Comentário: Os engenheiros hidráulicos sabem que um dos grandes problemas das turbinas é a deterioração das pás devido à “cavitação”. Trata-se da formação de pequeninas bolhas de ar que “corroem” a superfície das pás. Quanto mais vazio o reservatório menor a pressão na entrada da turbina. Quanto menor a pressão d’água sobre as turbinas, maior a probabilidade de ocorrer o fenômeno.

Com os atuais equívocos de gestão do setor, há uma enorme probabilidade de que os reservatórios diminuam seu nível operativo além do padrão normal. Nessa situação, uma vez que as térmicas não atingiriam 30% da carga, é provável que as turbinas operem em seus limites máximos ou até mesmo em sobrecarga. Como consequências disto, muitas usinas podem ser obrigadas a operar com algum nível de cavitação.
O que talvez não esteja sendo levado em conta numa avaliação realista do que pode ocorrer é que turbinas tenham que ser desligadas antes que esse fenômeno se agrave, o que faz problema muito mais grave do que se imagina.
Ramona Ordoñez
RIO – O nível dos reservatórios das principais usinas hidrelétricas do país deverá permanecer praticamente na mesma média de abril, segundo dados do Programa Mensal de Operação (PMO) divulgados nesta sexta-feira pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Com isso, os níveis dos reservatórios no Sudeste/Centro-Oeste, responsáveis por 70% da geração elétrica do país, não chegarão ao patamar mínimo de 43% – terão em maio capacidade de 38,5% -, que garantiriam o abastecimento de energia neste ano, segundo o órgão.
Este patamar mínimo de armazenamento daria segurança ao setor durante o período de seca. Se este nível fosse alcançado, em novembro os reservatórios estarariam entre 30% e 40%, o que garantiria o abastecimento em 2015, segundo dados do diretor geral do ONS, Hermes Chipp, em fevereiro.
Segundo o PMO, em maio o nível dos reservatórios da Região Sudeste deverá crescer apenas 1,6 pontos percentuais, passando dos 36,9% registrados no final de abril, para 38,5%. Na Região Sul, o ONS prevê uma piora nos reservatórios das usinas, com uma queda 1,5 pontos percentuais, passando da média de 46,2% em abril para 44,6%.
Para o Nordeste está previsto um aumento de 1,6 pontos percentuais, passando de 41,7% em abril para 43,2% em maio. A situação mais tranquila continua sendo na região Norte, onde o índice de chuvas tem sido bem elevado nos últimos meses. Segundo o ONS, o nível do reservatório das usinas vai aumentar 5,3 pontos percentuais, ficando em 89%, contra 83,8% em abril.
Apesar dos níveis relativamente baixos dos reservatórios ao fim de abril, quando termina o chamado período de chuvas, o relatório do ONS destaca que a afluência das chuvas foi um pouco melhor do que nos meses anteriores, o que permitiu uma ligeira recuperação nos volumes de água armazenados.
Segundo o ONS, nas regiões Sudeste-Centro-Oeste, responsáveis por cerca de 70% da geração total do país, o nível dos reservatórios deve chegar ao dia 2 maio com 39% de água armazenada.
Para a semana de 26 de abril a 2 de maio, o PMO preveê que “deverá ocorrer chuva fraca a moderada nas bacias dos rios Uruguai, Jacuí e Iguaçu. Nas bacias dos rios Tocantins e São Francisco ocorrerão pancadas de chuva.”
A forte seca que baixou o nível dos reservatórios das hidrelétricas levou ao acionamento das usinas termelétricas no país, um fonte mais cara. As termelétricas respondem atualmente por 22% da energia elétrica gerada no país. Distribuidoras como Light, Cemig e Ampla vêm, assim, pagando mais caro pela energia e serão socorridas.
Na terça-feira passada, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) aprovou, sob pressão do governo, a contratação de um empréstimo de R$ 11,2 bilhões para socorrer as distribuidoras de energia. Um dia depois, três de seus cinco conselheiros deixaram o órgão: Luciano Freire, Paulo Born e Ricardo Lima.