JB 2/6/2000 Firjan teme crise energética Federação recomenda a indústrias que iniciem projetos próprios de geração JOÃO CARLOS LEAL A Federação das Indústrias …


JB 2/6/2000

Firjan teme crise energética

Federação recomenda a indústrias que iniciem projetos próprios de geração


JOÃO CARLOS LEAL


A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) recomenda aos seus associados que iniciem projetos próprios, ou associados, de geração de energia elétrica o quanto antes. O alerta consta de um minucioso relatório do Grupo de Acompanhamento do Setor Elétrico, ligado à federação, que traçou um panorama, nada animador, da produção e consumo de energia até 2004. Segundo o estudo, o país pode se livrar do racionamento este ano, mas de 2001 não escapa, sem que medidas de emergência sejam tomadas.


A chance de um racionamento nos próximos meses, porém, não está de todo afastada. Segundo o relatório, para evitá-lo é necessário que três projetos anunciados pelo governo estejam maduros nos prazos programados. O primeiro, a interligação com a Argentina, que fornecerá 1.000 megawatts, planejado para maio, está pronto. Os outros dois: a entrada de Angra 2, com mais 1.300 megawatts e as duas unidades da usina hidrelétrica de Itá, com 300 megawatts cada, estão programados para julho e agosto.


Reservatórios – Um segundo fator de risco é o baixo nível dos reservatórios das principais hidrelétricas do país. De acordo com os dados da Operadora Nacional do Sistema Elétrico (ONS), várias usinas estão consumindo muito mais água do que os rios estão repondo. No caso de Furnas, por exemplo – que estava, na segunda-feira passada, com 43,71% do seu volume -, vem escoando praticamente o dobro do que chega ao reservatório, para manter a produção de energia. "A situação de Furnas é bem ruim. E, levando em conta que as chuvas vão escassear, deve ficar pior", prevê o presidente do Sindicato dos Engenheiros do Rio, Sérgio Almeida.


Preocupação que o relatório da Firjan confirma. De acordo com ele, em média, as reservas estavam, em maio, a 60% do máximo. Um índice preocupante se comparado a maio de outros anos: 70%, no ano passado; 80%, em 98, e até 90%, em 97. Pelas contas dos especialistas, este ano, os reservatórios terminaram o mês de maio – quando a estiagem está apenas começando e as reservas costumam ser maiores – com níveis de água equivalentes aos do meses de agosto e setembro, época em que ainda há seca.


Economia – Para a Associação Brasileira dos Consumidores de Energia (Abrace), que reúne cerca de 52 grandes complexos industriais – responsáveis por 20% do consumo de energia do país -, a situação preocupa, mas não de agora. O diretor-executivo da Abrace, Paulo Ludmer, conta que há três anos, na época da estiagem, "o consumo de energia encosta na oferta". E em todos esses anos, embora a ONS negue, os seus diretores se reuniram com a Abrace para criar maneiras de reduzir a demanda de eletricidade na hora do pico.


"Este ano isso será feito automaticamente pelas concessionárias com os seus principais clientes. Mas antes era com a associação", garante Ludmer. Segundo o diretor, as empresas que mais têm contribuído, mudando turnos de trabalho, são as do setor de alimentos, e algumas da área de siderurgia.

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