Três conselheiros da CCEE deixam cargos, um dia após aprovação de ajuda para distribuidoras de energia – Estado de SP

Comentário: Parece que perdido no mar de trapalhadas onde está mergulhado o setor elétrico brasileiro há ainda algum bom senso sobrevivente. Os 3 conselheiros dos 5 que pediram demissão resolveram não compactuar com mais esse item da lista de absurdos que invadem o nosso cotidiano.

Nesse momento, não há muito a comentar, pois a medida que provocou a demissão é algo esdrúxulo, bizarro e arriscado em qualquer setor elétrico no planeta. Talvez seja mais importante colocar essa questão junto aos outros absurdos. Essa coleção é um verdadeiro desafio para a nossa complacência:

  1. A medida é autoritária e altamente arriscada, pois o governo está obrigando os consumidores a financiar um custo de 2014 apenas para empurrar com a barriga gastos do tesouro e inflação. Está inventado o JUROWATT!
  2. Como a CCEE não tem patrimônio, os conselheiros podem responder com os próprios bens por demandas judiciais que podem ocorrer.

Algumas das outras bizarrices:

  1. Um mercado livre que apresenta diferenças de preços de 5.100%, algo impensável em qualquer mercado de energia.
  2. Usinas hidroelétricas com aproximadamente a mesma idade, onde algumas vendem sua energia por R$ 7/MWh enquanto outras vendem por R$ 300/MWh.
  3. Custos de O&M extremamente baixos definidos autoritariamente para tentar reduzir a tarifa final, apesar do preço do kWh hidráulico não ser a causa da alta tarifa brasileira.
  4. Descontratação das estatais em 2003 provocou um verdadeiro “Bolsa MW” com a“doação” de energia até por R$ 4/MWh.

Qualquer um desses eventos já deveria ser suficiente para se reconhecer que há algo muito errado com o modelo brasileiro. Mas, que reação esperar de um país que convive com o caos na saúde, no transporte e na educação há décadas? Não seria apenas a inclusão do setor elétrico nesse padrão?


Maria Lima

Henrique Gomes Batista

RIO – A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) confirmou na tarde desta quarta-feira que três de seus cinco conselheiros saíram da câmara: Luciano Freire, Paulo Born e Ricardo Lima. Segundo nota da CCEE, a motivação foi pessoal, mas fontes do setor afirmam que a motivação para o desligamento foi a oposição aos rumos que o setor elétrico tem tomado, com aumento dos subsídios para o setor, que está pagando mais caro pela energia por causa do uso das termelétricas, necessárias neste verão de poucas chuvas que afetou a produção das hidrelétricas.

A decisão do desligamento ocorre um dia após a CCEE aprovar contratação de empréstimo para ajudar as distribuidorasa de energia. Na terça-feira, a CCEE informou que nove dos 13 bancos anunciados como possíveis participantes do empréstimo para ajudar as distribuidoras de enertgia no curto prazo vão integrar a operação, que pode chegar a R$ 11,2 bilhões. Também foi divulgado hoje que as distribuidoras precisam de R$ 4,7 bilhões para cobrir os gastos extras de fevereiro, quando houve a contratação de energia mais cara para suprir a demanda, também em alta por causa da onda de calor que assolou o país.

Luciano Freire estava no seu segundo mandato, tendo assumido o cargo em 2008. Paulo Born era membro do conselho desde 2012 e Ricardo Lima estava no posto desde 2011. “A CCEE agradece aos executivos pela dedicação durante seus respectivos mandatos. A entidade informa que convocará Assembleia Geral Extraordináriapara o início de maio na qual ocorrerá a eleição de novos conselheiros”, informou a nota.

Luiz Euardo Barata Ferreira, atual presidente do Conselho de Administração, acumula o cargo de superintendente da CCEE desde maio de 2011, não vai comentar os desligamentos, segundo a assessoria da CCEE. “A contratação de financiamento, pela CCEE, para captação de recursos para a Conta-ACR foi aprovada por 87% dos agentes em Assembleia ontem (22/4), enquanto 12% preferiram abster-se e 0,13% votaram contrariamente à proposta. A Assembleia contou com a presença de 70% dos associados à CCEE”, informou a nota.

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