É impressionante o que a combinação de notícias pode fazer! 1. Agora é o presidente da Eletropaulo que revela a situação de penúria energética do país. Esse, o mi …


É impressionante o que a combinação de notícias pode fazer!


1. Agora é o presidente da Eletropaulo que revela a situação de penúria energética do país. Esse, o ministro não pode mandar calar a boca, como fez com o diretor da CELG, ainda estatal.


2. "TOURINHO: Governo continua a estudar garantia para térmicas". Leia-se: Tourinho busca mais recursos públicos para entregar aos investidores de térmicas.


3. Só mesmo um govêrno incompetente e irresponsável implanta um mercado atacadista com regulamentação incompleta, retração de oferta e demanda revitalizada. O resultado só poderia ser esse mesmo!


4. O processo de deterioração das empresas estatais continua. Os apagões, por sorte, quase não tem ocorrido, apesar do sucateamento proposital de todo o sistema integrado.


Pode faltar energia elétrica em 2001, diz presidente da Eletropaulo

São Paulo, 25 – A falta de energia pode ser o limite da retomada do crescimento industrial no país no ano que vem. A preocupação com uma possível crise no abastecimento de gás e energia elétrica foi passada nesta quinta por executivos do setor energético no seminário Planejando 2001, promovido pela Câmara de Comércio Americana. O diretor-presidente da Eletropaulo Metropolitana, Marc André Pereira, disse que a situação do fornecimento de energia elétrica no próximo ano "não é muito confortável". Segundo ele, a produção prevista tem um déficit entre 500 megawatts e 1.000 megawatts com relação à demanda, para se alcançar o risco mínimo de desabastecimento.


Pereira ressaltou que a seca deste inverno agrava o problema e foi enfático ao afirmar que "há risco no suprimento de energia". O vice-presidente da Enron América do Sul, José Bestard, defendeu a elaboração de um racionamento para evitar que a produção da indústria seja afetada. O fornecimento de gás natural para usinas termelétricas também poderá sofrer colapso nos próximos anos, conforme informou o superintendente de relações institucionais da Comgás, Carlos Eduardo Brescia. Ele argumenta que o consumo de energia cresce mais do que o PIB. Segundo ele, daqui a cinco anos, o consumo de gás será 19% maior. A falta de investimentos no setor energético é a maior causa apontada pelo diretor-presidente da Eletropaulo para o risco de desabastecimento.


Para ele, o problema é a falta de linhas de crédito para que os empresários do setor possam aumentar a produção. Para cumprir os contratos assumidos em 2001, 1% da energia a ser fornecida terá que ser comprada pela Eletropaulo. O diretor executivo da Associação Brasileira de Grandes Consumidores de Energia (Abrace), Paulo Ludmer, disse que o adiamento da reforma tributária é outro fator que inibe os investimentos no setor. Fonte: Diário do Grande ABC

TOURINHO: Governo continua a estudar garantia para térmicas

BRASÍLIA, 25 – O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, afirmou há pouco que o governo continua estudando a concessão de garantia contra o risco cambial às usinas termelétricas que anteciparem sua operação para 2001. Segundo ele, ainda não está decidido qual instituição vai fazer o seguro (hedge), mas está descartada a participação do Banco do Brasil no processo. "Vamos decidir o mais cedo possível", afirmou. "As empresas não podem ter receita em real e custo em dólar", afirmou. As usinas previstas no programa prioritário do governo vão gerar energia com gás natural importado da Bolívia. Tourinho reiterou que não haverá rateio compulsório (entre as distribuidoras) da energia gerada por essas usinas, e que a Petrobras será a maior consumidora dessa energia. Dos 3,3 mil megawatts que devem ser introduzidos a partir do próximo ano, 900 MW é demanda da estatal. Além disso, Tourinho explicou, em entrevista coletiva, que, a pedido do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE) vai arcar com a diferença entre a energia gerada em ciclo aberto (simples) e ciclo fechado (combinado). A energia produzida em ciclo simples traz uma perda de eficiência de até 30%. As usinas termelétricas somente poderão entrar em operação em 2001, se utilizarem o ciclo simples. Tourinho, no entanto, não detalhou como seria feito este processo. Fonte: InvestNews (Camila Matias/IgM)


Preço alto afasta companhias da bolsa de energia

São Paulo, 25 – Os empresários do setor elétrico estão preferindo fugir da compra de energia na bolsa de comercialização elétrica, o Mercado Atacadista de Energia (MAE). O motivo é simples: a escassez de energia já prevista para 2001 deve elevar o preço no mercado spot, na opinião dos empresários. "Não posso pagar R$ 120 por um megawatt/hora no MAE, por exemplo, se tenho que revendê- lo a R$ 60 para meu cliente", exemplifica o presidente da Eletropaulo Metropolitana, Marc André Pereira.


Em 2001, a Eletropaulo terá 99% de sua energia assegurada em contratos de longo prazo, e apenas 1% terá que ser buscado no mercado livre. Em 2002 cerca de 3% da energia total vendida pela concessionária será comprada no mercado spot e, em 2003 esse percentual subirá para 30%, se os contratos que expirarem até lá não se renovarem. "Queremos fixar o maior número possível de contratos de longo prazo e nos mantermos longe da comercialização no mercado spot", diz Pereira.


O presidente da Eletropaulo cita como exemplo do que pode estar por vir o que aconteceu no estado americano da Califórnia, que tem o mercado de energia 100% livre. Lá, diz ele, os preços ficaram tão altos, já que houve pouca oferta de energia, que chegaram a custar US$ 10 mil o megawatt/hora.


