Comentário do ILUMINA:
As regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste respondem por cerca de 80% do que se consome no Brasil. Como foram 8 meses de racionamento, 66% do tempo. Como se exigiu uma economia de 20%, a conta é: 20% x 66% x 80% x 320TWh = 37.2 TWh. Energia equivalente a usinas que somem aproximadamente 7700 MW! Somem a usina de Furnas ( 1300 MW ), Itumbiara ( 2200 MW ) , Xingó ( 3000 MW ) e Sobradinho ( 1200 MW ). Essas foram as "usinas" virtuais fornecidas pela sociedade e pela qual ela não recebeu um tostão! Pelo contrário! Pagou a mais! E pagará mais ainda! E ai? Fica por isso mesmo? O que espanta é a declaração que "a queda dos preços do MAE pegou os agentes de surpresa"! Esses agentes não devem entender nada do setor elétrico brasileiro! Reparem a política tipo "stop and go" que se percebe no setor. Subitamente, os investidores desanimam fruto da queda de preços. Vem o período seco e ficam esfuziantes! É esse sistema que vai nos garantir no futuro?
Com queda nos preço do MAE, investidores podem desanimar (Estadão 15/02)
Nível dos reservatórios aumenta e derruba preço da energia no mercado atacadista em 93%
ALAOR BARBOSA e RENÉE PEREIRA
O aumento das chuvas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e a conseqüente melhora dos níveis dos reservatórios das principais hidrelétricas do País pode ter uma consequência inesperada. O preço da eletricidade comercializada no Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE) desabou 93% nesta terceira semana de fevereiro e os representantes das empresas acreditam que a volatilidade preços venha a desestimular os investimentos.
Para o presidente da Associação das Grandes Empresas de Geração de Energia Elétrica (Abrage), Flávio Neiva, os grupos investidores poderiam segurar a produção, não colocando a energia no mercado. Além das unidades termoelétricas merchants que somente vendem energia no mercado à vista (spot) toda energia livre, não comprometida em contratos bilaterais, comercializam sua eletricidade pelo preço do MAE. Estão nesse caso, por exemplo, as usinas de Manso, Porto Estrela e as últimas unidades de Porto Primavera. No caso das merchants, porém, os empreededores recebem um acréscimo para pagar o combustível usado na geração de eletricidade.
Segundo Lindolfo Paixão, se não fossem as restrições do setor elétrico, as usinas térmicas não precisariam estar operando já que os reservatórios estão cheios. "Mas, por questões de segurança, o ONS tem de colocar em funcionamento usinas térmicas instaladas próximas dos centros de consumo para evitar problemas como o último blecaute ocorrido no País."
A notícia do novo preço do MAE pegou os agentes do setor de surpresa. Muitos já reclamavam a brusca queda no valor, que deverá prejudicar os resultados de algumas companhias.
A única região com tarifa muito elevada é o Nordeste, com o MWh de energia mantido nos R$ 319,41 pela terceira semana consecutiva. Mesmo assim está bem abaixo dos R$ 562,15 vigentes em janeiro, antes do governo alterar a fórmula de cálculo de preço da energia do MAE e quando ainda não se tinha segurança quanto ao nível de chuvas e o impacto sobre o enchimentos dos reservatórios.
Pelos dados do MAE, o MWh de energia para a região Sul ficou em R$ 8,88 nesta terceira semana de fevereiro, enquanto na região Norte esse indicador atingiu R$ 4,19, que é o menor preço previsto no sistema de cálculo chamado new wave (software utilizado pelo MAE) e que, basicamente, remunera a água vertida nos reservatórios. Pelos dados do Operador Nacional do Sistema (ONS) agora apenas a região Nordeste continua sujeita ao racionamento, e que poderia demandar o uso de energia gerado pelas usinas térmicas de emergência.
