Comentário: Em março de 2011, segundo dados da CCEE, as hidráulicas geraram 20% acima da sua garantia física. Certamente a AES Tietê estava entre as hidráulicas que geravam no lugar das térmicas. A pergunta é: Assim como a AES Tietê hoje deve adquirir energia a PLD (822/MWh) para cobrir sua geração insuficiente, qual era a situação simétrica em 2011 (Térmicas adquirindo energia das hidráulicas) ?
Preço do PLD no Sudeste em Março de 2011: R$ 23,41/MWh
É preciso dizer mais?

Por Claudia Facchini | De São Paulo
O déficit na geração das hidrelétricas, fator conhecido como Generation Scaling Factor (GSF), deve ter um impacto negativo de R$ 350 milhões a R$ 500 milhões neste ano no caixa da AES Tietê. A previsão, divulgada ontem pela companhia, fez com que suas ações caíssem 4,6%, apesar dos bons resultados no primeiro trimestre.
A Tietê vende sua produção exclusivamente para a AES Eletropaulo. A geradora possui nove hidrelétricas e três pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) em São Paulo, que entregam para o sistema elétrico um total de 1,278 mil MW médios (garantia física).
O presidente do grupo AES no Brasil, Britaldo Soares, prevê que o déficit na geração hídrica deve se situar entre 6% e 8% em 2014. Mas, na avaliação do analista do banco J.P. Morgan, Marcos Severine, a situação pode se agravar no segundo semestre, elevando o déficit para 10%.
As previsões estão em linha com projeções feitas por fontes do setor, conforme antecipou o Valor PRO, serviço em tempo real do Valor, na segunda-feira. Estima-se que o rebaixamento na geração das hidrelétricas, volume que terá de ser comprado no mercado de curto prazo, pode custar às geradoras até R$ 20 bilhões neste ano.
Segundo Soares, o governo não acenou ainda com medidas para socorrer as empresas de geração, mas ele prevê que as discussões ficarão mais “intensas” à medida que os problemas com o GSF tornarem-se mais evidentes.
O GSF vai de 0 a 1. Quando o fator é inferior 1 num determinado mês, isso significa que a geração foi menor que o volume alocado no sistema brasileiro (MRE). O déficit foi de 3,7% em janeiro e 1,7% em fevereiro, mas saltou para 6,2% em março.
Quando há seca, o Operador Nacional do Sistema (ONS) “puxa” mais energia das térmicas, rebaixando o volume demandado das hidrelétricas. Como as usinas acabam gerando menos do que venderam em seus contratos, precisam comprar a diferença no mercado de curto prazo (spot).
A AES decidiu ser mais transparente e divulgou quanto alocou de energia em cada trimestre: 1,4 mil MW no primeiro, 1,2 mil MW no segundo, 1,258 mil MW no terceiro e 1,243 mil MW no quarto. Desta forma, os investidores vão saber quanto a empresa ficará exposta assim que o GSF for conhecido. Por conta de uma alocação mais favorável, a geradora teve um lucro 93% maior no primeiro trimestre, mas essa vantagem tende a desaparecer ao longo do ano.
A Tractebel, a maior geradora privada do país, fez justamente o inverso. A companhia lucrou 32% menos no primeiro trimestre, resultado pior que o previsto pelos analistas. Mas, em compensação, a Tractebel prevê melhorar seu desempenho no segundo semestre.
A AES Tietê explicou que, em suas premissas, considera um despacho térmico de 15 mil MW médios até fim deste ano, um preço spot do megawatt-hora de R$ 700 e uma vazão dos rios 10% abaixo da média histórica.
Segundo a AES Tietê, infelizmente, não há como fazer “hedge” neste momento, já que não existe liquidez suficiente no mercado spot. Essas operações poderiam proteger o caixa da empresa contra a exposição ao mercado de curto prazo no segundo semestre. Mas quem tem energia disponível em carteira está guardando para si mesmo seus megawatts para não correr riscos futuros, disseram os executivos da companhia.
A situação é crítica no rio Grande. Segundo a AES Tietê, o reservatório da usina Água de Vermelha está 17% apenas. A companhia, porém, não vê risco de que a geração da hidrelétrica tenha de ser paralisada, o que poderia, por exemplo, ser provocado pela entrada de lama nas turbinas.
Uma resposta
O Ilumina tem que fazer essa pergunta ao ONS afinal ele é o responsável pela operação do sistema, e não vale dizer que somente seguiu o resultado do Modelo Matemático.