A velha ladainha Até a administração Tourinho no Ministério de Minas e Energia, o agora presidente da Abraget era o secretário de energia do MME. Ao sair, com a velocidade da luz, assumiu cargo na EL …

A velha ladainha


Até a administração Tourinho no Ministério de Minas e Energia, o agora presidente da Abraget era o secretário de energia do MME. Ao sair, com a velocidade da luz, assumiu cargo na EL Paso. As "incertezas regulatórias", em parte, são sua obra. Suas previsões não podem ser levadas muito a sério, pois, em dezembro de 2000, às vésperas do racionamento, o Dr. Xisto dizia que o risco de racionamento era zero. A velha ladainha das "condições voláteis da hidraulicidade" volta como "chantagem" para pressionar o governo. O Dr. Xisto gostaria que isso fosse verdade. Seria bom explicar como a Noruega se vira só com hidroelétricas. A complementariedade que ele defende, só depende dos custos das térmicas.



PT descarta privatização das geradoras de energia

Cláudia Lobo
, Do Rio (Valor 23/07)


O coordenador de política energética do PT, Luis Pinguelli Rosa, adiantou ontem a representantes do setor elétrico, reunidos no Energy Summit, que o partido vai propor a rediscussão da política tarifária do atual governo e não privatizará as grandes geradoras – Furnas, Chesf e Eletronorte – , caso Luiz Inácio Lula da Silva seja eleito.


A decisão leva em conta estudo do governo americano revelando que o Brasil, embora tenha uma matriz energética hidráulica, possui os reajustes de preço da energia elétrica mais elevados do mundo. "De 1991 a 1999, os reajustes acumularam 87% , índices muito mais alto, por exemplo que o dos Estados Unidos (13%) e o da Rússia (22%)".


Pinguelli anunciou ainda que o partido vai discutir com os empresários, caso assuma o governo, a redução do lucro praticado hoje pelas empresas. O PT defende que o retorno do serviço será calculado com ganhos no longo prazo. Além do PT apresentaram suas propostas os especialistas dos candidatos do PSB, Wagner Victer, e do PSDB, Eloy Fernandez y Fernandez. Victer defendeu a rediscussão das tarifas, garantindo ainda, como Pinguelli, a manutenção dos contratos assinados pelo governo anterior.


O especialista, Eloy Fernandez y Fernandez, ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo, assessor do candidato José Serra para assuntos energéticos, disse que a política energética de Serra será aliada da política macroeconômica de governo e passará pelos três pontos-chaves que nortearão sua administração caso eleito: responsabilidade fiscal, manutenção do câmbio flutuante e estabilidade da inflação.


Além disso, informou que o objetivo será perseguido atraindo investimentos, aumentando a parcela da população com acesso ao consumo; concessão de subsídios transparentes e não cruzados como os atuais; desvinculação da política de gás natural da Lei do Petróleo.


Representantes da indústria de energia elétrica não ficaram satisfeitos com as propostas dos candidatos. Os executivos taxaram as propostas de "genéricas", sem detalhar como as medidas serão implantadas, principalmente a questão do reajuste de tarifas. O vice-presidente da Duke Energy, Delson Amador, foi um dos mais veementes críticos das propostas dos três candidatos. A seu ver, elas devem ser apresentadas para "permitir um debate com o setor sobre a sua viabilidade". Para o consultor e ex-diretor da British Gas, François Moreau, nenhum presidente vai administrar o setor elétrico sem aumentar tarifas, sob o risco de não encontrar investidores. "Mesmo no caso de a geração continuar com o Estado essas empresas terão que ser remuneradas. Não há como fazer sem aumentar o preço da energia para os novos patamares ", reforçou.




Sem reajuste nas tarifas, PPL vende controle da Cemar

De São Paulo
(Valor 23/07)


A americana PPL Corporation anunciou ontem uma proposta para a venda de sua participação de 90% no capital da Companhia Energética do Maranhão (Cemar) à Franklin Park Energy, de McLean, Virgínia. Ao mesmo tempo, a distribuidora brasileira solicitou à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que aprove a venda até 15 de agosto.


Caso a operação seja consumada, a Franklin Park comprará a Cemar pelo preço nominal e assumiria a responsabilidade de operar a companhia. A transferência do controle da distribuidora está sujeita também a um acordo entre a Franklin Park e a PPL Global, uma subsidiária da PPL Corporation. O negócio não deve alterar em nada as operações cotidianas da Cemar, informou o grupo controlador.


"Temos esperança que a Aneel irá aprovar a venda e mudança de controle acionário no mais curto espaço de tempo, de modo a remover quaisquer incertezas existentes para clientes, credores e empregados da Cemar", disse William Hecht, presidente e CEO da PPL. "A Franklin Park está em boas condições para implementar a reestruturação necessária para a recuperação da saúde financeira da distribuidora " , disse.