A agência reguladora local teve que intervir. "Essa abertura de mercado, mesmo nos Estados Unidos, foi complicada", disse. O temor de um possível fracasso de comercialização no mercado spot é oriundo da simultaneidade entre a abertura do mercado e a falta de novos projetos de geração em execução. "A oferta não acompanha a demanda, daí a dificuldade na redução dos preços", afirma o sócio da Andersen Consulting, Aloysio Pontes.


Para o diretor da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais (Abrace), Paulo Ludmer, a maioria das grandes empresas consumidoras de energia está despreparada para operar no MAE. A Abrace engloba 52 companhias que, juntas, consomem um terço de toda a energia elétrica do país. São consideradas "livres" para escolher o fornecedor ou comprar no mercado spot. Mas preferem a garantia dos contratos fixos, segundo Ludmer. "Ninguém quer ficar exposto", diz.


Para aumentar a oferta, o governo federal criou o Programa Prioritário Termoelétrico com 55 usinas inscritas. Apenas duas entraram em operação: a de Cuiabá, da americana Enron, e a de Uruguaiana, da também americana AES. Ambas construídas com recursos próprios, sem financiamento e com capacidade de geração, a princípio, de 1000 megawatts. Para acompanhar a demanda sem risco de racionamento, há uma necessidade de incremento de 4 a 5 mil megawatts ao ano no sistema interligado brasileiro. "O governo começa agora a agilizar a remoção dos entraves para a construção de novas usinas, para não faltar energia em 2001. Mas já estamos no final do ano e as usinas precisam de, no mínimo, 12 meses de construção para operar em ciclo aberto", diz o vice-presidente da Enron, José Bestard. "Se as térmicas não começarem a sair do papel já, não haverá oferta de energia nem em 2001, nem em 2002", completou. Fonte: Valor Online (Leila Coimbra)


Apagão atinge 776,3 mil pessoas

Recife, 25 – Pelo menos quatro municípios da Região Metropolitana do Recife (RMR) ficaram às escuras ontem, a partir das 18h05. Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca e Escada, além de parte da Mata Sul do Estado, foram atingidos por um apagão causado pelo desligamento de duas linhas de transmissão da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). Até ontem às 21 horas, o problema não tinha sido resolvido. De acordo com os dados do Condepe, moram na área 776,3 mil pessoas, que podem ter sido atingidas. Mas os municípios não foram atingidos por completo, portanto ainda não é possível dimensionar a quantidade exata de pessoas que ficaram sem energia. Os técnicos da companhia também só conseguiram detectar a origem do problema duas horas depois do black out. Segundo as informações da Chesf, o rompimento de um cabo condutor (que acompanha as linhas que transmitem energia) provocou um curto-circuito e comprometeu o funcionamento da subestação de Pirapama, que alimenta o sul da RMR e parte da Mata Sul. As duas linhas que deixaram de transmitir a energia têm uma tensão de 230 mil volts. Assim que detectou o desligamento das linhas, a Chesf tentou religá-las automaticamente. Não conseguiu porque, no jargão técnico, tratava-se de uma "falha permanente". Uma equipe de engenheiros e técnicos foi enviada à subestação de Pirapama. Sem conseguir resolver o problema, a Chesf utilizou outras linhas de transmissão e começou a desviar a energia de outros pontos do Recife para alimentar a área atingida. Segundo o coordenador de Relações Institucionais da Chesf, Valdemar Freitas, a operação de emergência conseguiu minimizar o problema em 20%.


Apesar do desvio da energia, grande parte dos bairros de Jaboatão dos Guararapes, as praias do litoral sul e os distritos de alguns municípios da Mata Sul continuaram sem energia. A Celpe, que distribui a energia da Chesf, iniciou uma operação de remanejamento de carga para transferir parte de sua energia também para a região que estava apagada. Mas, mesmo com a prontidão, nãoconseguiu evitar que ocorressem oscilações de correntes. O resultado foi uma rápida interrupção de energia também no Recife. Preocupado com uma possibilidade de pane, o centro de gerenciamento de redes da Telemar colocou uma equipe de prontidão. Em Suape, uma reunião entre técnicos do Governo e executivos da General Motors foi interrompida por conta do apagão. Ainda não é possível calcular os prejuízos financeiros da pane. Mas, entre os empresários, curiosamente, a sensação foi de alívio porque, no momento do apagão, as principais indústrias do complexo de Suape já tinham encerrado as atividades diárias. Hoje, a Chesf deve informar o motivo do rompimento do cabo. Fonte: Diário de Pernambuco (Saulo Moreira)

Brasil tem 9,2 milhões vivendo às escuras

Camamu, 28 – Aos 79 anos, o pescador Evergisto Santana nunca teve acesso à luz elétrica convencional em casa. Morador mais velho de uma ilhota isolada da baía de Camamu (a 319 km de Salvador), ele diz viver guiando-se pela claridade de um lampião, com o mesmo desconforto em que o pai vivia, no fim do século 19. "Sempre sobrevivi assim, às escuras", afirma o pescador, pai de 13 filhos que moram na mesma situação. Como Santana, 9,2 milhões de brasileiros -5,7% da população do país- levam a vida "às escuras", segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE de 1999. O percentual mais que quadruplica quando se consideram apenas os habitantes da zona rural, caso do pescador: 25,2% da população que vive no campo não tem luz elétrica. São 8,2 milhões de pessoas, o que representa 89% do total do batalhão dos sem-energia no país. Sem luz elétrica para fazer funcionar uma geladeira, Santana é obrigado a conservar os peixes que pesca de canoa da mesma maneira que seus antepassados: untando no sal. "Isso reduz à metade o preço do pescado na feira." Fonte: FolhaNews (Marcos Vita)










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