Alheios aos horrores que a privatização dos serviços públicos vêm trazendo à sociedade brasileira e aos caminhos adotados por grandes corporações, que se fundem para enfrentar a global …


Alheios aos horrores que a privatização dos serviços públicos vêm trazendo à sociedade brasileira e aos caminhos adotados por grandes corporações, que se fundem para enfrentar a globalização, o govêrno insiste na cisão de FURNAS. Trata-se do desmonte de uma equipe responsável por investimentos da ordem de US$ 30 bilhões que significará perda irreparável para a sociedade brasileira. Pergunta-se: A primeira cisão, a da Eletronuclear, resolveu o problema? A segunda notícia responde…..


Globo 07/06/1999

Assembléia para cisão de Furnas será dia 16

Sueli Campo*

SÃO PAULO. O ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, informou ontem que uma nova assembléia de acionistas será feita no dia 16 para aprovar a cisão de Furnas. Será a terceira tentativa do Governo de cindir a empresa em três: duas geradoras e uma transmissora. As tentativas anteriores fracassaram por causa de uma ação que tramita na Justiça do Rio.


Mesmo que consiga realizar a assembléia, dificilmente o Governo conseguirá vender a empresa este ano, avaliou o ministro, que participou, em São Paulo, da inauguração da sede da Administradora de Serviços do Mercado Atacadista de Energia.

Angra I já parou 11 vezes desde 1998

Carter Anderson

Só nos três primeiros meses do ano, a usina nuclear de Angra I foi desligada seis vezes, por problemas que vão de falhas no equipamento a interrupção no fornecimento de energia e erro humano, denunciou ontem o vice-diretor da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe) da UFRJ, o físico Luís Pinguelli Rosa. De junho do ano passado a março, a usina teve seu funcionamento interrompido 11 vezes – uma freqüência que, segundo Pinguelli, deixa evidente que há problemas sérios de operação e manutenção.


Professor de planejamento energético da Coppe, Pinguelli incluiu essas informações num relatório e o enviou ao procurador Daniel Sarmento, do Ministério Público Federal. Semana passada, o procurador enviou ofícios, com pedidos de esclarecimento, à Eletronuclear, operadora de Angra I, e à Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), o órgão fiscalizador.


– Os reatores normalmente param uma vez por ano, para manutenção e troca de combustível. Umas três paradas por ano ainda são aceitáveis. Mas seis num trimestre é muito. Esse reator tem que parar de funcionar para sofrer uma supervisão. Por que há tantas interrupções sucessivas? – afirmou Pinguelli, que informou ter tido acesso a relatórios enviados pela Eletronuclear à Cnen e à Associação Mundial de Operadores Nucleares (Wano).


O diretor de Relações Institucionais da Eletronuclear, Luís Soares, disse que a empresa só dará informações sobre a operação da usina após responder oficialmente ao Ministério Público, o que fará ainda esta semana. Soares negou que haja problemas de manutenção e segurança. Segundo Soares, Pinguelli baseou suas informações no Plano de Ação para Melhoria dos Indicadores de Desempenho de Angra I, enviado à Cnen em 20 de abril. A Cnen divulgou nota, na qual informa que a usina vem operando "sem eventos que afetem a segurança” e que não foi notificada pelo Ministério Público.


Professor de física da PUC-RJ e ex-diretor da Cnen, Anselmo Páschoa disse que é preciso analisar as causas que levaram às interrupções, mas demonstrou preocupação com sua freqüência:


– Angra I deve funcionar com uma ou duas paradas por ano. Ou há cuidados excessivos ou a manutenção não está adequada.


Em seu relatório, Pinguelli enumerou os desligamentos: quatro foram provocadas por eventos externos (interrupção no fornecimento de energia elétrica); quatro por falhas no equipamento; dois por erro humano e um por causa indeterminada. Segundo Pinguelli, é normal que a usina seja desligada quando houver interrupção no fornecimento de energia. Segundo o físico, trata-se de uma medida preventiva, uma vez que a energia externa pode ser necessária para acionar mecanismos de segurança, se o reator falhar.


Pinguelli disse que há outros problemas sérios. Segundo o físico, 9% dos tubos dos dois geradores de vapor já estão inutilizados. De acordo com ele, usinas gêmeas de Angra I, em outras partes do mundo, precisaram trocar todo o gerador, porque os tubos tinham defeito de fabricação. Para Pinguelli, faltam recursos para a Eletronuclear fazer a troca. A empresa contestou o físico e informou que foram necessários 17 anos para que 9% dos tubos apresentassem defeitos. Soares disse que este índice pode chegar a 25%:


– A Eletronuclear tem uma receita anual de R$ 200 milhões, que banca as despesas de custeio. Vamos triplicar nossa receita com a entrada em operação de Angra II, em janeiro. Não há problemas de recursos – disse Soares.

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