Segundo o executivo, a venda da Cemar começou a ser negociada antes de a Aneel recusar, no início de junho, o pedido de revisão extraordinária de tarifas feito pela companhia. "Infelizmente a recusa nos deixou sem escolha – exceto por um pedido de concordata – a não ser buscar um comprador para a companhia", disse. De acordo com ele, mais de 40 possíveis compradores foram sondados no período.


A Franklin Park é um grupo de investimento privado focado na aquisição e operação de companhias de utilidade pública nos Estados Unidos e América Latina, dirigido por Thomas Tribone. A Cemar presta serviços de fornecimento de energia elétrica para mais de 1 milhão de clientes no Maranhão. As demais distribuidoras de energia da PPL na América Latina, localizadas no Chile, na Bolívia e em El Salvador, não foram afetadas pela situação no Brasil, informou a empresa.


A PPL Corporation, com sede em Allentown, Pennsylvania, tem mais de 10 mil megawatts (MW) de capacidade instalada de geração nos Estados Unidos e opera também no Reino Unido. O grupo americano comprou 85% da Cemar em junho de 2000 por US$ 290 milhões e desde então fez aportes adicionais que elevaram o investimento na distribuidora brasileira a mais de US$ 300 milhões e a fatia de controle para os 90% atuais.


A venda da Cemar e as perspectivas da PPL para serão discutidos hoje em teleconferência com analistas às 9 horas de hoje nos EUA (10 horas no Brasil), que poderá ser acompanhada no site da companhia na internet.



País corre risco de não instalar nem metade das usinas do PPT, diz presidente da Abraget

Para Xisto Vieira, incertezas regulatórias desaceleram os investimentos nos projetos de térmicas

Oldon Machado, Expansão (Canal Energia)


22/07/2002


Se as incertezas regulatórias do mercado continuarem, o país não vai conseguir instalar nem metade da capacidade instalada prevista pelo PPT (Programa Prioritário de Termeletricidade), até 2004. A opinião é de Xisto Vieira Filho, presidente da Abraget (Associação Brasileira das Geradoras Térmicas), que nesta segunda-feira, dia 22 de julho, participou do primeiro dia do Energy Summitt, evento promovido pelo IBC. A previsão inicial do programa era de 15 mil MW, sendo revisto depois para 12 mil.


"Vai acontecer uma desaceleração natural na implantação dos projetos e o país ficará sujeito às condições voláteis da hidraulicidade", observa o executivo. Para Xisto Vieira, se em 2003 e 2004 houver uma recuperação da demanda e os níveis dos reservatórios ficarem críticos, o país corre o risco de enfrentar uma crise similar a que viveu em 2001.


O presidente da Abraget explica que o CCPE (Comitê de Coordenação de Planejamento dos Sistemas Elétricos) sempre trabalha com projeção de consumo equivalente ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Na última projeção, este número ficou em 5,3%. "Se o crescimento do consumo chegar a 4,5%, o país vai depender muito de um bom volume de chuvas", ressalta.


Para minimizar os riscos de crise de desabastecimento, Xisto Vieira diz que é preciso haver uma complementariedade entre a geração termelétrica e a hidrelétrica. Segundo ele, hoje, a geração térmica tem uma participação de 8% na matriz energética do país, contra 20% na Colômbia e de 30% da Venezuela.




Petrobras volta a enxergar espaço para termelétricas

Cláudia Schüffner
, Do Rio (Valor 23/07)


Foto: Rafael Jacinto/Valor

Para Menezes, distribuidoras devem comprar até 15% de energia térmica


O diretor da área de gás e energia da Petrobras, Antonio Luiz Menezes está começando a ficar "menos intranqüilo" com o mercado de energia térmica. Apesar das previsões pessimistas das distribuidoras quanto ao risco de um novo racionamento em 2004, o executivo explica que uma das razões da melhora das suas projeções é que as empresas estão iniciando os contatos com os geradores com vistas a garantir o suprimento futuro.


O otimismo deve-se ao fato de que a partir de 2003 as distribuidoras terão que comprar progressivamente no mercado 25% da energia necessária para atender suas áreas de concessão, até chegar a 100% em 2006. Com o início da liberação do mercado, as geradoras poderão cobrar preços maiores do que os atuais e Menezes não acredita que as distribuidoras decidirão abastecer-se integralmente com as hidrelétricas.


"Seria muito arriscado contar só com energia hídrica e elas (as distribuidoras) podem precisar de energia térmica, talvez uns 10% a 15% da demanda", prevê.


Daí a expectativa com relação aos próximos leilões de energia, que vão ocorrer nos próximos quatro meses. A própria Petrobras está negociando com algumas comercializadoras, como a El Paso e a própria BR Distribuidora, a entrega de "pacotes" de energia para serem vendidos no mercado. Menezes prefere não citar os nomes das empresas, dizendo que ainda está em processo de negociação.


As térmicas onde a Petrobras tem participação vão gerar 1.665 megawatts (MW) na primeira fase, chegando a 3.900 MW na segunda, se todos os 17 projetos foram adiante. Menezes, porém, deixa claro que a Petrobras não abandonou a postura cautelosa do seu programa de térmicas, que prevê gastos de US$ 2,1 bilhões em cinco anos.


