JB 21/1/99 Energia 3,5% mais cara no Rio Desvalorização do real eleva preço da eletricidade vendida pela Itaipu Binacional à Light e outras concessionárias TELMO WAMBIER O preço da en …


JB 21/1/99

Energia 3,5% mais cara no Rio

Desvalorização do real eleva preço da eletricidade vendida pela Itaipu Binacional à Light e outras concessionárias


TELMO WAMBIER


O preço da energia elétrica consumida no Rio de Janeiro poderá aumentar entre 3% e 3,5% por causa da desvalorização do real ocorrida nas últimas semanas. O impacto da variação cambial sobre o preço da energia ainda não tem cálculos definitivos, mas essa é a avaliação preliminar do presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio. O repasse do custo da desvalorização da moeda para o consumidor final, entretanto, dependerá, ainda, de autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).


O câmbio só tem influência direta sobre o preço da energia adquirida pela Itaipu Binacional. A energia importada é revendida a várias distribuidoras no Brasil, entre elas a Light. No caso do Rio de Janeiro, a parte correspondente a Itaipu contribui com apenas um terço do volume distribuído (35% do total, aproximadamente). "Com isso, o aumento de preço para o consumidor final não será tão expressivo", imagina o presidente da Eletrobrás.


Quanto aos demais estados servidos pela energia vinda de Itaipu a empresa ainda não fez estimativas. De qualquer forma, explicou, alguma variação haverá para as empresas servidas por Itaipu. Mas isso depende do percentual de participação em cada uma delas.


Dívidas – Quanto ao peso da desvalorização cambial sobre as dívidas da Eletrobrás Firmino Sampaio disse que "a empresa está tranqüila". Primeiro, de acordo com ele, porque o endividamento da companhia é muito baixo em relação aos seus ativos. Depois, porque a empresa tem um hedge (garantia) confortável, que é o contrato de financiamento de Itaipu.


"Para cada dólar que deve a empresa tem três para receber", informou. Na sua opinião, embora a desvalorização cambial não possa ser comemorada, já que reflete sobre o sistema elétrico em geral, a Eletrobrás ganha com ela.


"O que temos em operações externas com moeda estrangeira são bônus e financiamentos do Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento, que somam alguma coisa em torno de US$ 1,8 bilhão. Esse é o total da nossa dívida externa. E somos credores de US$ 5,4 bilhões, fora o que temos para receber em reais" disse o presidente da empresa.


Patrimônio – Sobre o valor patrimonial da Eletrobrás no mercado de ações, Firmino Sampaio afirmou que as altas taxas de juros e as perdas dos ativos nas bolsas de valores têm prejudicado a empresa.


Segundo ele, as ações da Eletrobrás no mercado já chegaram a ser cotadas a 50% do valor patrimonial da empresa. "Hoje representam mais ou menos 35% desse valor", disse ele. Explicou que as taxas de juros elevadas têm desviado a poupança nacional para os ativos de renda fixa e outras aplicações, o que tem prejudicado o mercado de ações.


Firmino Sampaio lembrou, ainda, que 30% do capital da empresa estão em mãos de investidores, dos quais 18% no exterior, na forma de American Depositary Receipts (ADRs) do nível 1, na Bolsa de Nova Iorque.


Privatização – A questão que se põe agora, quando se estuda o modelo de privatização das empresas geradoras de energia que integram o sistema Eletrobrás é o momento em que se deveria colocá-las em oferta pública. A desvalorização dos ativos, em decorrência dos juros e da retração do mercado de ações, é um dos fatores em estudo.


"Precisamos, agora, contar com o apoio técnico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que é o responsável pelas privatizações, para escolher o melhor modelo e o melhor momento", disse Sampaio.


Hoje já há uma forte corrente no governo que defende a privatização das geradoras pela democratização do capital no mercado de ações. Uma das idéias, defendida por Firmino Sampaio, é ofertar as ações da empresa aos consumidores finais de energia, junto com a conta. Mas é ainda um estudo preliminar, que depende de aprovação da Comissão de Valores Mobiliários. O presidente da Eletrobrás lançou a idéia a partir de experiências anteriores, quando estava na direção da Coelba, na Bahia.

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