O Estado de São Paulo 17/07/98 Preço da Elektro não foi alto, apesar do ágio Valor pago pela Enron, US$ 1,275 bilhão, está na média dos leilões de outras empresas de energia CLEIDE …

O Estado de São Paulo 17/07/98


Preço da Elektro não foi alto, apesar do ágio


Valor pago pela Enron, US$ 1,275 bilhão, está na média dos leilões de outras empresas de energia


CLEIDE SÁNCHEZ RODRÍGUEZ


O valor pago pela Enron na compra da Elektro-Eletricidade e Serviços – a distribuidora de energia elétrica paulista leiloada na quinta-feira – está na média das privatizações do setor, apesar do ágio recorde de 98,9% sobre o preço mínimo.


Estudo do banco de investimentos Warburg Dillon Read mostra que o preço de US$ 1,275 bilhão pago pela empresa corresponde a US$ 316,00 por megawatt/hora (MWh). Esse valor foi calculado dividindo-se o lance vitorioso pelo volume de energia vendido pela empresa.


O resultado está na média dos lances vencedores das 15 privatizações de distribuidoras de energia já realizadas e chega a ser inferior, em alguns casos, disse Alexandre Bettamio, diretor da área de Corporate Finance do banco.


A Enersul, distribuidora de energia elétrica do Mato Grosso do Sul, por exemplo, obteve o maior valor (U$ 555,00 por MWh, seguida pela Energipe (US$ 474,00 por MWh) e CPFL (US$ 380,00 por MWh).


A conclusão confirma as declarações do executivo da Enron, Diomedes Christodoulou, no dia do leilão. Ele disse que as avaliações, considerando as unidades de referência do setor – como energia vendida e número de consumidores -, indicavam que a companhia estaria fazendo um bom negócio comprando a Elektro, mesmo com ágio expressivo.


A aquisição da distribuidora paulista fez subir para US$ 1,9 bilhão o volume de investimentos da Enron no Brasil. Além do gasoduto Brasil-Bolívia, a companhia comprou parte da Gaspart, que lhe garantiu a participação acionária nos sistemas de distribuição de gás natural em oito Estados brasileiros.


Até o fim do ano, deve ser inaugurada a primeira fase da termoelétrica de Cuiabá, atualmente em construção no Estado de Mato Grosso do Sul. A segunda fase deverá estar concluída no fim do próximo ano, quando a termoelétrica já estará utilizando gás natural.


A usina deve estar operando a todo vapor no fim do ano 2000. A compra da Elektro vai integrar os negócios de gás e energia elétrica da empresa, a maior do setor em todo o mundo, com ativos de US$ 23 bilhões.

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