Esta cautela já provocou o adiamento dos investimentos que levarão as térmicas – que estão sendo inauguradas em ciclo simples – a produzir em ciclo combinado. A estatal também está mais cuidadosa com os empreendimentos onde é minoritária e os sócios não estão conseguindo levantar recursos. "O programa não está sendo modificado, mas o ritmo das obras está se adequando à demanda, que está aquém do que imaginávamos", explicou o diretor.


Com isso, o ciclo combinado fica para 2004, como era previsto antes da estatal acelerar seu programa de térmicas no auge da crise de energia, em 2001. Agora, a Petrobras vai adiar para o período 2003-2004 os investimentos de US$ 700 milhões a US$ 1 bilhão junto com os sócios, que teriam sido antecipados se a conjuntura não tivesse se alterado.


A empresa tem quatro conjuntos de turbinas parados destinados às térmicas de Cubatão – que não tem compradores para os 440 MW – e a Termogaúcha. Não há decisão de tocar adiante os projetos de Cubatão – onde está associada à japonesa Marubeni -, TermoSergipe e da térmica de xisto em São Mateus (ES). A companhia também está negociando prazos mais longos com a General Eletric (GE, fabricante de turbinas ) para gerenciar melhor os fluxos de recursos.


"Não estamos deixando de vender energia porque o preço está caro, mas porque não há demanda. E se eu colocar mais dinheiro para tornar o megawatt mais barato (de US$ 60 para US$ 35, com a implantação do ciclo combinado), ficaríamos mais comprados em energia, sem ter ninguém para quem vem vender", pondera Menezes.


Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) da semana passada apontavam que o consumo da região Sudeste está em 24.260 megawatts médios, 8,5% abaixo da previsão, que era de um consumo de 26.500 megawatts médios nesse período do ano. Um dos resultados práticos da redução do consumo de energia do país foi o prejuízo de R$ 112 milhões que a área de gás e energia da Petrobras teve no primeiro trimestre do ano.


Grande parte desse resultado deve-se aos preços de comercialização da energia da Macaé Merchant e Eletrobolt, térmicas da El Paso e da Enron, respectivamente. Nos dois casos, a estatal paga a capacidade instalada assumindo o risco do preço do megawatt. Segundo o diretor, o prejuízo será semelhante no segundo trimestre. O problema, de acordo com ele, é que a Petrobras está vendendo energia abaixo do preço projetado para pagar os compromissos com a antecipação do programa de térmicas.



Governo ainda trabalha na revisão do programa de termelétricas

Atraso no cronograma e a demora na obtenção do licenciamento ambiental são duas das principais pré-condições que os projetos não teriam cumprido

Oldon Machado, Expansão (Canal Energia)

22/07/2002


Apesar de confirmar a existência de um estudo de avaliação dos projetos do PPT (Programa Prioritário de Termeletricidade), o Ministério de Minas e Energia (MME) afirma que ainda não concluiu o estudo de revisão do programa. A conclusão do trabalho ainda não tem data definida. Atraso no cronograma e a demora na obtenção do licenciamento ambiental são duas das principais pré-condições que os projetos não teriam cumprido.


Com o processo de revisão, comenta-se no mercado que o governo reduzirá o número de térmicas de 40 para 20, o que totalizaria uma capacidade instalada entre seis mil MW e oito mil MW, até 2004. Antes, o PPT trabalhava com potência instalada de 13 mil. De acordo com uma fonte do mercado, a lista inclui, por exemplo, as termelétricas de São Gonçalo, Campos, DSG Paulínea II e DSG Mogimirim.


Os projetos do PPT já há algum tem passam por um processo de reavalização dos investidores. É o caso da Petrobras, que das 17 usinas em que tem participação colocou seis delas em análise. Da relação fazem parte a NorteCapixaba, a TermoCeará, a TermoAlagoas e a TermoPernambuco.


"Do total, 11 projetos estão em construção e seis estão sendo reavaliados", conta Antônio Menezes, diretor da Área de Energia da Petrobras, que tem 2,7 mil MW no portfólio. Segundo o executivo, a empresa já comercializou 800 MW e está prestes a fechar num prazo de 15 dias a venda de mais 800 MW.


O negócio já faz parte da atuação da Petrobrás Energia, empresa criada para negociar a energia produzida pelas termeléticas. Com participação minoritária na maioria dos projetos (com exceção de Piratininga, Canoas e Três Lagoas), a Petrobras não descarta a idéia de vender ativos.


"Faz parte dos planos buscar sócios que garantam a compra da energia gerada e não só o aporte financeiro", observa Antônio Menezes. Segundo ele, na TermoRio, a Petrobras poderá ter participação majoritária por um curto espaço de tempo. Com a confirmação do negócio feito com a NRG, esta participação chegará a 93%.





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