um setor público de energia somente virá com uma mudança no campo político que rompa com esta visão de sociedade.

    1. Agamenon;

      Desculpe a demora, mas nessa época de Natal, eu só vi agora.
      Quanto ao item 3, você me conhece e sabe que não sou favorável à privatização de estatais estratégicas como a Eletrobras. Entretanto, você há de convir que aquela Eletrobras que conhecemos deixou de existir. Foi ameaçada de venda no governo FHC, mas o golpe certeiro foi aplicado no governo DILMA. A minha crítica é mais ampla. Nós não dominamos a ciência da privatização. Não temos sequer agências respeitáveis. Mesmo as vendas que foram realizadas, por exemplo Telecomunicações, Ferrovias e Estradas, geram obrigações financeiras para o estado, quando deveriam libertá-lo para que possa se aprimorar em outros setores. Isso é o inverso do objetivo pretendido.
      A PEC dos gastos é como o avião da Chapecoense. Um limite do combustível e um avião sem rumo. Infelizmente as alianças feitas pelo governo que se dizia “de esquerda” levaram ao que há de pior na política.
      Um abraço e um 2017 com alguma luz no fim do tunel.

  2. Querido amigo Roberto, parabéns pelo teu tabalho incansável discutindo os inumeros problemas desse setor elétrico no Ilumina; este setor que como sanfona vai tendo que estar beirando o apagão para ter suas questões enfrentadas, e depois esquecidas quando as coisas entram em ordem ou quando a demanda encolhe…
    Só compelementado tuas lista vale assinalar dois pontos:
    (1) é preciso pensar em como compatibilizar sinais de mercado com nosso modelo regulador que ainda é questão pendente; sem compartilhar a visão mais radical do Adilson, porque acho que sem contratos de longo prazo poucos investidores conseguem viabilizar os investimentos maiores, ainda mais agora com a Eletrobras com ebitda capenga…, mas ainda assim como ex-modeleiro, também acho que querer resposta detalhadas de um modelo é pedir demais ( tipo voar em aeromodelo..), ainda mais quando elas implicam em ganhos e perdas reais;
    (2) hoje o Brasil se orgulha de uma matriz elétrica limpa.. uma das mais limpas do mundo… mas a verdade é que daqui para frente se queremos ( e devemos) preservar essa situação, isso não se fará sem custos e nem sem uma clara vontade política ( deus nos livre do Trump…); me alinho com quem acredita que temos o dever de apostar no fator antropogênico como responsável pelo aquecimento golobal, e isso implica em nos livrarmos dos combustíveis fósseis ao longo desse século. Temos então que responder seriamente à questão: vamos ou não fazer as hidrelétricas da Amazonia? não sei a resposta mas a questão tem que ser bem refletida; e vamos fazer as eólicas e solares que possível for, de preferência reforçando o desenvolvimento industrial e tecnológico correlato, acompanhadas de hidrelétricas reversíveis (cobrado por capacidade? com tarifa horária? smart grid?); enfim matriz limpa requer agora decisões firmes e claras mesmo pagando o preço (que aliás não sabemos bem como medir ainda..)…
    Enfim, um ótimo Natal para você e família e que 2017 seja pelo menos um poquinho melhor que 2016.. e que as instituições continuem evoluindo…

    1. Ruderico;

      Espero poder contar com a sua opinião que sempre respeitei.
      O que precisamos é de diálogo, totalmente interrompido no governo Dilma e, apesar de termos tido algumas conversas com pessoas que estão no governo agora, o silêncio continua.
      Estamos ainda escorregando na superfície “melada” de algo que não é nem mercado e nem serviço público. Não me surpreende, pois, como sabemos, esse é o “jeitinho” do Brasil. Nada de rumos claramente definidos. E assim vamos assistindo sem poder fazer nada de efetivo.
      Feliz Natal e espero reencontrá-lo em 2017.

      Abcs

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