Os reservatórios da região sudeste atingiram ontem 53% de sua capacidade, superando o limite superior da curva de segurança traçada pela Câmara de Gestão da Crise de Energia (CGE). A previsão do governo é de que ao se atingir 52% na região sudeste, o país estaria livre do racionamento. O mercado de atacado continua paralisado e deverá ser reativado a partir de primeiro de março, na previsão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Os preços previstos no MAE servem como referência para a compra de energia no mercado emergencial e para os negócios entre as geradoras e distribuidoras de energia elétrica.
Presidente vai lembrar as razões que levaram o país a cortar energia e agradecer a colaboração da sociedade
FHC anuncia fim do racionamento na TV (Folha de S. Paulo 15/02)RENATA GIRALDI
HUMBERTO MEDINA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Fernando Henrique Cardoso fará um pronunciamento em cadeia de rádio e televisão na próxima terça-feira anunciando o fim do racionamento de energia. A Folha apurou que o pronunciamento pode ser antecipado para amanhã. Há um pedido da Presidência da República na Secretaria de Comunicação para um horário em cadeia nacional de rádio e TV para amanhã.
A data exata do fim do racionamento não foi definida pelo governo. De acordo com o que a Folha apurou, a tendência é de o racionamento acabar entre os dias 19 de fevereiro e 1º de março.
O pronunciamento terá pouco mais de um minuto. O anúncio do fim do racionamento, após oito meses de duração, será feito em horário nobre, às 20h30.
Para os técnicos, seria melhor esperar até o fim de fevereiro. Esse seria o tempo ideal para que as distribuidoras de energia preparassem a saída da medida para seus consumidores. Elas precisam concluir os cálculos de arrecadação de sobretaxa e pagamento de bônus para quem economizou.
No texto, FHC lembrará as razões que levaram o governo a determinar o racionamento e elogiará a contribuição da sociedade. Também vai agradecer o apoio prestado pelos consumidores que "entenderam" os motivos que provocaram a necessidade de economizar energia.
O assunto mereceu menção por parte do presidente durante o encontro que teve com o chanceler alemão, Gerhard Schröder, em seminário no Itamaraty. Ele disse que a sociedade foi "solidária" e que cumpriu as metas estabelecidas pelo governo.
FHC falou sobre o racionamento porque os alemães detêm avançada tecnologia relativa à energia. Segundo o presidente, o assunto será incluído na pauta de intercâmbio de conhecimentos entre Brasil e Alemanha. Mas não detalhou a forma como ocorrerá.
Mesmo com o fim do racionamento, o "ministério do apagão" continuará existindo provavelmente até junho ou julho, quando as medidas de reestruturação do setor elétrico devem terminar de ser implementadas.
Segundo pesquisa realizada entre os dias 26, 27 e 18 de janeiro pelas empresas O&P Brasil e Vox Populi a pedido da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) em 183 cidades brasileiras, 72% das pessoas entrevistadas se disseram dispostas a continuar economizando após o término do racionamento.
Em dezembro de 2001, 68% tinham essa intenção. No início do racionamento, apenas 42% se dispunham a economizar energia.
De acordo com a pesquisa, 46% dos entrevistados acreditam que o problema de escassez de energia elétrica foi atenuado, mas ainda é preocupante. Em dezembro passado, o número era de 41%.
O racionamento já poderia ter acabado nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Na quarta-feira, os reservatórios das hidrelétricas dessas regiões chegaram a 54,12% de sua capacidade.
A partir de 52% do nível máximo do volume de água, já seria possível atravessar todo o período seco (maio a novembro) sem precisar gerar energia termelétrica emergencial.
No Nordeste, no entanto, os reservatórios ainda não estão no ponto para suspender o racionamento sem geração termelétrica. Naquela região, na quarta-feira, os reservatórios chegaram a 45,66% de sua capacidade. No Nordeste, o nível para acabar com o racionamento é 48%.
O racionamento no Nordeste acaba mesmo que os reservatórios das hidrelétricas da região não atinjam esse nível até o final de fevereiro. Nesse caso, no entanto, seria preciso gerar energia termelétrica emergencial.
Mesmo que não seja preciso gerar energia emergencial, até 2006 os consumidores pagarão pelo aluguel de 57 usinas termelétricas que ficarão a disposição do governo para gerar energia.
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